O primeiro trimestre

Por Rafaela Schiavo – 17 Agosto 2015


Vamos falar um pouco sobre o primeiro trimestre de gestação. Esse em geral é o trimestre em que a maioria descobre sua gestação. Essa descoberta em geral não é vivenciada com êxtase de alegria para muitas mulheres. Como vimos no post passado, mais de 50% das mulheres não planejam a gestação, portanto, a notícia de uma gravidez em geral assusta a mulher que irá apresentar sentimentos de alegria e tristeza diante a nova situação.
Quando a gestante apresenta mais tristeza diante a notícia do que alegria, não significa que a mesma está rejeitando o bebê, ela pode estar rejeitando a situação que a pegou de surpresa, em um momento que não esperava por uma gravidez.
É muito comum as pessoas acreditarem que a mulher assim que descobre que está grávida, já é a pessoa mais feliz do mundo e ama a criança incondicionalmente. A própria gestante muitas vezes também tem essa representação, mas, essa felicidade e o amor incondicional não vêm junto como brinde quando se obtém o resultado positivo de gravidez.

Tal sentimento de tristeza pode levar a mulher a se achar inferior a outras mulheres, e em geral essa gestante não consegue expressar o seu descontentamento para outras pessoas, pois, não há espaço na sociedade para que a gestante possa falar sobre sua angústia de ter engravidado naquele momento. Ou ainda, quando a mulher planejou a gestação, mas ao obter o resultado positivo, não conseguir sentir o que acreditava que iria sentir.

Dessa forma as mulheres se calam, com medo de falar e serem julgadas, e passam a acreditar que há algo de errado consigo. O que não é verdade. Só amamos aquilo que conhecemos, não é possível amar aquilo que não se conhece, o amor de mãe é construído e não dado instintivamente. A mulher muitas vezes no inicio da gestação, pensa que algo estranho acontece com ela, pois ela não sente aquele amor idealizado pela criança, muitas falam que nem ao menos se sentem grávidas, e isso lhes trás estranhamento.

A mulher leva um tempo para aceitar a notícia da gravidez, para aceitar que está grávida e para aceitar o bebê. O amor vai sendo construído ao longo da gestação, o bebê é um estranho para ela. Em geral no segundo trimestre quando a mulher já consegue ver a barriga crescer, sente os movimentos fetais e já sabe o sexo da criança, ela começa a se identificar como uma gestante e a essa altura o bebê desconhecido, vai se tornando um ser mais conhecido, possibilitando um inicio de afetividade maior.


Leia também: https://temosquefalarsobreisso.wordpress.com/2015/10/11/o-terceiro-trimestre/

6 comentários Adicione o seu

  1. Olá Graziela.
    O nome que damos a esse sentimento de alegria e medo que ocorre com muita frequência quando se tem o positivo da gravidez é AMBIVALÊNCIA. A mulher ao mesmo tempo que fica contente, também passa pela cabeça muitas dúvidas como exemplo: “Será que estou mesmo preparada”, “Será que esse era o momento ideal”, “Nossa! achei que ia demorar mais um pouco” entre outros.
    Entretanto, há outras mulheres que de fato não conseguem encontrar pontos positivos em uma gravidez naquele momento da vida dela, seja porque acabou de perder o emprego, ou acabou de entrar na faculdade, ou acabou de se separar do marido entre tantos outros motivos que podem gerar um desconforto maior o saber que está grávida.
    A perda do bebê em qualquer uma dessas situações para a maioria das gestantes mesmo que no primeiro trimestre é dolorosa, mesmo que a mulher ainda esteja de fato assimilando a ideia de estar grávida, de qualquer forma, essa pessoa está inserida em uma sociedade que valoriza muito a maternidade, e mesmo que o bebê não fosse planejado ou desejado, ainda assim essa mulher poderia sofrer com a perda.
    Portanto, não é porque uma mulher não desejou a gestação ou ainda não sente amor pelo bebê/feto que ela não sofrerá caso ocorra um abortamento, cada pessoa tem uma história própria de vida, e é essa história de cada um que vai dar o desfecho de como cada um irá reagir as mais diversas situações da vida.
    Abraços.
    Rafaela Schiavo

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  2. Graziela disse:

    Não soa meio estranho “desenganar” o amor imediato ao receber o positivo, ainda no 1o trimestre de gravidez e ao mesmo tempo postar tantas mensagens de lutos tão fortes quando se perde o bebê ainda nessa fase?
    Não estou fazendo uma crítica, mas uma questão mesmo. Mais uma vez creio que cada mulher é diferente da outra. Das minhas 3 gestações, 2 não foram planejadas e ainda assim tenho certeza que amava aqueles bebês desde o positivo. Claro que um sentimento diferente, não é o mesmo e nem perto de ser o que senti ao ver suas carinhas pela 1a vez (sim, o amor pra mim foi imediato e explosivo no momento do parto).
    Será que então a dor que as mulheres sentem quando a gravidez não desenvolve, logo no início, é apenas frustração pelo que não será?

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