Thais Cimino

Olá, eu sou a idealizadora do Projeto. Tenho uma filha que se chama Vida, que tem 1 ano e 10 meses.

Acompanhe aqui meus posts!

Temos que falar sobre isso, surgiu a partir da minha experiência pessoal com o processo de tornar-me mãe, que foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida, de fato. Ao mesmo tempo foi, e está sendo, um percurso bastante doloroso, de transformação e grandes desafios e dificuldades.

Comecei a pesquisar, e me dei conta do pouco que se fala franca e abertamente sobre essa parte não tão linda, não tão feliz, e cheia de obstáculos.

Temos que falar da parte sombria da maternidade, da parte difícil, da parte que ninguém comenta, da parte que quase parece que não existe!

Não importa onde, quando, como: me atrevo a dizer que todas as mulheres passam por algum tipo de dificuldade durante o período perinatal. Seja durante a gravidez, seja no parto, seja no puerpério, durante a amamentação, na relação com a família, com esse bebê que temos que aprender a conhecer, a ler, a entender, a suprir, a nutrir, na relação com o marido-parceiro-companheiro(a). Eu passei por várias que contarei também aqui no blog.
Passamos a viver uma nova vida. Entramos em contato com a nossa sombra, nossos traumas, revivemos a nossa experiência de quando nascemos, de quando éramos bebês, da nossa relação com a nossa mãe, da nossa idéia do que é ser mãe. Temos que nos reinventar, reconhecer no nosso novo papel, ativar nossos instintos e conhecimentos ancestrais inatos, e para isso, necessitamos tempo, apoio, suporte, acolhida.
Infelizmente, muitas vezes as mães se encontram sozinhas, aflitas, sem muita idéia de “onde se meteram”, pensaram que podiam controlar e prever o que vinha pela frente, criaram muitas expectativas sobre a maternidade, às vezes, influenciadas pelo vende a mídia, o consumo e a cultura.
Não temos a menor idéia do que nos espera. E isso assusta. Dependendo da pessoa e da sua história, de forma mais leve ou mais arrebatadora. E nesse momento que caímos na realidade, que estamos frágeis, sensibilizadas, com os hormônios daquele jeito, uma quantidade enorme de mulheres se encontram desamparadas, ou mal acompanhadas de críticos e conselheiros de plantão.
Imagina a situação de dor, que possa sentir uma mulher que sofreu violência obstétrica, como tantas passam e ficam caladas. Ou a sensação de inadequação quando não se sentem vinculadas aos seus bebês, quando ao invés de toda aquela felicidade e amor que deveria sentir não chega nunca. E a dor de tentar amamentar e os seios sangram, e o bebê está com fome, e ela está exausta, ou o leite não vem ou ela tem uma mastite. E aquela mãe que planejou o parto perfeito mas a vida decidiu que não ia ser assim e ela se sente impotente, incapaz,  decepcionada. E a mãe que teve abortos anteriores e passou a gravidez aterrorizada de que poderia acontecer outra vez. E a mãe que perdeu um filho então, que sentimentos passam e arrebatam o peito dessa mulher. E tantos outros milhares de casos e possibilidades… Essas mulheres, onde procuram apoio? Se procuram, onde encontram? Qual é a qualidade desse apoio?
Muitas tem medo de contar para o parceiro, para a mãe, para o médico, para a amiga ou quem seja, por vergonha, por insegurança, por medo de correrem o risco de serem consideradas incapazes de cuidar dos seus próprios filhos, e por estarem cansadas de serem rotuladas e julgadas.
E aí entra o Temos que falar sobre isso, porque acreditamos que o primeiro passo para curar é falar sobre isso. E falando sobre isso damos a oportunidade de outras pessoas escutarem e se identificarem com o nosso caso, com a nossa história e pensarem sobre isso, e também falarem sobre isso. Formando, assim, uma rede.
Para dar voz a essas tantas mulheres, criei essa plataforma, para que de forma anônima, elas possam dar seus depoimentos, os Desabafos Anônimos, como eu chamo, compartilhando como se sentem sem serem julgadas. Para ajudá-las a encontrarem força e conforto em outras mães, para que juntas possam ver que as angústias que sentem são mais comuns do que elas pensam, que as dificuldades que se deparam não são exclusividade suas, mas um denominador comum para muitíssimas mães.

Aqui queremos dar informação à essas mulheres. Queremos acolhê-las e escutá-las. Queremos que entrem em contato com os seus sentimentos e procurem ajuda de qualidade em programas sociais, em médicos, psicólogos, doulas, enfermeiros, enfermeiros obstetras, profissionais da saúde mental, grupos de apoio na sua região. (Convido à todos os profissionais interessados em apoiar o nosso projeto a entrar em contato conosco).
Às vezes aquela tristeza profunda que essas mães sentem é só o normal esperado nesses momentos tão sensíveis. Às vezes essa tristeza aumenta, não passa, se transforma em uma depressão pós parto…
Queremos orientá-las a que procurem ajuda, a que não se sintam culpadas, a que não tenham medo de enfrentar essas dificuldades e ultrapassar esses obstáculos.
Como mães podemos criar uma rede de apoio.
Os profissionais devem ter um olhar atento para as necessidades dessa mulher, estar mais próximos dela no período da gravidez e do puerpério, e quando necessário guiar para o tratamento adequado.
Chega de julgar, chega de colocar-nos umas em contra das outras, chega de criticar!
Vamos escutar, vamos dar voz, vamos acolher, vamos estar atentos, vamos ter mais cuidado com as mulheres, favorecendo e ajudando a que possam desempenhar a maternidade de forma tranqüila, segura e confortável para, assim, criarem um vínculo saudável com seus bebês.

JUNTAS SOMOS MAIS FORTES!

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4 comentários Adicione o seu

  1. Rita Venâncio disse:

    Muito bacana esse assunto! Passei minha gravidez maravilhosamente bem( fisicamente), mas não tive apoio do meu parceiro, me senti muito sozinha, ainda bem que tive apoio da minha família e de Deus! Amava minha Gabi desde sempre, mas tinha medo de não saber cuidar… Sofri muito no primeiro mês, tive mastite, tomei antibióticos, injeções, ia duas vezes por dia no banco de leite pq precisava esvaziar meu peito e amamentar, levava meu leite e dava numa sonda p a minha filhinha. Meu médico queria me internar se eu não melhorasse, tinha muitas dores, calafrios e febre, ele tirou o pus do meu peito com uma agulha, mas ainda assim não foi suficiente, teve que fazer dois cortes com um bisturi, foi quando graças a Deus melhorei!!! Minha vontade de amamentar era tanta que persisti e hoje com um ano e quase quatro meses minha Gabi mama com tanta vontade!!! E eu adoro!!!! Temos um vínculo de amor incrível e único! Bjo a todos! Valeu a pena e passaria por tudo de novo!!! Foi um mês de sofrimento mas meses de muita felicidade!!!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Rita, entendo bem a tua situação. Eu tive complicações e de mastite passou a ser um abcesso mamário, tive que tomar anestesia geral para a operação, e minha filha tinha somente 1 mês e meio. Foi muito difícil, porém me ensinou muito também e consegui tirar algo positivo que se transformou na motivação em ajudar e acolher outras mães! Um beijo!

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