O desenvolvimento e suas transformações: a capacidade ‘ativa’ de toda criança

Por Teresa Ruas –  10 Março 2016


 

O ‘valor’ e a importância das brincadeiras na infância em prol da transformação e do desenvolvimento de nossos filhos não é observado e/ou sentido apenas por especialistas e/ou educadores. Muito pelo contrário, os pais podem ser os primeiros adultos a perceberem e a facilitarem o ‘efeito positivo’ que o brincar possui na vida diária de toda e qualquer criança.

As crianças precisam brincar em diferentes espaços e contextos que fazem parte do seu dia a dia. E, portanto, as vivências lúdicas e familiares e, que contam com a presença dos irmãos, dos pais e/ou da própria casa serem tão importantes para a expressão ‘ativa’ de ‘como são’ e ‘como estão’ os nossos filhos.

O ambiente domiciliar pode e deve ser, sim, um dos principais ‘palcos’ onde os nossos filhos possam ‘atuar’/ expressar sem medo, sem cobranças, sem comparações, e contando, apenas, com o acolhimento afetivo e o respeito de todos os envolvidos. Por exemplo, brincar no chão de casa com o brinquedo e/ou contexto lúdico elegido pelos nossos filhos e, com eles, é uma das principais maneiras de dizermos às crianças o quanto nós a amamos e o quanto queremos acompanhá-las em todo o processo de crescimento.

E quando pontuo sobre a capacidade ativa presente em cada criança, eu quero afirmar o quanto ela é também responsável em potencializar o seu próprio desenvolvimento. Sabemos da importância fundamental do ambiente, da cultura, dos cuidadores/pais e das experiências diante das transformações/aprendizagens infantis. Mas também sabemos que, juntamente, com toda essa ‘bagagem’ existe, em toda criança, uma energia/um desejo vital que a mantém aprendiz, exploradora e eterna aventureira na sua própria ‘viagem’ em prol de suas conquistas diárias. É o que afirmamos sobre o desenvolvimento que acontece na direção de dentro para fora. Ou seja, a partir da própria criança, respeitando o seu ritmo e suas características.

Portanto, quando os nossos filhos elegem, por conta própria, a atividade, o contexto, o local, a história, o brinquedo e/ou as brincadeiras eles estão colocando em ‘ação’, a condição de serem ativos em suas escolhas, desejos, possibilidades e decisões. Eles estão dizendo sobre a maneira que conseguem e desejam se expressar. E com certeza, esse exercício de poder ‘ser’ e ‘estar’ ativo ajudará cada criança, no futuro, a se transformar em um adulto com mais autoconhecimento e autoestima, capaz de fazer as suas escolhas e a lidar com as consequências.

E justamente diante dessa inter-relação direta entre as experiências/influências ambientais – direção de fora para dentro- com a capacidade ativa infantil- direção de dentro para fora- é que os nossos filhos vão se mostrando verdadeiros exploradores, potencializadores, contadores e criadores da sua própria trajetória de vida. Uma trajetória que deve ser permeada pela livre criatividade, imaginação e muita fantasia. Tais características muito presentes na primeira infância e que são o ‘fio condutor’ para manterem vivas a potência, os afetos e a capacidade lúdica de toda e qualquer criança.

Ao brincarem sozinhos ou em grupo do que quiserem e da forma que desejarem, as crianças estão expressando, antes de tudo, como estão vivas e, demonstrando que necessitam da livre ludicidade para a sua global constituição, aprendizagem e transformações.

Sim! Desenvolvimento significa transformação. Transformações diárias que atingem todas as condições de nossos filhos, sejam as cognitivas, as motoras, as sensoriais, as afetivas, as sociais, ou seja, todas as partes que interagindo entre si conseguem formar um todo. Um todo que é humano e, que desde o inicio da vida/da infância, já nos demonstra o desejo ativo e vivo em poder escolher, aventurar-se, descobrir-se, errar, tentar e explorar as suas próprias condições, competências, dificuldades, frustrações, desejos e sonhos.

Possibilitar, portanto, o brincar, guiado pelas próprias escolhas e condições de nossos filhos, é um meio para potencializarmos a condição ativa de cada criança, empoderando-a para que ela também possa conduzir as suas próprias transformações, respeitando o seu ritmo, o seu tempo, o seu espaço e a sua cultura.

Finalizo esse post, desejando a todos nós que somos cuidadores/pais/educadores a sabedoria em perceber o quanto cada criança pode ser ativa e, também, responsável em guiar e potencializar o seu próprio desenvolvimento e transformações, ainda mais quando são respeitadas e amadas.

Um grande abraço, Teresa Ruas


 

Fonte original: blog minha teoria na vida

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2 comentários Adicione o seu

  1. cabecadefrade disse:

    gostei muito, muito deste texto! tanto que acabei citando-o no meu blog. está me ajudando muito, obrigada!!!

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