Quero conseguir cuidar dele

em

Não quero ser identificada; 1 filho

Idade: 32

Desabafo Anônimo: POR FAVOR, não quero ser identificada.

Meu desabafo é sobre as dificuldades imensas que venho enfrentando em criar meu filho de 3 anos.
O dia amanhece e o que me vem à mente é: vai ser um dia difícil!
As lembranças do dia anterior e dos antecedentes vão se avolumando no meu pensamento e imediatamente sinto: culpa, remorso, falta de energia e tristeza.
Lembro-me dos gritos e tapas que dou nele, lembro-me de que não consigo fazer com que ele colabore com coisas simples: escovar dentes, não machucar o animalzinho de estimação, tomar seus remédios ou mesmo se alimentar.
Tudo é CONTRARIADO por ele.
Se o chamo para escovar os dentes, corre pela casa; se lhe peço que não bata no bichinho, ele bate; se lhe peço que coma a comida ou tome o remédio, ele vira a cara; se não lhe permito pegar algo da geladeira (por ser um alimento que não deve ser consumido na hora em que ele quer), ele chora, bate em mim, exige aquilo sem ouvir as explicações.
Eu não consigo contornar as situações, canso de inventar histórias para que ele aceite fazer o que é necessário (nem acho certo isso). Também cansei das estratégias apelativas, ameaçando ligar pro médico, caso ele não coma; ou pra polícia, caso não se comporte (sei que é estupidez da minha parte).
Essas dificuldades com meu pequeno, somadas ao fato de morar com minha mãe e mantermos uma relação de desrespeito mútuo diariamente, regada a muita grosseria e divergências na criação do pequeno, bem como de ter uma profissão muito estressante (sou professora de escola particular e sofro muita pressão), me levam a bater nele, gritar com ele, até mesmo jogar seus brinquedos contra a parede, quebrando-os.
E não é apenas um dia de fúria, evento isolado, que ocorre vez ou outra; é constante. Inclusive, por conta disso, procurei psiquiatra, já que terapia com psicólogo, sem uso de medicamentos, não estava sendo eficaz.
Iniciei o tratamento com os medicamentos e tive uma melhora significativa, no entanto, isso durou pouco. Houve recomendações do psiquiatra para aumentar a dose, mas eu fiquei receosa, fora que teria gastos além das possibilidades. Atualmente, não sigo o tratamento à risca.
Psicólogo e psiquiatra sugerem que devo me mudar da casa da minha mãe. Mas financeiramente as coisas se apertariam.
Quero ser mãe do meu filho. Quero conseguir cuidar dele. Quero fazê-lo feliz. Quero passar dias sem gritar, bater, xingar, sentir culpa, remorso, angústia, medo, frustração, nervoso. Quero que ele não sofra com essas coisas todas.

2 comentários Adicione o seu

  1. Daniela disse:

    Oi! Me identifiquei muito com o seu relato, também tenho um filho de 03 anos e me sinto uma péssima mãe. As vezes me questiono se de fato o amo como deveria. Estou cansada! Me esforço para fazer o melhor mas não consigo, todos os dias é a mesma coisa, tenho que pedir mil vezes para ele ir ao banheiro quando acordo, depois para trocar a roupa, para escovar os dentes, é uma luta todas as manhãs e sinceramente me sinto aliviada quando o deixo na creche. Aos finais de semana procuro fazer uma comida diferente para ele, faço com boa vontade, mas de nada adianta, é uma maratona fazê-lo comer. Tento fazer programas diferentes, ir a praça, ao shopping mas ele nunca quer, é dificil sair de casa, já saio irritada e o passeio acaba sendo péssimo. Me irrito com coisas que parecem pequenas mas no contexto me fazem gritar e xinga-lo, falo coisas horríveis e depois me arrependo. Não tenho paciência, não nasci para ser mãe, não sou uma boa mãe. Isso tudo vem abalando a minha relação com meu marido, acabamos brigando por causa dele. Gostaria que as coisas fossem diferentes mas não sei o que fazer.

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  2. Ceci disse:

    São muitos problemas. Quando somos professores não queremos que nossos filhos façam as birras que nossos alunos fazem, temos medo de falhar, muito medo.
    Leia outros autores, descubra que a birra é normal, faça com seu filho como você faria com seus alunos, não bateria neles mas despertaria a confiança, inventaria um mundo imaginário pra que aquela tarefa fosse legal. Continue sua terapia, mas também mude da casa de sua mãe. Melhor viver com menos dinheiro e mais sanidade mental do que o contrário.
    Recomendo ler Montessori. Aqui no Facebook tem a página da Elisama Santos, Paizinho vírgula e disciplina positiva. Vale a pena mudar para melhor.

    Curtido por 1 pessoa

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