Alertar as mulheres

em

Anônima

Idade: 29

Desabafo Anônimo: A primeira vez que escrevi esse relato foi em 2016. Com pouco mais de 1 mês que minha filha mais nova havia nascido. Ele foi publicado em dois grupos de assistência ao parto em Fortaleza. Na época eu não imaginava a repercussão que daria. Mas para esse momento, achei necessário incluir algumas coisas que não foram “ditas” naquele dia. Minha filha mais nova nasceu de um parto normal após cesárea DESASSISTIDO em Fortaleza/CE. Recebi o resultado do exame comprovando minha segunda gravidez com muito entusiasmo, pois já havia me informado que seria possível ter um parto normal após cesárea com segurança, desde que fosse assistido por profissionais capacitados e com vasta experiência. Procurei por médicos, doulas, fiz algumas ligações, e resolvi fazer o pré natal com uma médica conhecida por atender parto normais em Fortaleza. O nome dos profissionais envolvidos nesse relato NÃO SERÃO REVELADOS, novamente, por uma questão de proteção. Antes que as pessoas perguntem o motivo, já esclareço aqui que fui intimidada, silenciada e coagida de todas as formas, inclusive nas redes sociais com mensagens que foram devidamente printadas por questão de segurança. Marquei a primeira consulta com a médica em questão, mas ela estava ausente, e por isso fui a uma primeira consulta com outra médica que atendia na clinica do meu plano de saúde, ela solicitou alguns exames e conversou comigo sobre o risco de RUTURA UTERINA em partos normais após cesáreas, que mesmo tendo um índice baixo de ocorrência, era necessário ter cautela, e, principalmente, MONITORAMENTO CONSTANTE. Eis que enfim chegou o dia da consulta com a médica “humanizada”. Falei com a atendente sobre a cobertura do plano de saúde, que a intenção era ter um parto normal e se isso seria assegurado pelo convênio e a resposta foi que sim. Só que não. Durante o primeiro contato com a médica falei sobre a minha vontade de ter o parto normal, e também questões de insegurança por achar que não tinha informações suficientes sobre o procedimento. Falei que a cesárea anterior havia ocorrido há cinco anos atrás, que não teve uma explicação razoável para o procedimento, apenas conveniência da médica anterior. Saí da consulta confiante, pois a médica, aparentemente, tinha experiência. Quando saio da sala para marcar o retorno no próximo mês a atendente me chama para falar da TAXA DE DISPONIBILIDADE para assistência ao parto. Lembro que eu ainda questionei porque ela tinha dito poucos minutos antes que o plano cobriria o pré natal e o parto, expliquei que a médica não tinha dito nada durante a consulta, que não estava entendendo a que essa taxa se referia. A atendente pacientemente me explicou que a TAXA iria ASSEGURAR a disponibilidade e a PRESENÇA da médica na hora do parto, e que no pagamento da taxa estava INCLUSO a prestação de serviço da DOULA, que a médica trabalhava SOMENTE com duas DOULAS, uma para parto hospitalar e outra para parto domiciliar, além disso a taxa deveria ser paga ANTECIPADAMENTE, no caso até a 35ª semana de gestação. Na mesma hora aquilo soou um tanto estranho, guardei essa informação e disse que iria pensar sobre tudo. A cobrança da taxa era no valor de R$3.500,00 referente a R$1.000,00 para a doula e R$2.500,00 para a médica. Fiquei um pouco desanimada, ainda mais por imaginar que nem todas as gestantes poderiam ter condições financeiras para ter um atendimento “respeitoso”. O pré natal seguiu adiante, não conseguia entender porque algumas pessoas não gostavam da médica, procurei por relatos negativos ou alguém que pudesse me explicar aquela situação e sempre o que eu recebia era um silencio absoluto sobre tudo. Não entendia porque havia essa separação nos dois grupos de assistência ao parto, e não encontrei pessoas dispostas a explicar. Fiz o contato com a “doula” durante o pré-natal. Todos os contatos NÃO FORAM SATISFATÓRIOS. Essa mulher, que na realidade é profissional de comunicação, não me forneceu NENHUMA informação relevante durante as 39 semanas e 5 dias que estive grávida. Houve um momento em que eu relatei esse feedback para ela, e o que ouvi como resposta era que seu pai estava doente, ela estava muito ocupada levando-o ao hospital (???). Resolvi pesquisar por conta própria, pois já tinha ficado claro que ela não iria ajudar no processo de troca de informações, empoderamento feminino e muito menos estava disposta a falar sobre os pilares do parto humanizado que são respeito ao protagonismo da mulher, equipe multiprofissional e medicina baseada em evidencias CIENTÍFICAS. Ela também em nenhum momento me contou sobre a certificação do seu serviço ou sobre sua possível formação como doula. Seguimos adiante, e enfim chegou o dia 23/fev. No dia anterior, dia 22/fev, eu passei muito mal, vômitos, náuseas, e diarreia o dia inteiro. Nessa época estava com surto de virose da mosca, e passou pela minha cabeça que poderia ser isso, depois eu entendi por CONTA PRÓPRIA que isso era uma preparação do meu próprio corpo para o parto. Tomei soro e agua de coco, mas nada sustentava. Lembro de ter mandado mensagens, e tentei descansar, com muita dificuldade. Passei a madrugada praticamente sem dormir. Eis que chegou a manhã do dia 23/fev. Acordei as 7:30 da manhã com um uma sensação estranha de ter ouvido e sentido um “estalo” no útero e em seguida aquele líquido quente saindo da vagina. Então percebi que aquilo era a bolsa. No mesmo instante mandei uma mensagem para a “doula” contando do ocorrido, eu estava muito feliz e muito entusiasmada, não acreditava que enfim tinha chegado o dia. Ainda não estava tendo contrações, então a recomendação era descansar. Por volta das 9h as contrações começaram a vir, ainda sem ritmo, sem dor, e sem nenhum outro sinal de trabalho de parto ativo. Falei com a “doula” e a recomendação foi contar quantas contrações vinham dentro do período de 1h. Quando passou o período e eu fui falar com ela sobre as contrações (que foram muitas) percebi que ela havia desligado o WhatsApp, e resolvi ligar. Ela atendeu a ligação com indiferença e mau humor, falou que não era trabalho de parto, e que estava muito cansada por ter atendido um parto naquela manhã. Hoje eu fico pensando porque essa informação seria importante para mim e em que ajudaria no meu trabalho de parto. Ficou acertado que eu iria ao consultório da doutora ao meio dia para ser avaliada. Fui ao consultório com meu companheiro e nesse momento fiz um exame de toque e foi constatado que não havia dilatação. Afirmei que preferia ser atendida no hospital, pois eu não me sentia confortável em permanecer sentindo contrações na casa dos meus pais, que são muito nervosos, e não havia possibilidade de voltar pra casa tendo em vista que na época eu morava no Maciço de Baturité. Nesse momento a médica não respeitou a minha decisão, disse que não me internaria aquela hora, pois eu não estava nem em trabalho de parto latente. Chegando de volta a casa dos meus pais eu não conseguia mais achar uma posição para ficar, não conseguia ficar deitada, não sabia o que fazer, as contrações iam ficando cada vez mais ritmadas e intensas, e as dores chegaram também. Pelo aplicativo eu e meu esposo percebemos que elas já estavam em um ritmo regular, sempre na mesma frequência. Por volta das 18h as dores já estavam muito fortes, meu marido me ajudou durante todo esse processo, ficou comigo no banheiro, e me ajudando durante todas as contrações. Mandei uma mensagem novamente para a “doula” que contactou a médica. Ficou marcado para fazer uma avaliação no consultório somente as 20h. Ou seja, eu deveria esperar ainda 2h para ser novamente avaliada, a “doula” não cogitou a possibilidade de ir na minha casa, a médica também não respeitou a minha vontade de ser avaliada no hospital, que era mais próximo da casa dos meus pais. Novamente a minha decisão não foi levada em consideração e a médica mandou eu ir ao seu consultório no bairro Luciano Cavalcante, sendo que eu estava próximo ao bnb clube da aldeota, que ficaria mais próximo geograficamente do hospital. Quando cheguei no consultório lembro perfeitamente da cara da médica. Ela estava perceptivelmente irritada por ter que fazer novamente uma avaliação. A “doula” que tinha ficado de ir também ao consultório as 20h nem apareceu. Quando a médica abriu a porta da casa/consultório disse que eu estava de mimimi, se fosse parto ativo eu não estaria daquele jeito. Fomos para a sala de atendimentos, ela fez um novo exame de toque, nesse momento estávamos eu e meu esposo na sala. Não sei o que ela fez, meu marido também não viu, pois estava de mãos dadas comigo, e o consultório estava na penumbra, mas eu senti uma enorme dor, e o que pareceu com uma agulhada, no fundo do útero. A contração que veio depois disso foi de uma intensidade que não sei nem mensurar. Eis que ela me diz novamente que eu estava SEM DILATAÇÃO e com o colo de útero FECHADO. Depois eu descobri que isso era mentira, NEGLIGÊNCIA E OMISSÃO de informações relevantes a mim, que era sua paciente. O fato de ter mentido sobre o meu trabalho de parto, que possivelmente já era parto ativo, fez com que eu me sentisse muito mal, pois cheguei a ter a convicção que não seria mais capaz de aguentar e ter minha filha através de um parto normal. A médica mandou que eu me acalmasse, e mandou que eu tomasse BUSCOPAN, DRAMIN e chá de CAMOMILA. Eu já estava tão exausta, que não questionei, não duvidei. Saímos do consultório as 20:30, fomos pra casa dos meus pais novamente e fiz o que foi prescrito. Nesse momento eu estava chorando, não estava mais aguentando, estava profundamente decepcionada, e inclusive briguei com meu esposo, que não me abandonou e disse pra que eu fosse forte, que ele estaria do meu lado e que eu ia conseguir. Eu já não estava mais conseguindo pensar com clareza, recebi uma ligação da “doula” e lembro de ter sentido outra contração muito forte seguida de outra com a mesma intensidade, e falei para ela que não estava mais aguentando, que queria fazer uma cesárea e que queria ir para o hospital. Segundo a “doula” o hospital estava com todos os leitos lotados e que eu poderia ser internada somente as 23h. Nesse momento eu jurei que não ia mais conseguir, as dores estavam cada vez mais fortes. As 21:30 eu começo a sentir muita vontade de fazer força, e achei que queria fazer coco. Ainda fui pro banheiro e logo percebi que não era vontade de defecar. Nesse instante falei pro meu esposo: “vamos pro hospital AGORA! Avise a doula que estamos de SAÍDA”. Ainda demorou cerca de 20 minutos para meus familiares ajeitarem tudo: documentação, carteira do plano de saúde, requisição para dar entrada no hospital, bolsa da mãe, bolsa da bebe, enfim as 22h chegamos na portaria do hospital, me colocaram numa cadeira de rodas para subir pois eu já não estava mais conseguindo andar. Eu estava acompanhada pelo meu pai e meu esposo, passamos rapidamente pelas autorizações do plano de saúde e entramos no apartamento seguidos por uma enfermeira que pediu para fazer um exame de toque. Nessa hora lembro de ter urrado, não ia aguentar realizar outro exame, e ela saiu acompanhada pelo meu pai. Tentei ir para o banheiro, mas não tive sucesso. Pedi ao meu esposo que me ajudasse a subir na cama, pois nós dois havíamos chegado a conclusão que Alice iria nascer!!! Vale ressaltar que durante todo esse período, a “doula” e médica estavam cientes de absolutamente tudo que estava acontecendo, pois mesmo me ajudando meu marido ia mandando as mensagens para elas. Um outra enfermeira me ajudou a subir na cama e me colocar de quatro apoios. Na contração seguinte eu já senti Alice no meu canal vaginal. A enfermeira saiu, ficamos sozinhos eu e meu esposo. Alice já estava coroando, e meu esposo falou para que eu colocasse a mão para sentir nossa filha nascendo. Confiei no meu corpo, nos meus instintos e em meu esposo, me concentrei naquele momento e Alice nasceu, cercada de amor, alegria, entusiasmo! Nasceu de olhos abertos, chorando, foi aparada pelo próprio pai, que em seguida a colocou no meu colo. Tudo isso aconteceram em poucos minutos, mas como não estávamos acompanhados por nenhum profissional não sabemos a hora exata do seu nascimento, porém sabemos que foi entre as 22:15 e 22:40h. Depois disso entraram os profissionais, enfermeiras e pediatra, que estavam visivelmente incrédulos com a FALTA DE ASSISTÊNCIA MÉDICA, a pediatra me tranquilizou, disse que a bebe estava ótima, e teve apgar 9 – 10, perguntou quais procedimentos seriam autorizados. Entregou a tesoura ao pai/doulo/parteiro para o corte do cordão umbilical. Depois disso a médica chegou junto com a “doula”, acredito que ambas vieram no mesmo carro. Nenhuma das duas falou absolutamente nada sobre o ocorrido, exceto a quantidade de semáforos que haviam passado no vermelho e quantas multas receberiam. Foi administrado uma injeção intramuscular, a médica fez uma massagem na minha barriga sem o meu consentimento e retirou a placenta. Houve uma laceração e ela precisou realizar uma sutura, porém em nenhum momento a médica me falou sobre o grau ou quantos pontos eu precisaria levar mesmo quando eu a questionei sobre isso. Após todo esse momento, a médica ficou de ir ao hospital me dar alta no dia seguinte e não compareceu, eu mandei mensagens perguntando que horas ela iria me dar alta e fui completamente ignorada. A “doula” também não apareceu mais, disse que me faria a visita pós parto o que nunca aconteceu. Esse relato foi publicado anteriormente, e a “doula” demonstrando tremenda falta de ética profissional (acredito que ela não leu o código de conduta profissional das doulas) relatou coisas pessoais sobre as consultas, faltas e inclusive sobre a laceração. Esses comentários foram ocultados. Não recebi nenhum centavo do dinheiro cobrado, não houve também um pedido formal de desculpas. Esse relato é uma forma de alertar as mulheres, não acreditem em tudo que lhes é dito, peçam informações e questionem as decisões.
A taxa de disponibilidade, cobrada por MUITOS médicos é considera ILEGAL pela ANS. Todas as mulheres que pagaram ou que estão sendo coagidas a pagar devem fazer a denúncia no DISK ANS. Não pode haver também a venda casada de serviços como médica e doula, ou médica e enfermeira. Perguntem também sobre violência obstétrica, negligência médica e o que fazer caso isso venha acontecer.
Nascimento de Alice Rabelo Távora, realizado por seus pais SEM ASSISTÊNCIA MÉDICA, em Fortaleza.

EDIT 1: Depois de tantas calunias, e tentativas de descredibilizar o meu relato, fui atrás do meu prontuário médico, documento carimbado pelo hospital e assinado por vários profissionais (médicas e enfermeiras) comprovando a falta de assistência.

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1 comentário Adicione o seu

  1. cupomhulenk disse:

    que triste

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