Não tive nem o direito de vestir meu bebê pela última vez.

em

Evelyn, 1 filho, artesã, estudante, 18 anos

Desabafo Anônimo: Meu príncipe Bryan Valentin nasceu dia 1 de maio de 2018. Nasceu normal, sem problemas nenhum de parto cesáreo. Dia 2,  ainda na Maternidade Sagrada Família do Bomfim, ele começou a espirrar. Falei com a pediatra e ela disse que era normal as crianças espirrarem após o parto, eu achei estranho. Ela deu alta ao meu pequeno dia 3 e fomos pra casa. Passou dia 4, 5, 6 tudo bem. Quando chegou dia 7 fui fazer o exame do pezinho e dar as vacinas depois. Por ele estar com um pouco de catarro (gripadinho) levei ele na mesma maternidade porque só podiam atender ele lá, pois ele só tinha 7 dias e nenhum lugar iria atendê-lo. Eu acho isso um erro,
pois chegando lá tiraram Raio X, fez exame de sangue, não deu nada. Demorou a tarde inteira pra me dar o resultado, saímos de lá à noite. Levei os exames de volta para a pediatra do hospital. Ela só passou Sorine para colocar no nariz e liberaram ele. Chegando em casa ele piorou. Dia 8 retornei, ele estava cansando e foi o mesmo processo de novo. Mandaram para casa dizendo que ele estava normal e que não estava cansando nada. Chegando em casa eu vi que ele estava cansando mais e se sufocando com o catarro. Tentamos tirar com a bombinha e nada adiantava. Resolvi puxar de boca mesmo, tinha muito catarro. Eu tinha medo de auto medicá-lo porque ele era muito novinho, tinha apenas 8 dias. Quando amanheceu o dia, 9 de maio, levei mais uma vez e foi o fim, pois essa foi a última vez e ele ficou em casa conosco. Chegando lá, outra pediatra me perguntou “por que você demorou de trazê-lo?”. Eu olhei pra ela e respondi “Como demorei para trazê-lo se eu estive aqui segunda e terça e vocês o liberaram?”. Ela se calou e mandou fazer exame nele, de sangue e Raio X. Não deu nada mesmo assim. Internaram e o colocaram em uma sala embaixo de um ar-condicionado nos 18º. Reclamei e a enfermeira me disse “você prefere o frio do ar ou as bactérias?”. Eu me calei pra não maltratarem meu pequeno, mas nada adiantou. Deram medicamento a todos os bebês de lá, menos a ele. A única coisa que faziam com ele era colocar uma borracha que media do nariz até o estomago e ficavam tirando e botando como se tivesse desentupindo esgoto. Saía catarro, mas de tanto fazerem isso o dia inteiro, começou a sair sangue. Eu perguntei por que estava saindo sangue e elas diziam que era normal do pulmão. Elas enfiavam a mangueira no nariz e, ao mesmo tempo, na boca. Foi muito sofrimento para ele e para nós que estávamos vendo esses procedimentos sem ao menos sabermos se o que elas estavam fazendo era certo ou errado. Nunca vi internar um bebê nessa situação e não darem nenhum medicamento. Eu só faltei me ajoelhar aos pés delas pra darem algum remédio para ele e elas disseram que ele não precisava. Dia 10 colocaram uma sonda na boca dele e mesmo com essa sonda elas não paravam de colocar a mangueira. O bebê só piorando, o deixaram sem amamentar do dia 10, às 10 horas da manhã até o dia 11, às 18 horas, que foi o horário que ele veio a óbito. Nesse mesmo dia 10, ainda quando chegou de tardinha, eles falaram que meu bebê tinha pego uma infecção e que iam colocá-lo em uma encubadora e foi pra UTI. Passamos a noite toda em claro, preocupados. Eles falavam que não podíamos tocar na encubadora pra ele não pegar infecção. Dia 11, pela manhã, a médica pediu pra eu sair da sala porque era troca de plantão. Eu sai, só que ela demorou além do normal pra me mandar entrar. Eu bati na porta e ela já foi me dizendo que teve que entubá-lo pra ele respirar melhor. Passou o dia inteiro, eu observei e não vi nenhum movimento de enfermeiro dando medicamento nenhum pra ele e nem se quer deixaram ele se alimentar. Ainda naquela frieza do dia e da noite do ar condicionado, deixaram ele sem uma peça de roupa, só deixaram a fraldinha dele e enfaixaram as duas mãos dele, mesmo ele sedado. Não sei pra que fizeram isso com ele. Quando deu 18 horas desse mesmo dia, 11 de maio, a médica me pediu pra sair por 30 minutos e depois retornar que uma medica cirurgiã faria um procedimento nele. Só que ele não estava precisando de nenhuma cirúrgia e eu, sem saber o que estava acontecendo, saí. Mas antes de completar os 30 minutos como me pediram, eu voltei e eles, como não esperavam que eu chegaria antes, quando viram que eu cheguei pararam como se tivessem se assustado com alguma coisa e a médica disse na maior frieza “ele veio a óbito”. Eu disse “como veio a óbito? O que vocês fizeram com ele?”. Quando eu olhei pra ele, estava com o rosto, pescoço e peito todo marcado, parecendo que foi asfixiado. Não tenho certeza disso, mas as marcas indicavam como se fosse. E eu repetia “o que vocês fizeram com ele?”. Ninguém falava nada, só olhavam um para o outro. Eu e mamãe pegamos ele no colo e o coraçãozinho dele ainda batia muito fraquinho, mamãe massageou de leve as costinhas dele e falava “acorda, Bryan! Acorda,  meu bebê!”. E nada adiantava. Uma das enfermeiras falou pra mamãe: “vó, se ele acordasse agora ele estaria todo machucadinho”. Eu disse “por que ele está machucado? O que vocês fizeram com ele?”. E ninguém respondia. Eu gritei “façam alguma coisa, o coraçãozinho dele está batendo!”. E a enfermeira me disse: “eu não posso medicar um morto!”. Tinha um enfermeiro alto, moreno escuro, que falou “vou desligar os aparelhos”. Eu fiquei desesperada, disse “ você não vai desligar, ele ainda está vivo!”. Ninguém fez nada, só me olhavam e, mesmo assim, ele desligou. Encostei a mão na barriguinha dele e ele ainda deu 2 suspiros e partiu. Começou a gelar, os pés e aquela frieza subindo até chegar a seu rostinho. Eu estava vestida com um capote e ainda assim, abri os botões e coloquei ele dentro do capote mesmo. Eu vestida tentei aquecê-lo com o meu corpo, mas nada adiantou. Vi que ele estava ficando roxo, as enfermeiras o tomaram da minha mão, colocaram-no no bercinho e eu peguei as roupinhas dele e comecei a vesti-lo. Elas não deixaram nem eu terminar de vesti-lo, tomaram a roupinha da minha mão e eu não tive nem o direito de vestir meu bebê pela última vez. Elas terminaram de vesti-lo e começaram a embalá-lo praticamente na minha frente. Minha mãe me retirou da sala pra não ver, pois eu estava chorando muito. A enfermeira desceu pra levá-lo ao necrotério do hospital e a passagem da onde eu estava dava pra ver a porta do lugar que ela ia colocá-lo. E eu, de lá de cima, quando olhei pra baixo, estava ela segurando o bercinho e olhando pra cima esperando eu ver e quando eu vi ele embalado, parecendo um embrulho, entrei em pânico, pois foi muita dor. Eu não sei por que Deus fez isso comigo se eu estava me esforçando tanto pra fazer a vontade dele. Fiquei com depressão, sofri muito desde janeiro, fiquei internada várias vezes. Pra segurá-lo tinha tanto cuidado, até comia o que eu não gostava pra ele nascer forte e saudável. Graças a Deus ele nasceu forte e saudável, mas por negligencia médica e perversidades que fizeram com ele aconteceu isso. Ele só estava gripadinho, não tinha necessidade de acontecer isso com meu pequeno. Na frente das mães, eles pegam os bebês para darem banho com cuidado, mas quando as mães não estão por perto, eles dão banho nos bebês parecendo que estão cuidando de um animal. Eu falo porque vi muita coisa lá, mas ninguém pode abrir a boca para falar. Vamos divulgar, pois assim como aconteceu comigo, pode acontecer com outras mães e outros bebês. Ele só teve o prazer de viver por 11 dias. Eles foram tão errados que colocaram como se tivesse falecido dia 12 e dia 16. Estou sem entender até hoje.

2 comentários Adicione o seu

  1. Adriana disse:

    Processe o hospital! Os médicos e enfermeiros negligenciaram nos cuidados! Fizeram procedimento errado e mataram seu bebê .procure advogado urgente!

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  2. disse:

    Meu Deus! Sinto muito por tudo que vocês passaram e pela tua perda. Divulga tua história, processa o hospital e os médicos, e não deixa tua história morrer. Um abraço bem forte em ti, eu sinto muito mesmo.

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