Fico me questionando o que eles entendem por guarda compartilhada

Camila, 1 filho, estagiária de Direito

Idade: 28

Desabafo Anônimo: Meu filho veio por um acidente. Confesso. Foi o melhor acidente que poderia ter me acontecido. Desde que ele chegou, mudei toda minha vida. Troquei os carnês de loja de roupas por boleto de convênio médico, a reserva da balada por boleto de escola… Acho que muitas de vocês entenderão. A gente sempre espera que o pai também mude suas atitudes. No meu caso, sou mãe solteira e, desde o início, percebi que eu seria a responsável pela vida e desenvolvimento do meu filho. E assim foi. Um pai que tem filho como troféu. Pra mostrar para amigos, namorada e sua família e se vangloriar do quão é maravilhoso e participativo. Desde o início minha vida foi um inferno. Nunca pude contar com ele. Quantas vezes meu filho ficou doente e me deparei com todos os telefones desligados (ainda que ele soubesse da situação do filho). Em 2013 enfrentamos uma batalha judicial. Tudo o que ele pediu foi dado porque ele dizia querer participar da vida do filho. Depois disso, segui vivendo uma guarda compartilhada extrajudicial, possibilitando a ele visitas fora do período estipulado e pernoites desregradas. Dei acesso ao portal da escola e sempre agia como “secretária” lembrando dos eventos acadêmicos. Sempre que meu filho esteve doente, avisava para possibilitar que ele fosse ao hospital me acompanhar no tratamento. No entanto, de 5 anos e meio, ele participou de 3 reuniões da escola e esteve presente apenas duas vezes quando se tratou de problema de saúde (uma das vezes, sentou longe fazendo meu filho se dividir entre mãe e pai apenas porque queria distância de mim). No ano passado, mesmo após ter flexibilizado, entrou na justiça pedindo guarda compartilhada sem me alertar do fato para que fizéssemos um acordo a ser homologado pelo Juiz. Novamente, pé de guerra. Fico me questionando o que eles entendem por guarda compartilhada. Meu filho não tem se interessado em dormir com o pai mesmo que em casa seja incentivado a fazê-lo. E tudo o que o pai sabe dizer é sobre os direitos que ele tem, ignorando o fato de o filho também ter direitos. E o que mais me surpreende é que ele fala de direitos como se uma criança fosse uma boneca. É mais confortável para ele pensar que o filho tem que ser tão submisso aos direitos dos pais que não pode ter sentimentos, vontades… Mas é os deveres? Meu filho internou. Liguei para ele às 5h e ele só apareceu às 08h30. Ficou por lá 30 minutos porque tinha que trabalhar (enquanto eu deixava o meu trabalho de lado) e só apareceu novamente na noite seguinte querendo dormir com meu filho contra a vontade dele, que não me deixou sequer sair do hospital pra tomar um banho enquanto minha mãe estava lá. Sem contar que, o final de semana era dele. Meu filho saiu do pronto-socorro com relação de medicação para tomar, e ele resolveu que era melhor eu levá-lo para minha casa e, depois ele compensava esse tempo em que ele ficou doente. Como dividir a guarda com alguém que só sabe impor suas vontades sem respeitar o próprio filho? Como falar de GC quando o outro não quer obrigações, mas apenas benefícios? Como ter uma GC com alguém que não possibilita uma conversa civilizada e não consegue realizar qualquer tomada de decisão sobre assuntos aos quais eu arco financeiramente sem ajuda dele?
Estou tão cansada. E ainda tenho medo. Medo de ter que encarar alguém assim, que fique me fazendo engolir seus desaforos e suas ordens por ter uma Guarda Compartilhada.
Enfim… Precisava desabafar.

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