Não tenho lembranças boas de infância, são poucas e sempre acabavam na cama de algum cara.

em

Carlos, vendedor, 34 anos

Desabafo Anônimo: Como me resumir em poucas palavras? Como expressar meus pensamentos em poucos momentos? Então, vamos lá.
Sou uma pessoa que passei por momentos difíceis, momentos que tiraram uma parte de minha vida, me fizeram perder parte dela. Não sei como expressar o sentimento que sinto pelas pessoas que foram os protagonistas desse momento. Nunca falei sobre isso, fui violentado quando criança, confie nas pessoas que me abusaram e me fizeram ser uma pessoa, hoje, com cicatrizes, que, às vezes dói. Eu passei muito tempo de minha vida sem entender o que foi que aconteceu comigo, achava que era algo normal e que eles tinham o direito de fazer isso. Sim, foram homens que fizeram isso. Aconteceu quando eu tinha 4 anos de idade e durou até por volta dos meu 10 anos. Na época, eu não via isso como algo estranho, na minha visão era uma forma de carinho e afeto. Me lembro das vezes que me deitaram no chão, abaixaram a minha bermuda e passaram o pênis na minha bunda. Me faziam chupar e me beijavam. Não tenho lembranças boas de momentos de minha infância, são poucas e a maioria sempre acabavam na cama de algum cara. Minha família nunca soube, nunca tive coragem de contar, tinha medo que eles me culpassem. Hoje, tenho 34 anos e não vejo necessidade de contar a eles isso. Após terminarem os anos de abuso, minha família se mudou e fiquei longe dos abusadores. Fiquei com necessidade desses momentos e procurei em banheiros públicos, ruas, feiras e coisas assim. Podia ser um cara de 20 ou 60, não importava. O que era importante era vivenciar aquele momento que antes eu tinha, momento que para mim era normal, era certo. Passei dos 10 aos 18 anos sem controle das minhas necessidade, era como se eu fosse um animal, que só estava interessado em ter aquele momento. Nesse processo, os meus estudos eram atrapalhados, para completar as pessoas achavam que eu era gay e por isso sofria bullying. Minha vida social era afetada por isso, as pessoas simplesmente não queriam falar comigo, andar comigo. Então, não puder viver uma vida livre. Na minha família sofri muito preconceito, gostava muito de cozinhar, fazia ótimos pratos, mas me mandaram parar. Eu era colocado de castigo, apanhava e coisa tal. Cheguei a transar com meus primos, mas eles eram as pessoas que mais tinham preconceito ao decorrer da nossa adolescência. Perdi oportunidade de participar de jogos, de eventos e me transformei em uma pessoa insegura. Tive com mais de 1.000 homens, na forma passiva e na forma ativa. Hoje, sou uma pessoa melhor. Transo com homens, não de maneira vulgar como era, mas não sinto prazer. Estou ainda na fase de saber o que realmente quero, sei que essa fase era para acontecer há muito tempo, mas só me preocupei em sobreviver ao inferno que vivia. Passei tudo isso tendo fé, não sou de nenhuma religião evangélica, mas foi acreditando que tinha um deus que nunca tentei tirar minha vida. Já pensei, mas não fiz. Isso mesmo, já pensei em me matar para acabar com aquele momento de solidão, de humilhação e tudo mais. Mas sobrevivi.
A homossexualidade não é uma doença, não tenho prazer com homens, mesmo fazendo sexo com eles. Mas quando você tem prazer com outro cara, você tem que,  primeiramente, descobrir o que realmente te dá prazer, que ninguém pode impor a você. Hoje, trabalho, estudo e tenho uma vida e estou aos poucos colhendo os pedacinhos e me refazendo. Ainda sofro preconceito, mas hoje sei que isso não vai me matar, que com essas pessoas, que têm essa atitude, não sou obrigado a conviver. Me sinto livre.
Decidi escrever porque gostaria de falar sobre isso com alguém e quero que quem leia isso saiba que na vida tudo passa, que esse momento que relatei sei que muitas pessoas passaram ou passam e que elas saibam que precisam falar ‘não’ e se os abusadores não aceitarem, denuncie. Façam diferente do que eu fiz, não deixem sua vida se perder, lute por você. Hoje, eu luto por mim.

 

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2 comentários Adicione o seu

  1. Maira Mezzomo disse:

    Querido…
    Vc é muito forte, muito forte. Vc deve ser um ser incrível.
    Procure ajuda profissional. Tens tudo p ter uma vida muito boa.
    Sinta-se abraçado…

    Curtir

  2. Mayra mezzomo disse:

    Querido…
    Vc é muito forte, muito forte. Vc deve ser um ser incrível.
    Procure ajuda profissional. Tens tudo p ter uma vida muito boa.
    Sinta-se abraçado…

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