Ser mãe é guerra e solidão

em

Anônima, 1 filha, 32 anos

Desabafo Anônimo: Olá! Este será o meu primeiro dia das mães com minha filha em meus braços e que turbilhão de sentimentos e pensamentos, reflexões, constatações e tudo mais! Abdiquei do meu trabalho, que inclusive era com gestantes e puérperas, para me dedicar integralmente à minha filha. Desde o princípio tive mais receio de não conseguir amamentá-la do que do parto em si. E aí já começou o primeiro grande enfrentamento. Minha bebê nasceu de 40 semanas, 49,5 cm e com 3.625kg, porém alegaram na maternidade que ela teve uma perda de peso de 12%. Quase que como se fosse questão de vida ou morte, a pediatra já me veio com a imposição (do modo como ela me falou eu pareceria negligente se não aceitasse complementar mesmo amamentando a cada duas horas no segundo dia de vida da minha filha) de fórmula. Eu – que estava feliz – porque tinha colostro, porque ela sugou direitinho desde a primeira hora e inclusive ficava cansada porque ela queria dormir no peito. Na primeira semana em casa, cólicas e choro à noite, o peito dolorido e entre lágrimas amamentava mesmo assim e meu marido dizendo “ela deve estar com fome, é melhor comprar o leite”. Ele parecia estar cego para não ver o quanto eu amamentava e todo o meu esforço. Minha filha já havia recuperado o peso, estava ótima. E assim eu ouvia sempre que ela chorava demais e não sabíamos o que fazer, elogios eu não recebia. E assim o tempo passou, e continuei ouvindo que ela tinha fome, meus peitos jorravam leite, nas consultas ela sempre ganhando peso muito bem e se desenvolvendo à frente de seu tempo. Hoje, ela tem seis meses. Foi uma luta conseguir amamentá-la sem introduzir fórmula e comida antes do tempo.
Basta ser mãe para começar uma guerra, guerra para amamentar do seu jeito. Sim, porque te (des)orientam a colocar horários para o bebê mamar, se não ficará mal acostumado; guerra para amamentar exclusivo até seis meses; guerra para não oferecer industrializados quando começa a introdução alimentar e até por optar em dar o alimento em pedaços para o bebê comer com as próprias mãos.
Ser mãe pra mim tem sido guerra e solidão (óbvio que tem todo o lado bom que é o amor envolvido, o sorriso da minha filha e poder estar o tempo todo com ela ). Solidão, sim, porque todos se afastam. Nos primeiros dias, ficam feito urubus na carniça quando você mais precisa descansar, privacidade para amamentar, conhecer o seu bebê. Nessas horas querem invadir a sua casa a qualquer momento, ver o quarto da bebê, oferecem ajuda muitas vezes da boca pra fora. Meu marido pegou férias e combinamos que ele limparia o apartamento e cozinharia e poderíamos aceitar comida feita pelas avós. Hoje em dia, que fico sozinha com ela, ela dorme pouco, peço para a minha própria mãe vir em casa apenas ficar com ela para eu poder limpar a minha casa e ela não vem. Vai para tudo o que é lugar, mas para vir aqui só se eu for buscar e ainda assim com pressa de ir embora. Se não levo a menina para ela e o avô ver, eles também não vêm e ainda cobram. As irmãs, só posam para foto.
Outras pessoas que diziam tão amigas e queriam saber tudo na gravidez, nunca nem vieram visitar .
Outras só conversam comigo cinco minutos perguntando superficialmente sobre a bebê e nem me contam mais sobre seus trabalhos e relacionamentos. Antes eu servia de confidente, agora que sou mãe não entendo mais disso (deve ser o que pensam).
Outros só me procuram para desabafar quando tem problemas. Ninguém pergunta como estou, o que sinto. Nem eu falando para o meu marido que estou exausta, que preciso me cuidar, de um tempinho para mim nem assim ele parece me enxergar. Ainda faz com que eu me sinta menos por não estar trabalhando fora no momento e não ter dinheiro próprio. Às vezes, ele chega do trabalho e tem louça na pia ou não limpei o chão ou não fiz um café. Ele cozinha, lava o banheiro, colabora, mas o cansaço dele é sempre mais legítimo, o esforço dele é muito maior. Então, acha que é melhor eu procurar um emprego, colocar a menina na creche porque no final do dia ele não tem disposição para ficar meia hora com a menina. Não pode levantar de madrugada, e se eu falo que estou cansada, estou reclamando. É assim, não tá dando conta, coloca na creche. Ele quem participou e lá atrás apoiou a decisão de eu ficar cuidando dela. Já me sinto mal o suficiente por não estar trabalhando, embora eu escolhi cuidar integralmente até um ano.
Ser mãe é guerra e solidão.

 

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1 comentário Adicione o seu

  1. Saran Monteiro disse:

    Ola. Você escreveu exatamente o que sinto. Guerra e solidão. Acho que muitas mães se sentem como nós. Não desanime vai valer a pena. Mas é muito difícil aceitar essas situações, tbm passo por isso. Tbm deixei de trabalhar, meu marido não ajuda e quando ajuda tem que ser considerado como herói porque trabalhou o dia todo… essas coisas. Mas a maternidade é um “trabalho” sem remuneração, solitário, cansativo, sem ferias, finais de semana ou feriados. Mas as crianças vão crescer e eu acredito que vai nos restar saudade desse tempo. Força nessa guerra, você não esta sozinha. Coragem!

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