Puerpério não é uma doença!

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Por Rafaela Schiavo

Primeiro o que é o puerpério?
É o período logo após a saída da placenta e tem a duração de aproximadamente seis meses, quando o organismo da mulher irá voltar ao estado anterior à gravidez. Durante a gestação a mulher passa por transformações em seu corpo para gestar o bebê, isso inclui o aumento de alguns hormônios no organismo que podem influenciar também no humor da gestante, os hormônios presentes em níveis mais elevados são a Progesterona, Estrogênio e a Prolactina. Após o nascimento da criança, o organismo da mulher precisa voltar ao estado anterior à gravidez, e isso inclui os hormônios, o que não ocorre somente para algumas mulheres, mas para todas que tiveram um bebê.
Os transtornos do puerpério nem sempre podem ser justificados apenas pelos hormônios, ainda não existem pesquisas conclusivas a respeito disso. Em geral é uma soma de fatores ambientais e orgânicos que podem provocar as alterações psíquicas no puerpério. Ou seja, não se pode atribuir o adoecimento mental à uma única causa, por exemplo, se uma mulher apresenta depressão pós-parto não podemos afirmar que é por causa dos hormônios apenas, mas é necessário investigar o que está ocorrendo em sua vida naquele momento, por exemplo, ela pode estar vivenciando um momento de separação, ou outro tipo de luto que pode também influenciar na alteração emocional no puerpério.
Uma mulher que sofre violência domestica, por exemplo, ao engravidar do parceiro agressor, ela pode apresentar alterações psíquicas já mesmo durante a gravidez, principalmente se essa mulher já estava tentando se separar, a violência domestica é um fator de risco para depressão gestacional e puerperal.
Essa mulher que ao tentar no puerpério se separar do seu marido agressor, não deve ser impedida de exercer esse direito e muito menos deve perder a guarda do bebê, por estar no puerpério. Mãe e bebê só devem ser separados nos primeiros meses/anos somente em caso de comprovação de que a mãe oferece perigo eminente ao bebê, ou seja, a mulher deve passar por uma avaliação psiquiátrica e o laudo médico indicar que a gravidade do transtorno pode colocar em risco a vida da criança. Em geral puérperas com depressão não rejeitam seu bebê e muito menos oferecem perigo para eles, somente em alguns poucos casos de depressão severa é que a mulher chega ao ponto de cometer o infanticídio ou o próprio suicídio. Estar no puerpério não é uma doença! É uma condição normal para todas as mulheres que tiveram bebê a menos de seis meses. Portanto, ninguém pode tirar o bebê de uma mãe, por ela estar no puerpério, sob a justificativa que ela está com alterações hormonais.
A psicose puerperal é o transtorno mais grave, pois a mulher cinde com a realidade, ela não sabe que é fantasia e o que é real. Nesse transtorno em geral a mulher pode ouvir vozes que outros não escutam, vê pessoas e coisas que outros não vêem. Nesses casos enquanto a mulher estiver no período de surto é preciso sim, ter alguém para cuidar do bebê, pois a mulher em surto pode nem saber que o bebê existe. Entretanto, nenhuma mulher diagnosticada com algum transtorno mental no puerpério deve perder a guarda de seu filho. Essas mulheres precisam ser acolhidas pela família, sociedade e profissionais da saúde e saúde mental, precisam de tratamento por vezes medicamentoso e psicoterápico.
Não raro, pós-passado os três primeiros meses do pós-parto ou até mesmo seis meses, essas mulheres voltam ao seu estado de não crise, principalmente devido ao tratamento e a estabilização dos hormônios ao estado anterior a gestação. Ou seja, pode voltar para suas atividades do cotidiano que inclui o cuidar do bebê.
O que quero dizer com esse texto é que é errado acreditar que uma mulher que sofre violência domestica ao querer se separar do agressor no puerpério deva ser taxada de doente por causa das alterações hormonais do puerpério. Ou que ela deve perder a guarda da criança por apresentar algum transtorno mental no puerpério.
Tal fato vem ocorrendo em nosso país e deve ser denunciado. Há profissionais mal formados pelo Brasil que acabam dando laudos indevidos e prejudicando a posição da justiça diante à alguns casos como o de retirar o bebê da mãe por ela estar com alterações hormonais no puerpério ou em tratamento psiquiátrico devido ao puerpério.
Mãe e bebê só não devem ficar juntos caso for comprovado o risco eminente de infanticídio pela gravidade do transtorno psiquiátrico da mãe, quão logo ela for tratada e não oferecer mais riscos, mãe e bebê devem ficar unidos novamente.

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