Deixei de ser mulher pra ser só mãe

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Não desejo me identificar, isso me traria problemas; 1 filha; estudante, 21 anos.

Desabafo Anônimo: Ainda não entendo onde foi que eu errei pra engravidar, que método que não deu certo. Eu namorava, era feliz, morava em outra cidade, estudava numa universidade bacana. E perdi tudo isso quando descobri que minha filha viria ao mundo através de mim. Lembro da expressão no rosto do meu ex, e do meu desespero quando vimos “positivo” no exame. Tive a impressão de que o chão tinha se aberto debaixo dos meus pés e, de alguma forma, parte de mim morreu quando eu descobri que seria mãe. Eu nunca mais fui eu. Larguei a faculdade lá, voltei pra casa, não queria mais viver. Meus pais me deram abrigo, me convenceram a voltar a estudar aqui, me deram tudo que puderam e amaram essa criança desde o momento que souberam da novidade, mas pra mim era o fim do mundo. Fizemos festinhas, recebemos visitas, todos gostavam dessa nova criança, mas tudo que eu queria era não ter mais criança nenhuma e eu poder voltar a ser quem eu era, ter a vida que eu perdi. Não fiz nada contra a vida dela, mas a rejeitei desde o momento de sua concepção. Hoje ela já tem nove meses. Ela é a gravidade na Terra pra minha família e por mais que eu sinta vontade de dar tudo de melhor, não deixar faltar leite, comida, nem nada, ainda peco na falta de afeto, porque não sinto aquele amor que outras mães descrevem sentir. Eu tento ignorar o choro dela, porque me irrita horrores. Quero chorar, quero sumir. Me falta paciência. No início começou com falta de tempo pra me cuidar, tomar mais banhos ou pentear os cabelos. Hoje quando tenho tempo a única vontade que eu tenho é de permanecer deitada, em silêncio. Não posso fazer minhas coisas da faculdade em paz porque tenho que ficar cuidando da criança; não tenho tempo pra socializar, mal me alimento e vivo sob tanto estresse que nem apetite tenho; emagreci demais; o sono varia de “o tempo inteiro” de dia, pra “não consigo dormir” à noite. Sinto falta de ser eu mesma. Deixei de ser amada por mim mesma, primeira e principalmente. Deixei de ser mulher pra ser só mãe. Amo minha filha, a criança que ela é, mas odeio por todo o ar que eu respiro a maternidade.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Sarah Monteiro disse:

    Tbm me sinto assim. Vc nao é a unica… Parece que vc descreveu o q eu sinto.

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