Eu não podia arriscar

em

Anônima, 1 filha, estilista, 29 anos.

Desabafo Anônimo: Desde antes de engravidar, eu já sabia que queria ter parto normal. Na primeira consulta de pré-natal, eu já falei com meu obstetra, e durante os 9 meses, segui firme. Li muito, pesquisei, ouvi relatos. Tinha certeza que minha filha nasceria de formal natural… meu marido me apoiou, meu médico me apoiou… todo mundo me dizia “corajosa”, como se fosse uma coisa de outro mundo.
Quando entrei em trabalho de parto, as dores das contrações beiravam o insuportável. Durante 16 horas minha dilatação evoluiu muito lenta. As enfermeiras começaram a me dizer que as dores iriam piorar, que tudo o que eu estava sentindo, não era nada perto do que viria a se tornar. Eu estava morrendo de medo, e mesmo assim eu estava decidida. Eu aguentava, independente da dor, minha filha tinha que vir na hora dela, na nossa hora. Meu marido esteve ao meu lado o tempo todo, a cada contração o coração dele despedaçava. Eu não gritei, não chorei, eu tinha que ser forte. Até que um enfermeira entrou na sala de pré parto e me examinou (de novo), minha dilatação evoluiu o dobro do que tinha evoluído em menos de 1h. Chegou a hora, fomos preparados para a sala de parto. Eu fiquei tão aliviada, eu tinha conseguido! Falta pouco! Agora já estava perto das 24h de trabalho de parto, e eu estava posicionada, aguardando a equipe. Quando colocamos o cardiotoco para acompanharmos o coração da minha bebê. Estava em desaceleração. Repetimos o exame e o diagnóstico era o mesmo. Me explicaram que seria perigoso continuar com o parto vaginal nessas circunstâncias, provavelmente a bebê estava cansada e não conseguiria me ajudar no parto. Quando ouvi sobre os riscos para a bebê, meu coração despedaçou. A decisão era minha, e eu não podia arriscar, 9 meses de preparo, de pesquisa, e ali num momento cheio de medo, de dor e incertezas eu teria que escolher. Por fim, aceitei a cesárea. Não chorei, e queria chorar. Me transferiram para o centro cirúrgico, me anestesiaram… eu tremia tanto… de nervoso, me sentindo impotente. A partir daí foi rápido… logo o obstetra conseguiu tirar minha menina. Ela estava presa no cordão umbilical, talvez este tenha sido o motivo da desaceleração do coraçãozinho. Deu tudo certo. Mas ainda me pergunto se poderíamos ter tido o parto natural…

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2 comentários Adicione o seu

  1. M disse:

    amiga nao se culpe e nem se pergunte se poderia ter feito o parto natural,pois a 1 ano e sete meses tentaram me forçar um parto normal que nao evoluiu e pior perceberam tarde que nao evoluiria, meu bebe nasceu apagado,precisou ser reanimado e transferido para uma utin onde passou seus 30 primeiros dias destes 17 entubado. É uma dor horrivel saber que mesmo antes de nascer ele foi vitima de um erro medico e eu daria tudo para voltar aquele dia e poder brigar mais por ele,ter feito um escandalo se necessario para que ele tivesse tido a atençao que foi dada a sua princesa. Fique com deus

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  2. Sarah disse:

    Como ela estava presa no cordão? Não entendi.
    Também estou me preparando para parto normal, lendo e estudando sobre o assunto. Pelo que sei, o sofrimento fetal é quando os BCF estão abaixo da média, e não se recuperam após as contrações. Acho que, se foi esse o caso, foi uma cesária bem indicada.

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