Ninguém lembra dele, parece que ele nunca existiu

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Anônima, 1 no céu, Desempregada, 30 anos

Desabafo Anônimo: Em setembro de 2014 descobri minha gravidez. Foi um susto no começo. Não estava planejando, mas foi o melhor presente que ganhei. Com 19 semanas descobri que era o Arthur. Com 20 semanas, comecei a inchar muito e ter muita dor de cabeça. Os médicos sempre falando que era por causa do calor. Por ser minha primeira gestação sempre acreditei, afinal ele era o médico. Com 25 semana, dia 20/02/15, acordei com muita cólica e sangrando. Fui pra maternidade. Chegando lá, meu colo do útero estava fechado mas não ouviram o batimento com aquele aparelho. Preferi acreditar que a bateria estava fraca. Fui fazer a ultra o médico não falou nada. Esperei pra pegar o laudo. Quando li que não tinha mais batimentos meu mundo caiu. Parece que o chão abriu e me sugou. Meu marido me levantou do chão e foi me acalmando. Voltamos na médica. Ela mandou meu marido ir para casa pegar roupas para mim e aí começou a induzir meu parto. Durou 12 horas de muito sofrido porque, ao mesmo tempo que eu queria que ele nascesse, eu não queria que ele nascesse porque você saber que seu filho vai nascer morto… Meu emocional estava em cacos. Ele nasceu dia 21/02/15, o bebê mais lindo pra mim. Nasceu a cara do pai dele, abracei, beijei, cheirei, me despedi do meu grande amor. Até hoje não sei por que fizeram curetagem em mim. Uma semana depois, fui tomar banho e desmaiei no chuveiro. Foi aquele desespero, acordei sem entender nada. Vou resumir agora pra não ficar muito longo:
Foram 90 dias no hospital, muitos raio x, outra curetagem, muitas tomografias, endoscopias, tomografias com contraste, ressonâncias magnéticas, meus rins pararam três vezes. Fiquei dois meses sem consegui me alimentar, fiquei na base do soro e potássio líquido, tudo que comia vomitava. Operei o útero, mas não precisou tirar. Mas a cirurgia que salvou minha vida foi a laparotomia exploradora do intestino. Meu intestino grudou na parede do intestino dobrou e perfurou. Tenho uma linda cicatriz na barriga. Tenho dois aniversários. Mas o Arthur foi o melhor presente que ganhei. Mesmo em sua breve jornada me mudou tanto, me ensinou muito sobre amor. Ele é meu príncipe de asas. O que mais doí é que ninguém lembra dele, parece que ele nunca existiu. As pessoas falam pra esquecer, que “era só um bebê”. Queria que ele fosse contado como uma criança da família.

 

1 comentário Adicione o seu

  1. salosouza disse:

    Não foi possível curtir esses seus sentimentos! É como o outro que há em mim que, também eu, consigo amar o Arthur. Minha irmão já passou por uma experiência semelhante e até hoje a gente conversa e se emociona com o Pablo, meu mais querido sobrinho, cuja vida foi igualmente efêmera. Quem sabe os dois estejam brincando juntos numa outra dimensão! Um lugar para onde vão as crianças com asas.

    Curtir

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