O que é Parto Humanizado?

em

Hoje no Brasil estamos cada vez mais ouvindo o termo Parto Humanizado. Mas por que isso ocorre? Será que os partos que ocorrem não Brasil são desumanizados? Para responder a esta pergunta, algumas informações são muito importantes:
Você sabia que o Brasil é campeão mundial de cesarianas?
Você sabia que muitos dos procedimentos utilizados em partos normais não são baseados em evidências científicas?

Chamamos de humanização do parto o ato de parir como sempre ocorreu na história da humanidade, ou seja, um processo fisiológico, instintivo e natural. Nas ultimas décadas, infelizmente, este processo deixou de ser natural e passou a ser um processo mecânico, enquadrado nos moldes de funcionamento de um hospital.
Durante centenas e centenas de anos as parturientes eram as protagonistas nas cenas de parir, era um evento feminino, onde participavam apenas mulheres. O hospital era lugar apenas para pessoas doentes, portanto, o parto não ocorria neste local. Em geral, as pessoas nasciam em suas próprias casas.

Quando o homem, na figura do médico obstetra, passa a ocupar a cena do parto, muito do que era um processo fisiológico, instintivo e natural passa a sofrer modificações e torna a cena de parir bem distante do processo humano de parturição, deixando de ser um evento humanizado e passando a ser um evento mecanizado. Por isso, o movimento de Humanização do Parto não surge para que as mulheres tenham um novo tipo de parto, mas para que possamos voltar a parir como sempre parimos.

Conheça as ações rotineiras de uma cena do parto hospitalar que não são baseadas em evidências científicas e que tornam a experiência de parir negativa e por vezes traumática:
• Restringir o local do parto;
• Restringir a liberdade de movimentos e posição no parto;
• Raspar os pelos pubianos (chamada tricotomia);
• Fazer lavagem intestinal;
• Obrigar o jejum à parturientes com gestação normal;
• Injetar ocitocina;
• Desencorajar ou não permitir acompanhante;
• Desencorajar ou não permitir Doulagem;
• Ser obrigada a ficar na posição horizontal para parir;
• Oferecer ou insistir na analgesia de parto sem que a mulher a tenha solicitado;
• Exames de toque repetido e de rotina;
• Romper a bolsa manualmente;
• Realizar a Manobra de Kristeller (empurrar o fundo do útero);
• Cardiotocografia em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica;
• Episiotomia (corte no períneo);
• Sutura rotineira das lacerações.

Nesta lista citamos somente alguns procedimentos. Existem muitos outros e que não são baseados em evidências científicas. Você pode saber mais em:

https://doulasrio.wordpress.com/2012/05/24/as-50-intervencoes-desnecessarias/

Tais procedimentos podem fazer com que a experiência do parto normal não seja positiva, levando as mulheres a acreditarem que o parto normal causa muito sofrimento e desta forma, acabam acreditando que para não sofrer, o melhor é realizar um procedimento cirúrgico chamado cesariana e que muitos confundem com parto.

(É importante dizer que quando a parturiente é obrigada a passar por algum destes eventos não baseados em evidencias científicas, ela sofre o que chamamos de violência obstétrica.)

A cesariana é um procedimento que pode salvar vidas e é muito bom que ela exista. Entretanto, ela é um procedimento cirúrgico e, como toda cirurgia, deve ter uma indicação clara e baseada em evidências científicas para ser realizada. A Organização Mundial da Saúde informa que não mais do que 15% de uma população apresenta características  que justifiquem a realização deste processo cirúrgico. Ainda assim, existem hospitais no país onde mais de 90% dos nascimentos são por meio de cesarianas. Em 2011, uma pesquisa realizada no Brasil revelou que 53,7% das mulheres brasileiras tiveram seus bebês por meio de cesarianas, ou seja, porcentagem muito superior à recomendada pela OMS. As implicações para a saúde materno-infantil são diversas, chegando ao ponto de nos últimos 20 anos, ter aumentado o número de nascimentos prematuros e morte materna.

Abaixo elencamos algumas falsas indicações de cesariana, o que também se caracteriza como violência obstétrica, principalmente quando a mulher deseja ter um parto natural e é desencorajada, sendo levada pela equipe médica a acreditar que o procedimento cirúrgico é necessário:
• Bacia muito estreita;
• Pouca idade;
• Idade avançada;
• Baixa estatura materna;
• Baixo ganho de peso materno;
• Alto ganho de peso materno;
• Barriga sarada;
• Cordão umbilical enrolado no pescoço;
• Bebê grande de mais;
• Bebê pequeno de mais;
• Bebê engolindo liquido amniótico;
• Bebê que não encaixou antes do trabalho de parto;
• Gestação gemelar;
• Parto prolongado;
• Pressão alta;
• Pressão baixa.
Há várias outras que você pode conferir em: http://estudamelania.blogspot.com.br/2012/08/indicacoes-reais-e-ficticias-de.html

Portanto, é preciso sim, conhecer mais a respeito dos benefícios do parto humanizado e cada vez mais homens e mulheres se instruírem a respeito do que é considerado violência obstétrica.

Referencias
CASCAES, A.M et al. Prematuridade e fatores associados no estado de Santa Catarina, Brasil, no ano de 2005: análise dos dados do sistema de informação sobre nascidos vivos. Caderno de Saúde Pública (Rio de Janeiro), v.24, n.5, p.1024-1032, maio, 2008.
DIAS, M.A.B; LEAL, M.C. Incidência de near miss materno no parto e pós-parto hospitalar: dados da pesquisa Nascer no Brasil. Caderno de Saúde Pública (Rio de Janeiro), v.30, suppl:S101-S116, 2014.
DOMINGUES, R.M.S.M et al. Processo de decisão pelo tipo de parto no Brasil: da preferência inicial das mulheres à via de parto final. Caderno de Saúde Pública (Rio de Janeiro), v.30, suppl:S101-S116, 2014. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/0102-311X00105113
FUNDAÇÃO Oswaldo Cruz. 2014. Nascer no Brasil: Sumário executivo temático da
Pesquisa. Disponível em: http://www.ensp.fiocruz.br/portalensp/informe/site/arquivos/anexos/nascerweb.pd
IORRA, M.R.K et al. Aspectos relacionados à preferencia pela via de parto em um hospital universitário. Revista da AMRIGS, (Porto Alegre), v.55, n.3, p.260-268, 2011.
RAMOS, J.G.L. et al. Morte materna em hospital terciário do Rio Grande do Sul-Brasil: um estudo de 20 anos. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, v.25, n.6, p.431-436, 2003.
SILVA, M.M.R.G. Parir é natural. RECIIS – Rev Eletron Comun Inf Inov Saúde, v. 10, n.2, 2016.

1 comentário Adicione o seu

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s