Me senti atada ao que tivesse que vir

em

1 filho de 3 anos e 7 meses, micro empreendedora individual.

Idade: 29

Desabafo Anônimo: Hoje criei coragem pra fazer algo que sentia estranha necessidade há muito tempo.
Resumirei, mas quero que saibam sobre o parto do Vinicius.
Minha bolsa estourou ainda no 8º mês. Às 07:30 de 13/04/2014.
Havia combinado com meu GO o procedimento por cesárea, então, me encaminhei à maternidade me sentindo mulher, serena, segura… realizada por estar prestes a receber junto de meu esposo nosso amado filho. Estava muito tranquila.
Liguei para o GO e ele se prontificou a ligar para o outro GO (auxiliar) de sua confiança que atua na mesma clínica.
Era um dia lindo… tudo perfeito… Como sonhava…
A esposa do GO era a pediatra por sua indicação e foi ela quem veio me receber.
Ela não permitiu que meu esposo me acompanhasse durante minha cesárea.
Assim que passamos corredor a dentro, disse-lhe que havia avisado seu esposo de que queria o pai presente e que gostaria que o chamassem. Ela respondeu-me rispidamente que “acontece, queridinha, que sua bolsa estourou num domingo e não temos equipe suficiente para que se valha o acompanhamento do seu esposo.”
Meu mundo caiu e eu, que estava serena e segura de mim, me vi em pânico.
Ao entrar na sala de cirurgia, meu pânico aumentou quando, ao invés de enxergar o outro GO que auxiliaria o GO principal na cirurgia, vi um ‘’moleque’’. Nem me cumprimentaram!
Um jovem o qual nunca ouvi falar. Era seu filho. Achei estranho e errado, mas não me posicionei. Não reagi. Me senti atada ao que tivesse que vir.
A anestesia não pegou na primeira, nem na segunda, nem na terceira. E não me lembro mais em qual tentativa que deu certo.
Depois dali tudo foi silêncio e medo.
Tiraram meu filho, sem direito a uma foto de recordação ou qualquer afago significante e o levaram.
Não tive oportunidade de amamentá-lo neste momento.
Lembro-me apenas de ouvir o GO dizendo ao seu filho como me costurar. Sim, ele estava o ensinando. Entre umas e outras ouvi: “Não, por baixo. Volta e faz de novo.”
Meu pós-cirúrgico foi incomum e eu tive que aprender a viver com muita dor. Muita dor mesmo. Além da dor física, tive de ouvir comentários de que eu era fresca e que todo mundo passa por isso. “Que só comigo tinha que ser diferente’’.
Lembro-me de quando meu filho tinha quase 2 anos eu ainda sentir dores ao lavar um prato e… Deus me livre após varrer e passar pano na casa!
Voltando ao 13 de abril de 2014…
Lembro-me de acordar em uma sala, ao lado havia um homem que tinha acabado de passar por cirurgia de apêndice.
Depois trouxeram meu filho. Não sei quanto tempo levou isso tudo. O deitaram no meio das minhas pernas. Pedi que deitassem ele junto de mim, próximo ao meu rosto. Falaram que não podiam, que era procedimento e que era mais seguro ele ficar lá. Insisti, fui atendida.
Foi ali, depois de tantas tentativas em vão de mexer minhas pernas que tentei amamentar pela primeira vez. Sem muita ajuda deitaram meu filho no meu braço – em que eu mal tinha força. Ele não quis mamar e eu não consegui colocar ele como deveria. Não tinha forças para tentar. Acredito que, pela falta de procura dele e pelo belo sono, ele tenha sido alimentado por LA enquanto estivemos separados. Isso dificultou muito as tentativas seguintes. Mas, em meio a tudo aquilo consegui e persisti. Foram quase 3 anos de LD (livre demanda).
Foi há 3 anos e 7 meses. Voltei “’à vida’’ somente após os 2 anos do meu filho. Foram 2 ANOS muito difíceis.
Final de 2016, em segredo, solicitei à maternidade meu prontuário e lá consta o nome de uma mulher como auxiliar do GO que, é claro, não estava presente. O nome do filho dele, lógico, não consta.
Cesárea particular.
Dores diárias.
Revolta.
Medo.
Quantas mais?

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