Ele ria e passava a mão no meu corpo todo.

Idade: 21

Desabafo Anônimo: Minha vida sempre foi um inferno e eu nunca entendi o porquê. Era uma criança hiperativa que pensava totalmente fora da caixinha. Minha mãe trabalhava na escola onde eu estudava e eu passei boa parte da vida sozinha. Ela sempre se dedicou ao trabalho e quase nunca estava em casa. Com meu pai foi o mesmo. Lembro que entrei para a escola com quatro anos e fiz duas vezes o primário. Comecei a notar que eu me sentia diferente dos demais colegas. Gostava de conversar com os adultos, odiava falar sobre namoro e sobre o próprio corpo. Me escondi a vida toda atrás dos livros. Lia muita literatura erótica já aos 12 anos e não entendia minha hipersexualidade. Me masturbava várias vezes ao dia e chegou um tempo em que a pornografia e o prazer imediato não me satisfazia mais. Senti que estava ficando doente, mas não podia contar aquilo a ninguém. Notei que a cada banho que eu tomava ia uma toalha para o cesto e não usava sabonete por causa das bactérias. Me sentia suja e não sabia o porquê daquele sofrimento. Permaneci anos calada e resolvi quebrar o silêncio aos vinte e um anos de idade. As lembranças estavam me matando. Então, um dia eu desabei. Quando eu tinha quatro anos, o marido da minha babá me convidou para ir até o quarto dele e eu sentei em seu colo. Ele ria e passava a mão no meu corpo todo. Na primeira vez, fechei os olhos com força e senti muita vergonha na hora. Lembro como se fosse ontem. Ele me deitava na cama e colocava a mão dentro da minha calcinha, me excitava e achava aquilo uma maravilha. Foi um ano assim e eu nunca contei a ninguém. Aos nove anos um colega da escola me convidou para ir brincar no quarto dele e eu fui. Começamos a brincar de lutinha em cima da cama até que chegou um momento em que eu comecei a gostar de vê-lo apanhar. Eu sentia prazer em sentir dor e de provocar nele. Ele me seguia em alguns lugares e me ameaçava dizendo que iria contar para a escola toda que eu dormia com ele e que fazíamos coisas de adultos. Eu fiquei apavorada! Fizemos aquela “brincadeiras” por meses até que ele contou para um garoto e a notícia se espalhou pela escola. Eu fiquei arrasada. Como minha mãe trabalhava na escola o caso foi abafado. Eu fiquei retraída, canalizava toda a intensa energia para o exercício físico. Odiava as religiões que falavam de Deus. Notei que eu odiei o Deus que falavam porque ele nunca fez nada pra me proteger dos abusadores. Ele fazia revelações em igrejas, curava e fazia o mágico acontecer e não foi capaz de impedir um homem, portanto, pra mim esse tipo de Deus nunca existiu. Foram tempos de muito sofrimento. Busquei sempre estar conectada com a espiritualidade, aquela Maior que não possui uma Verdade absoluta. Agora analisando as lembranças através da psicoterapia, vi que fui abusada sexualmente a vida toda e me sentia culpada. Tenho muita dificuldade ainda, principalmente em dizer não. Sou sadomasoquista e como foram duas situações de abuso as consequências se misturaram. Senti muita raiva primeiro da escola, que os professores sempre desconfiavam do meu comportamento, mas nunca foram objetivos. Vi que entrei pra escola com uma disfunção e eles achavam aquilo normal por isso nunca interferiram. Hoje tenho meu namorado que é um homem muito especial. Já tive dificuldades com múltiplos parceiros, mas agora me concentro em ter apenas uma relação e me esforço para ser verdadeira. O que vejo que devemos ter é cuidado. Cuidar de nossas crianças desde o berço. Para todo o efeito há uma causa e sei que o acaso não existe. Nossos olhos revelam nosso coração. O que vemos? O quão sensível somos para notar a dor nos olhos de alguém? Vamos praticar olhar com amor? Vamos! Já estamos… obrigada!

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