Tive um parto forçado

em

1 filho, 27 anos.

Desabafo Anônimo: “VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA”
No dia 22/07/2009 tive um parto forçado, eu tinha apenas 18 anos e não sabia exatamente como seria. Passei o dia sentindo dor… na hora das contrações tive cãibras nas duas pernas a enfermeira super grossa. 5 médicos para estourar a minha bolsa, passei dias com meu abdômen dolorido porque o médico forçou muito pro meu filho descer pra eles poderem estourar a bolsa… Após isso, fui obrigada a levantar e ir andando até a sala de parto ouvindo a enfermeira dizer em alto bom som “se tivesse estudado não estava aqui, e anda ligeiro”. Quando cheguei na sala de parto, tive que deitar na maca sozinha e ouvir os médicos contarem piadas… e mais uma vez fui forçada a fazer forças e mais forças até quando não aguentei mais e gritei: me corta doutor, por favor. Então ele cortou, senti um ardor mas nada pior do que a dor que sentia. Forçaram tanto até que meu filho nasceu nessa hora foi um alívio, mas não ouvi o choro dele, vi que seus pés estavam roxos. Eu não tinha forças pra falar, apenas chorava, depois de muito tempo ouvi seu choro… até aí tudo bem, mas o pior estava por vir. Foi quando ouvi a enfermeira dizer: “DOUTOR, A PLACENTA”. Isso mesmo: ele me pontiou e esqueceu de tirar a placenta de dentro de mim. E sabe o que fez em seguida? Meteu a mão, isso mesmo meteu a mão dentro e puxou a placenta. Eu gritava de dor e ele puxando e eu pontiada. Momentos de terror. Quando ele terminou de fazer isso, a enfermeira mandou eu descer da maca, isso mesmo ela pegou uma cadeira de rodas, aquelas de ferro bem geladas e colocou um pano e disse: “desce e senta aqui, cuidado menina”. Então eu arrasada sentei. A assistente social estava com meu filho no braço e a enfermeira pegou as minhas bolsas e jogou tudo em cima de mim. E saiu empurrando a cadeira e brigando falando absurdos. Foi quando ela abriu a porta do centro cirúrgico e viu um homem em nossa direção e ela pergunta: “quem é esse homem, o que ele faz aqui?” E eu respondi chorando: “Ele é meu marido”. Foi quando ela começou a falar “Não chora mãezinha olha quem veio te ver”. Meu marido ficou louco, extremamente revoltado pelo o ocorrido e fez ela tirar todas a bolsas de cima de mim. Chegando na sala de recuperação, quem eram as minhas companheiras de quarto? As mães que tinham acabado de perder seus filhos. A cama não tinha degraus e era muito muito alta, meu marido fez ela ir atrás de um degrau pra ele poder me ajudar subir na cama. Nossa, estava feliz por ele está ali comigo, pois se ele não estivesse ela ia fazer eu subir sozinha… Então chegou a hora dele sair da sala e voltou o pesadelo. Passei a noite toda em cima de uma poça de sangue e meu filho nem banho deram nele eu não tinha leite ninguém foi onde eu estava. Meu filho chorava de fome, passei a noite com o dedo na boca dele. Eu não conseguia nem me mexer, então quando deu 07:00 da manhã o médico veio e disse: “o bebê tá mamando nos dois peitos?”. Eu respondi que não, então ele disse “você está de alta” e saiu. Ninguém foi lá pra me ajudar. Então 7:30 meu marido fez um escândalo pra ele subir aonde eu estava. Foi aí que eu fui tomar banho e fomos embora eu não aguentava tanta humilhação… meu filho tomou banho quando chegou em casa.
Então começou tudo de novo quando cheguei em casa… comecei a inchar com uma semana após o parto, eu não conseguia andar e nem  fechar as pernas, sentia muita dor, então meu marido chamou a ambulância. Foi quando eles disseram: “você vai ter que voltar para mesma maternidade”. Nessa hora eu queria morrer. Chegando lá, os enfermeiros da ambulância informaram a direção do hospital que eu estava com infecção. Então os médicos da maternidade disseram que isso não era verdade, fui levada para uma sala e lá a enfermeira fez  um toque eu quase morri de tanta dor na hora que ela deu o toque o sangue desceu e meu marido ficou desesperado. Fui levada às pressas para um quarto isolado… Gente, meu pesadelo estava só começando então passaram um ultrassom até aí tudo bem, mas o laboratório que fazia esse procedimento era fora da maternidade e eu tive que ir andando – é isso mesmo – andando do outro lado do quarteirão. Fui me arrastando chorando muito, chegando lá, fiquei esperando minha vez em pé; então chamaram. Entrei, ele fez o procedimento e disse “não tem nada não, tá tudo certo”… quando eu já estava indo para o Hospital novamente, veio a assistente dele chamar e dizer que tinha uma trans vaginal pra fazer, nessa hora entrei em desespero e comecei a chorar muito e dizer que isso não iria fazer porque eu estava toda destruída por dentro. Mas fui levada assim mesmo,  na sala fui forçada a fazer isso quando o médico introduziu o aparelho ele viu a real situação e ficou sem ação. Fui levada para o hospital e lá fui medicada de duas em duas horas .
Passei uma semana internada .
Com 2 meses não tinha uma gota de leite devido aos antibióticos e isso porque eles alegaram que eu não tinha nada.
Quando meu filho fez um ano, eu fiz uma laqueadura. Com 20 anos de idade. Já faz 6 anos isso.
Hoje meu filho tem 8 anos e vive me pedindo um irmãozinho.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Como fizerem uma laqueadura em você com 20 anos de idade e 1 filho? Não podiam fazer isto! Com relação ao seu parto, também sofri violência obstétrica e sei bem como nos sentimos humilhadas diante daqueles que deveriam ser nosso ponto de apoio! Precisamos falar sobre isto para denunciar estes abusos.

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