Apego: por que é importante para o desenvolvimento infantil?

Por Rafaela de Almeida Schiavo – 05 Novembro 2017

Quando um bebê nasce ele é um sujeitinho totalmente dependente de outro ser humano, se o meio não lhe fornecer cuidados, este bebê irá morrer, pois ele não consegue se locomover ou se alimentar sozinho. Portanto, alguém precisará ajudar o bebê a sobreviver. Em geral, em nossa cultura a pessoa que mais ajuda o bebê a sobreviver é a sua mãe.
A vinculação mãe-bebê inicia em muitos casos já na gestação, mas isso não é uma regra. Outro momento forte em que a vinculação ocorre é na hora do nascimento da criança, quando o organismo da mãe e do bebê estão totalmente em sintonia hormonal, e a natureza para dar uma ajuda na vinculação libera no organismo de ambos um hormônio chamado oxitocina, que também é conhecido como o hormônio do amor. Este hormônio permite que mãe e bebê possam se enamorar nas primeiras horas após o parto, isso quando o hospital permite que mãe e bebê possam ficar juntos após o parto.
De qualquer forma, o bebê sempre irá dar um jeitinho de conquistar a quem quer que seja, e ele fará isso para sua própria sobrevivência. Os recém-nascidos apegam-se a adultos que são sensíveis e receptivos às relações sociais com eles, e que permanecem como cuidadores compatíveis nos seus primeiros anos de vida.
O sistema de apego é ativado para manter o contato após o nascimento, por meio de comportamentos de protesto como chorar, buscar e bater, quando a mãe se separa do bebê. Os comportamentos de apego se referem a um conjunto de condutas inatas exibidas pelo bebê, que promove a manutenção ou o estabelecimento da proximidade com sua principal figura provedora de cuidados, a mãe, na maioria das vezes. O repertório comportamental de apego incluiu chorar, estabelecer contato visual, agarrar-se, aconchegar-se e sorrir. Desta forma, o bebê conquista o outro e com isso há maiores possibilidades de que este outro cuide do bebê.
A ausência de contato e de estímulos afetivos perturbam os processos de maturação do sistema nervoso do bebê. Falta de afeto e de estímulos produzem desordens da organização cerebral. Se o bebê não é suficientemente acariciado, não receberá estimulação necessária para um bom desenvolvimento e poderá apresentar perturbações psíquicas tais como transtornos do humor e dificuldades em se relacionar com outras pessoas, dificuldades de demonstrar empatia, ou seja, de se colocar no lugar do outro, entre várias outras possibilidades de danos ao seu desenvolvimento.
Por isso, é importante que a criança tenha pelo menos uma figura de apego, pelo menos uma pessoa em que ela possa confiar.

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