A culpa não vai embora

em

Anônima, 1 filho

Idade: 28

Desabafo Anônimo: Tentei de tudo o que eu podia pra conseguir amamentar.

Na clinica particular foi feito uma cesárea eletiva, ninguém me ajudou ou orientou na amamentação. Deram fórmula a ele sem me consultar, segundo a auxiliar de enfermagem, porque ele estava chorando muito. Depois de uma gravidez muito difícil, sequer pensei que deveria procurar orientação sobre uma coisa que achava que seria automático.
Da minha própria mãe, ouvi que eu não tinha leite, meu peito não tinha enchido (mesmo com o peito vazando, manchando roupa). Meu marido me apoiava em tudo que eu decidia, mas eu não conseguia fazer ele pegar o peito, sempre era um martírio, parecia que eu estava matando o menino.
E ai o pudor veio piorar tudo, afinal, eu estando na casa dos meus irmãos e dos meus pais, não podia amamentar em qualquer lugar. Era falta de respeito as pessoas verem uma cena tão inapropriada no meio da casa e com a cesárea tão recente, era muito difícil encontrar posição na cama ou em uma cadeira sem apoio pros braços.
Ai veio a bronquiolite, vários dias na UTI bem no final da minha licença maternidade e então um médico plantonista perguntou se eu estava amamentando. Disse que não e ele fez o infeliz comentário que era por isso que a saúde do menino estava tão fragilizada. Aquilo me matou por dentro, eu estava me sentindo culpada e vem um médico e confirma que a culpa era minha.
Afundei numa depressão, busquei ajuda médica, já com bebê de 4 meses que nunca havia mamado leite materno.
Gastei rios de dinheiro com bombinhas, ocitocina sintética, kits pra relactação. Tudo, nada adiantou, não saia quantidade de leite suficiente pra encher uma mamadeira, sempre no máximo 3 ml.
Só no final descobri que era possível buscar orientação de uma consultora, outra decepção, porque segundo as profissionais que consultei, era tarde demais.
Veio então minha volta pro trabalho.
Mais de 13 horas diárias fora de casa e então ouvi de pessoas muito amadas: nossa ainda bem que você não insistiu nessa coisa de dar peito, o menino estaria sofrendo agora.
Sofrendo estou eu.
A culpa não vai embora.
Todo problema de saúde do meu filho, acredito fielmente que a culpa é minha.
A rotina profissional é absurda, mas preciso continuar pra dar o melhor a ele, o peito doía, mesmo com poucas gotas de leite, se não tirava era o inferno, doía também da saudade do meu menino, e doía mais ainda pela culpa da saúde tão frágil dele.
Não sei se isso um dia vai passar.

3 comentários Adicione o seu

  1. GISELE disse:

    Não se maririze a culpa não é sua, eu amamentei minha filha no primeiro mese abaixo de sacrificio, pois para as enfermeiras é uma facilidade ensinar porem para quem nunca o fez é dificil qiase perdi o mamilo e a cada amamentação sangrava, por fim tive aquela vermelhidão que dá no seio , não lembro o nome, e o leite empedrou, tive que parar de amamentar e dar leite em pó, claro não dei no copinho pois via que ela não se alimentava daquela forma então parti para a mamadeira, ou seja não pude amamentar como é o sonho de toda mãe e ela teve seus problemas de saude como toda criança que estava em um casulço bem guardada e precisa criari anticorpos para o novo aqui fora. Não é sua culpa isso faz parte do crescimento de toda criança o organismo trabalhar para aprender a conviver com a poluição, poeira, pêlo, troca de temperatura , alimentos enfim o organismo trabalha para superar esses obstaculos. Não esqueça voce é uma otima mãe, olhe nos olhos do seu filho quando te encontra e veja ue ele não reclama de nada apenas fica maravilhado pois sabe que voce vai mas sempre volta.

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  2. Eveline Gomes disse:

    Ei, não sei se você vai ler isso mas não é sua culpa! É culpa desse sistema maluco nosso que não valoriza a mãe na nossa sociedade. Se puder, procure assistência psicológica pra te ajudar, mas a saúde frágil do seu bebê não é sua culpa. Pra você ter uma ideia, tenho um irmão que mamou muito pouco no peito, menos de dois meses e sempre foi super saudável. Já minha irmã que mamou dois anos e meio deu muito trabalho pra minha mãe no primeiro ano, chorava por tudo e médico nenhum sabia porque. Não vou te falar pra ser forte pq isso eu já vi que você é. Mas tenha compaixão por você mesma: você fez tudo o que era capaz de fazer com as informações que tinha naquele momento. Se precisar conversar, estou por aqui!

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  3. Não amamentei,minha filha está saudável e feliz. a culpa se foi na hora em que ela estava com fome,dei a mamadeira e ela mamou tudo e parou de chorar. Somos bombardeadas por esse discurso de que toda mulher pode amamentar,que basta querer. Isto é uma grande mentira. Toda hora,fotos e fotos serenas de mulheres amamentando,falando de vínculo. Tentei amamentar,não deu. Dei fórmula e alimentei minha filha e ponto final. Vínculo maior só se ela voltar para a barriga. Aliás, vínculo não é só peito e barriga. Vínculo é muito mais que isto. Com relação as doenças,ela teria também se tivesse sido amamentada no peito. Não tem uma relação com a outra. Minha filha mamou poucas vezes no peito e sempre foi muito saudável. Muito mais do que outros bebês que foram amamentados. Se eu ainda quero amamentar quando tiver um segundo filho? Sim. Mas se não der, dou mamadeira. Mas desta vez sem culpa nenhuma. Chega desse exército da culpa! Estou cansada. Na hora que meu peito feriu,que meu leite não saiu, cadê as defensoras da amamentação para me ajudar? Então um conselho que eu te dou: esquece isto e vá a luta. Mais do que um peito,ela precisa de uma mãe e de uma mãe completa. Chega de choro mulher e vá a luta por sua filha.

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