Eu só não queria me sentir tão sozinha

em

Anônima, 1 filha, 31 anos.

Desabafo Anônimo: Há muito tempo eu venho pensando em suicídio como uma forma de resolver os meus problemas. E isso não é uma decisão desesperada, é uma decisão fria, calculada baseado em probabilidades e chances reais de resolver as coisas. As poucas vezes que cheguei a tratar sobre isso com alguém, essa pessoa apelou para o fato de eu ter uma filha, e que eu não posso fazer isso porque é egoísmo.
No meu ponto de vista, egoísmo é continuar arrastando a menina para uma vida que fica cada vez mais difícil. Pelo menos eu sei que com minha saída de cena, ela vai ser criada pelos meus pais e eu sei que eles não vão deixar nada faltar pra ela.
Eu não estou sendo egoísta. Eu estou na verdade evitando que a menina cresça vendo uma mãe fraca, uma mãe que aceita tanta humilhação, uma mãe deprimida, uma mãe que não sorri, uma mãe que não dá uma dentro, por assim dizer.
Eu fiz o que pude pra dar a ela mais do que eu tive na minha vida, pois eu nasci e cresci em um lar bastante simples. Mas mesmo na simplicidade, coisas básicas nunca me faltaram. Eu tive escola desde muito pequena, eu tive plano de saúde. A minha filha, em pleno século XXI só vai pra escola na primeira série.
Eu fico olhando esse momento político que estamos vivendo e sei que nada vai melhorar. Eu estou prestes a me formar e eu não tenho nenhuma previsão de emprego. Estou terminando um estágio sem a menor possibilidade de contratação. Há anos que eu trabalho e o que eu recebo é unicamente para pagar o aluguel e as contas, não sobrando nem para as despesas, que estão por conta da minha família. Eu que busquei independência financeira assim que tive minha filha, hoje estou vendo esse cronômetro macabro cada dia mais chegando no zero.
Eu não tenho tido apoio.
Muitas pessoas se aproximam e se afastam numa velocidade vertiginosa. Eu me sinto completamente sozinha. Quanto ao pai da minha filha, eu por muitos anos o chamei de amigo, mas ele nunca foi meu amigo em momento algum. Ele não esteve do meu lado durante a gravidez, ele não esteve comigo no parto e ele deu um jeito de se esquivar de qualquer responsabilidade o mais rápido possível, me largando pra arrumar alguém mais disponível pro estilo de vida dele.
Dele eu tenho palavrinhas gentis no WhatsApp, mas que na prática não significa nada.
Eu não tenho apoio, eu não tenho companhia, eu não tenho absolutamente nada dele.
Ele assiste de camarote todos os meus desesperos e não faz absolutamente nada para diminuir o fardo e a responsabilidade. Eu por falta de opção, muitas vezes acabo desabafando com ele e ele acha que é tudo exagero meu.
Quando eu ou minha filha ficamos doente, eu peço o apoio dele e o máximo que eu recebo é “qualquer coisa, me chama aqui no WhatsApp”. E é isso que ele se tornou, algumas letras no visor do celular. O que mais me dói é ver que para outras pessoas, ele dá todo o tempo dele, ele faz passeios, ele viaja, ele vai em lugares que nesses anos todos, ele nunca levou nem eu nem minha filha.
Ele considera os aniversários, as comemorações, ele celebra tudo, dos amigos dele. Ele não inclui a menina em nada. Ele se disse por anos meu melhor amigo, mas no meu aniversário eu estive completamente sozinha, em casa. Ele sabia o quanto eu estava me sentindo triste e não se importou nem por um segundo. As outras pessoas me julgam o tempo todo por causa dele…falam que eu sou idiota, que eu dou “vida boa” pra ele, falam que ele me faz de otária. Além disso, falam que eu sou negativa, que eu só fico de cara fechada, que eu reclamo muito. E o que ninguém percebe é que isso também me dói. Eu não quero critica.
Eu só não queria me sentir tão sozinha. Ninguém gosta de se sentir sozinho, vazio, sem esperança. Ninguém se sente assim porque gosta.
As coisas chegaram a um ponto que as vezes eu fico semanas sem saber o que é dormir direito, só passando um filminho ruim na minha cabeça de tudo que aconteceu e do que me espera, se as coisas continuarem assim. E eu não tô gostando nada do final desse filme.

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