Foi a primeira vez que consegui cobrar algo dele realmente

Desabafo anônimo: O pai do meu filho mora em outra cidade e vem ver ele mais ou menos 1 vez por mês desde que ele nasceu. No começo, eu estava morando, na escolha quase por acaso mais acertada que fiz na vida, numa república de mulheres. Esse projeto feminista possibilitou que eu cuidasse do meu filho nesse período da vida dele e também pudesse tomar um banho de vez em quando. Muita solidariedade às outras mães solo e torço para que, cada uma no seu caminho, consiga construir uma rede de sustentação para essa fase linda e delicada. Eu sempre procurei espaços coletivos e pessoas que pensassem a educação das crianças na sociedade de forma compartilhada. A vida foi nos levando por vários caminhos e agora estou morando em uma casa com meu filho e dois amigos que também me ajudam bastante, principalmente na difícil tarefa de colocar limites para uma criança. Mas mesmo com essas pessoas ao redor, muitas vezes me sinto sozinha e sinto que não tenho com quem dividir efetivamente as funções de cuidado. Um exemplo disso que foi muito marcante pra mim há 1 ano atrás, foi quando eu saí à noite com meu filho e uma grande rede de amigos esteve ao lado, me ajudou a por ele pra dormir, dividiu comigo a atenção para se caso ele acordasse. Mas no dia seguinte, quando ele acordou, e eu estava exausta, estava sozinha e tinha que ficar com ele. Me senti sozinha e ao mesmo tempo senti que não poderia sentir isso por ter tido tanta companhia na noite anterior. Agora, outro dia o pai dele veio vê-lo. Chegou às 17h como o combinado para ficar com ele enquanto eu iria trabalhar. Chegou e foi dizendo: pensei em levá-lo na praça. Eu estava num dia daqueles, que a rotina ficou bagunçada e a criança não comeu direito, e falei: ele precisa jantar, tem legumes na geladeira, você pode cozinhar alguma coisa. Ele respondeu: eu posso dar um suco e pão de queijo na padaria. Expliquei melhor: ele precisa comer comida, arroz, feijão. Depois vocês podem passear, mas lembre que o horário dele dormir é às 20h30 e que amanhã ele tem que acordar cedo. Saí. Voltei para casa às 22h. Eles chegaram depois de mim. Todo sujo de terra e açaí. Dei banho nele e coloquei ele pra dormir. Depois disse assim para o pai dele: se você quiser ser um pai que leva o filho na praça, você vai ser; mas eu quero te dizer uma coisa – gente pra levá-lo na praça tem um monte, é uma delícia ir na praça com ele, a responsabilidade de ter um filho e a parte cansativa também envolve alimentá-lo, dar banho nele todos os dias, escovar os dentes, colocá-lo pra dormir… enfim. Talvez foi a primeira vez que consegui cobrar algo dele realmente.

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