Posta fotos na internet e todos pensam: que excelente pai!

em

Samira, uma filha, educadora social

Idade: 27

Desabafo Anônimo: [Cansada de cobrar ao pai suas responsabilidades]
Resolvi fazer um desabafo sobre as “surras” que a vida, as pessoas e nossas escolhas nos dão. Sempre guardei muita coisa pra mim a fim de não incomodar o outro, mas vamos lá: Tenho uma linda, maravilhosa, perfeita filhinha de 6 meses. Minha gravidez foi muito complicada: aceitar algo não planejado com alguém que não conhecia tão bem, mas passava o conforto de que seria um pai maravilhoso. Aos quatros meses perdi meu pai de uma forma tão rápida, não pude dizer um “tchau, te amo, fica bem, qualquer coisa”. No dia seguinte à morte dele, tive um sangramento, uma ameaça de aborto, mas ficamos bem. Na mesma semana da morte do meu pai e quase perda da minha filha, o meu agora marido, resolveu em meio a uma discussão dentro do carro, puxar o freio de mão. O carro então rodou e bateu em um poste, mas ficamos bem (fisicamente).

Aí então comecei a reconhecer a pessoa com quem estou. Trazendo sempre as atenções para si. No meio dessa semana do luto, ele foi pro bar. Fui buscá-lo para a missa de sétimo dia. Por algo bobo sobre peças do carro que teriam que ser trocadas, desceu do carro com raiva e seguiu seu rumo. Tudo que eu passei em si foi sofrimento. Saía pra beber e me deixava sozinha, me deu um tapa no rosto em troca de outro que eu tinha dado (não com a mesma força claro), mentiras.

Próximo a minha data de parto, me deixou sozinha pelo menos 3 vezes. Sozinha de sair à uma da tarde e voltar 6 horas da manhã. Sozinha do tipo ele ir em festas para ficar com os amigos. Eu nunca contei quantas vezes eu ficava sozinha, chorando pelo luto, pela escolha, pela preocupação com ele, com minha irmã (meu pai morreu ao seu lado), minha mãe. Minha filha sentia toda a minha tristeza, meu Deus! Foi muito, muito, muito muito, muito difícil.  Não consigo exprimir como foi. O abandono, a culpa que eu recebia por ele beber, por não querer ir num bar, por não ir buscá-lo.

E por fim tive minha filha. Aqueles primeiros dias na maternidade foram lindos. Aquela maternidade bem romântica. Mas com 14 dias da nossa bebê, com ela no braço, ele resolveu comemorar o mijo¹(NT no fim do desabafo) no quintal da casa da minha mãe. E do nada pegou um Uber, foi embora com um amigo sem nenhuma explicação e passou a madrugada por aí.  E isso continuou e continua até agora. A última vez, ele estava sentado no bar com um pessoal, uma mulher vestia seu casaco e ele pagou a conta de todos. Ahh! Sendo que há 10 dias, fez o pior de tudo: sumiu quatro dias, sem atender o telefone, sem deixar um dinheiro reserva, nada. Sem compromisso.

Agora te pergunto: onde está a responsabilidade de criar a nossa filha? Todas as vezes que você se ausenta? Onde está seu pedido de perdão? Onde você está quando temos que vacinar nossa filha? Fazer sua comida? Ir ao pediatra? Comprar fraldas e lencinhos umedecidos? Você está se divertindo e ficando com raiva quando cobro de você algo que é seu DEVER! Posta fotos na internet e todos pensam: que excelente pai! Quando não é. E hoje eu tenho certeza que não! É uma pessoa imatura, que deixa nas costas de uma mãe, uma pessoa depressiva e cansada, todas as suas obrigações.

Um p.s: ele também toma medicações anti-depressivas, também já perdeu um pai (conhece a dor), medicações pra questão do álcool. Meu pai morreu alcoólatra e nunca me abandonou.

¹ Nota da Editora: Nos estados do Norte/Nordeste do Brasil, há uma comemoração chamada “Festa do Mijo” ou “comemorar o (primeiro) mijo do bebê”, que nada mais é do que o pai comemorar o nascimento da criança bebendo com os amigos.

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3 comentários Adicione o seu

  1. GISELE disse:

    Não vou comentar a “sua” situação apenas perguntar- é isso que voce quer para sua filha?

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  2. Andrea disse:

    Querida, você não precisa aguentar tanta humilhação! Esse homem já deixou bem claro q nao se importa nem com voce e nem com a filha. Va viver com sua filha, voces serao muito mais felizes longe dessa pessoa degradante e egoísta.

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  3. machado1917 disse:

    É facil falar quando n se vive, mas eu sei ( por experiência) que existe amor fora do relacionamento abusivo. E eu sei tbm ( por experiência) que é melhor viver sem pai do que conviver com um estranho que sou obrigada a chamar de pai. O pai da história é o meu pai, e por anos culpei a minha mãe por nunca o ter largado, a relação conturbada deles e dele comigo( quer dizer, falta de relação) contribuiram para problemas de saúde mental que tenho hoje. Hoje sou mais forte com certeza, estou aprendendo a lidar ( porque depois de mais de 20 anos nada mudou) mas seria melhor mesmo se eu n tivesse que ter passado por tantas coisas desde a infância. Eu sei que é minha história, minha vida, talvez não se encaixe na sua que possui suas próprias individualidades. Vc pode procurar um psicologo pra te ajudar a pensar mais nas possibilidades e te ajudar a se entender e fazer as melhores escolhas pra vc e sua filha. Te desejo muita força. Pq acompanho o sofrimento da minha mãe desde pequena, a solidão dela, de sempre está só pra fazer tudo, de ter que cuidar de um marido bêbado. É dificil. Espero sinceramente que vc fique bem e encontre ajuda e sua filha possa crescer saudavél, em paz e que você possa ter uma vida de repleta de realizações e conquistas. Força.

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