Preciso ser mulher

em

37 anos.

Desabafo Anônimo: Minha filha fez 4 no ano passado. Quando ela nasceu, minha vida virou de cabeça para baixo. Eu estava morando em São Paulo, carreira indo bem e crescendo em ritmo acelerado. Feliz em muitos aspectos. Mas eu sinceramente me perguntava se devia ter um filho com meu companheiro. Meu relacionamento não era o foco. Eu não pensava muito se devia ou não devia estar ali. Mas eu já sentia que havia me casado com a pessoa errada. Ou, o que é pior, que eu era a pessoa errada, como os relacionamentos abusivos nos fazem pensar. Na gestação não planejada me senti muito só. No puerpério fui capaz de mobilizar a família dele e a minha para conseguir superar os desafios que vieram: meu desemprego e a postura extremamente infantilizada e negligente do meu companheiro. De toda forma, mergulhei na maternidade, movi céus e terras para oferecer minha presença e meu cuidado constante à minha bebê. Me mudei de estado e fomos morar num interior. Aos poucos fui retomando minha vida profissional. Me senti, ao longos dos anos, emergindo gradativamente do estado fusional com minha filha e resgatando minha individualidade através do meu trabalho, da independência financeira e do reconhecimento profissional. Porém eu me sentia e me sinto abandonada como MULHER. Engordei muito nesse período, não encontrava tempo ou espaço para cuidar de mim em sentido algum. Com a entrada da minha filha na escola neste ano, comecei a encontrar esse espaço pouco a pouco. E me senti subindo mais um degrau desse reencontro comigo mesma pós puerpério. Mas algo que eu não percebia me faltava. E essa falta escondida era forte. Meu companheiro não me reivindicava como mulher, não me procurava sexualmente. Mas o “chamado” de um outro homem me fez despertar definitivamente. Esse homem apenas me disse o quanto me desejava. E eu senti o quanto poderia ser bom estar com ele. Isso me fez acordar e ver o quanto estou negligenciada nessa relação abusiva e de abandono. Eu não havia notado. Nada aconteceu além de uma forte atração por essa outra pessoa. Não ficamos, nem ao menos nos encontramos. Mas TUDO aconteceu dentro de mim. Senti que ainda sou uma mulher e preciso (e quero) me sentir desejada, amada. Senti a potência que esse desejo de desejar e ser desejada possui. Quanta vida para além de ser mãe! Essa última parte a ser despertada está mexendo demais comigo. Sinto que preciso de mais do que o que não tenho aqui. Em todos os sentidos: afetivo e sexual. Preciso ser mulher. Eu sou uma mulher. Ensaio aqui que me divorciar. Foi muito intensa essa atração que senti. Por isso agora quero esperar tudo isso se assentar dentro de mim. Mas também percebo que preciso fazer algo. Algo aqui precisa mudança. Ensaio me divorciar. Uma decisão muito difícil para mim. Um passo que muito medos me impedem de dar. Mas agora meus olhos se abriram e não sei se quero fechá-los novamente.
Não quero me separar para encontrar outro relacionamento. Mas percebo que estar só vai me dar espaço para cuidar mais de mim. E estarei livre e completa quando o amor surgir de novo. E espero estar desperta para saber reconhecer e afastar relacionamentos abusivos e negligentes como o que estou hoje.

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1 comentário Adicione o seu

  1. sand disse:

    Boa Sorte, não desista de lutar por você jamais. Venho passando por uma situação semelhante e quando abrimos os olhos e percebemos que ainda estamos vivas é maravilhoso. Seja Feliz, estou torcendo por vc.

    Curtir

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