Não sei se hoje estou curada, acho que a depressão é uma erva daninha

Brisa, dois filhos (2 anos e 1 ano), tecnóloga em Logística, 29 anos

 

Desabafo Anônimo: Depressão pós parto, o que ninguém entende.
Quando meu primeiro bebê nasceu eu tive todos os problemas de amamentação que alguém podia ter, mastites, abscessos, sapinho, o bebê literalmente comeu os bicos dos peitos… Foi aquela tortura. Meu filho só mamava, horas e horas e chorava incansavelmente se não estivesse no peito. Fiquei o puerpério sozinha num quarto, minha família não morava perto de mim, meu esposo trabalhava em dois empregos. Eu comia ás 12:00 antes dele sair e voltava a comer quando ele chegava do trabalho de madrugada, o bebê se saísse do peito era berros e berros. Eu sentia vontade de fazer aquilo parar, sentia ódio porque ele não parava, estava alimentado, seco, porque não parava de chorar… Foi nascendo em mim uma raiva, eu sentia vontade de bater nele e me batia por isso, me mordia, me dava tapas e socos  para não fazer nada com ele. Abria a janela do quarto e desejava pular e acabar com isso, mas olhava pra ele na cama e sabia que ninguém estava capacitado a cuidar dele como ele merecia.
Consultei médicos para entender o que ele tinha, um dia um médico me disse: “seu filho é saudável, ele só é chorão e isso vai passar.”
Com o fim da licença maternidade voltei ao trabalho e coloquei meu filho na creche , todos diziam que ele não ia ficar, que não iria se adaptar, que eu o acostumei mal… Ele ficou, se adaptou super bem, foi amado pelas professoras e eu fui me curando daquelas dores. Não podia contar a ninguém o que eu sentia, o que eu passava. A cobrança pela felicidade plena depois do filho é forte.
Passou alguns meses e descobri uma nova gestação, entrei em pânico, chorei muito. Escutei coisas absurdas, não consegui conexão com a gestação. Pesquisei inúmeros artigos sobre gravidez não desejada e fiquei feliz em ler que os estudos mostram que quase sempre depois do nascimento esse vínculo surge. Morria de medo de passar por todos os problemas de amamentação novamente. Nasceu, e junto aquele amor avassalador. Mas veio também todo aquele histórico, só no puerpério, agora com dois bebês, família longe, marido em dois empregos e a maldita depressão novamente, dessa vez a vontade de se matar era mais forte, bem mais forte, fui a uma faculdade e consegui atendimento com alunos do último ano. Ajudou, mas ainda sentia como se eu estivesse em alto mar e não conseguisse colocar a cabeça pra fora pra respirar. Pedi um encaminhamento para o pediatra para atendimento psicológico porque nem a volta ao trabalho ajudou dessa vez, na primeira consulta ela me indicou um psiquiatra porque precisa de uma medicação pra auxiliar, uma amiga conseguiu uma consulta bem rápida pra mim, dessa vez tive um grupo de amigas onde eu falei quase abertamente o que estava acontecendo comigo e elas me ajudaram no que puderam. A psiquiatra receitou o medicamento e continuei a terapia semanal, não me adaptei ao remédio e decidi que iria só fazer a terapia que sentia ter um resultado melhor. Não sei se hoje estou curada, acho que a depressão é uma erva daninha esperando solo fértil pra devastar. Mas hoje me sinto bem, com as crianças, com o marido, com a minha vida.
Ler relatos dessa página me ajudou muitas vezes, espero que esse ajude alguém também.

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