Respira, crianças choram

em

Texto de Elisama Santos, publicado em 11 de julho de 2017, em Tudo Eu por Elisama Santos.

Estávamos no avião. Agitação, pessoas andando pelos corredores procurando suas poltronas e guardando malas, o barulho típico desse movimento. Na fileira ao lado uma mãe tentava acalmar o bebê que, diante de todo o barulho, estava nitidamente incomodado. Chorava muito e ela tentava o peito, cantar baixinho no ouvido, ninar em pé, apertada no micro espaço que tinha disponível. Não sei se havia algum motivo mais forte para o choro, além do mais simples e comum: bebês choram. É a forma mais eficaz que eles tem pra se comunicar. Choram. Ela me parecia preocupada em incomodar o outros passageiros. Eu, louca de vontade de levantar e falar que tava tudo bem, que acontece com todo mundo, mas tive receio de parecer invasiva. Olhei de longe, com um sorriso de cumplicidade, como quem diz: “Tamo junta.” A situação me lembrou das inúmeras vezes que me desesperei com o choro dos meus filhos em locais públicos, como se existisse algo de errado com ele. Quando vamos aceitar que chorar faz parte da existência humana e que bebês choram? Não sei descrever o quanto nos sentimos envergonhadas, nervosas, ou estressadas com o choro dos pequenos, muito mais pelo que os outros vão pensar que pelo choro em si. Como se um bebê ou criança chorando fosse algum tipo de atestado de incompetência dos pais, sobretudo das mães, já que sobre nós empurram todo tipo de culpa, ou um atestado de criança mal criada/mimada/manhosa.Já que não pude dar um abraço na moça que ninava o seu bebê, dou aqui o meu abraço coletivo. Se seu filho está chorando em um lugar público, foca em entender as necessidades dele e acolher o choro(entender não é necessariamente atender). Esquece os adultos ao redor, eles deveriam ter uma maior capacidade de lidar com o incômodo que a criança de conter as próprias emoções. Respira, crianças choram, todas elas, e não é só o seu filho. E se precisar, se for te acalmar, chora também. E antes que me digam que não deveríamos sair de casa com bebês ou crianças, salvo para lugares destinados a elas, peço que lembrem que grande parte das famílias educam sem rede de apoio. Ou sai com a criança ou fica em casa. Viver trancada em casa não é emocionalmente saudável, nem possível. Porque precisamos comprar a comida, as roupas, pagar contas, ir ao médico, ter lazer. Saímos com bebês e crianças pequenas porque somos – eles e nós,- seres humanos semelhantes a você, que faz cara feia com qualquer chorinho infantil. Não vejo um futuro bacana pra uma sociedade que não enxerga a importância de ensinar o respeito, a gentileza, a tolerância e o senso de comunidade para as suas crianças. E não, meus caros, esses conceitos não se aprende apenas em casa ou na escola. Se aprende no estar em sociedade como um todo. Educar seria mais leve, mais fácil e menos solitário se entendessemos algo tão simples: bebês choram. Crianças choram. Começa a aceitar isso e aproveita e liberta os seus choros entalados também. Vai te fazer bem.

IG: @elisamasantosc
YouTube: @elisamasantosc

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