Frustração tem limite, sabe?

em

L. S, 1 filho, professora, 32 anos

 

Desabafo Anônimo: Quando eu era adolescente, sempre pensava que não queria ter filho homem de jeito nenhum, pois via a relação do meu irmão com a minha mãe, que era péssima, e morria de medo. Uma rejeição sem limites. Como ele a rejeita. Até hoje. É uma coisa assustadora.
Mas a vida é uma pregadora de peças. E um dia, eu me vi grávida de um menino. Foi difícil de escolher o nome, pois eu só tinha nome de menina. Por outro lado, eu estava mais tranquila. Sabia que não iria, necessariamente, repetir a história da minha mãe, que não estava condenada, que as coisas não eram bem assim e blá blá blá. E eis que meu bebê nasceu.
Puerpério difícil, muitas dificuldades. Mas passou. Quer dizer….sei lá se passou, né? Hoje meu filho tem um ano e meio e eu não sei o que é a beleza da maternidade que todas as mães não cansam de propagar aos quatro ventos.
Meu filho não tem o menor apego comigo. Quando chego em casa, praticamente não dá bola. Na verdade, se eu saio ou se eu chego, não faz diferença. Vive chamando o pai. Papaaaai, papaaaaai. Esses dias, ele estava com a avó. Toquei a campainha e já ouvi: Papai? Quando abri a porta, ele chorou. Eu estava sem o pai.
Sinto que se eu comprar uma passagem só de ida para o Afeganistão, não farei a menor falta. Eu fico em casa com o bebê. Eu cuido dele, eu saio à tarde pra passear com ele, o alimento, eu sei se tem roupa limpa ou não, eu sei se precisa comprar roupa ou não, eu me preocupo com alimentação, remédio, etc etc etc. O papai chega às seis da tarde e é o dono de todo o amor. Ele acorda de manhã chamando pelo pai.
Frustração tem limite, sabe? Chega uma hora que você cansa. Cansa mesmo. É aí que você descobre que o tal “amor incondicional” da maternidade é amar alguém que não te dá a mínima, mas você não pode simplesmente sair dessa relação, porque nunca vai deixar de amá-lo. É uma relação eterna, de eterna frustração. Hoje eu sei o que minha mãe sente com relação ao meu irmão. Que dor. Hoje vejo a minha mãe com outros olhos.

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5 comentários Adicione o seu

  1. GISELE disse:

    Voce não viu ou sentiou ainda o quanto é importante para seu filho, ele não demonstra pois as atividades que faz com o pai são mais “divertidas”, a nós cabe a parte “ruim”, banho , alimentação , troca de roupa, a responsabilidade, mas lá no fundo e sem voce e o bebe perceber um esta ligado ao outro e sentem falta , e mais tarde voce verá o quanto de amor ele tem por voce e necessita de sua presença.

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  2. Ceci disse:

    Minha flor, existe muita diferença entre o filho ideal e o filho real. Hoje, por exemplo, minha filha chamou mamãe 450 vezes. Eu fico querendo muito que ela chame o pai. Mas não chama.
    Isso que você está vivenciando possivelmente é o medo de a relação se repetir e também o ciúmes.
    Você cuida, alimenta, organiza… Mas tem sentado para brincar? Vamos construir essa amizade. Quem sabe tudo muda?
    E se não mudar? Você fez o possível.

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  3. Cibele disse:

    Oi querida.
    É só afinidade.
    Minha segunda filha sempre foi e ainda é super apegada ao pai.
    Na escolinha, perto da hora da saída, reclamava em voz alta pelo “papai querido”.
    Um minuto depois de ganhar um presente de mim, se outra pessoa perguntasse, quem deu?
    O papão querido.
    Mas são adultas e com certeza vejo e elas dizem quanto é e foi importante meu papel na vida delas.

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  4. Camila disse:

    L.S, com meu primeiro filho tbm passei por isso. Não era tão apegado a mim, sentia que se eu sumisse ele nem notaria. Mas segui, e com o tempo ele foi mudando… Engravidei de novo, dessa vez de uma menininha que não desgruda de mim por um segundinho se quer… Estou exausta! Juro! Tenho q contar com o apoio de familiares pra fazer o mínimo de coisas possíveis pq ela me pede o tempo todo. Mas agora que meu filho tem 6 anos é mais apegado a mim do que em qualquer outra pessoa. Trabalhei mto as questões da emoção pra não deixar influenciar no nosso relacionamento futuro. Uma terapia para ajudar a entender tudo isso te ajudaria muitíssimo.
    Não pense que vc não faz diferença, vc faz e mto. Trabalhe essas questões com ajuda profissional e vc vai ver que tudo vai entrando nos eixos devagar. Um forte abraço

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  5. Amanda Salomão disse:

    L.S., sou tbm mãe de um menino e venho te falar de uma outra parte da história que pode acontecer e provavelmente irá! O meu filho sempre foi como vc relata: apaixonado pelo pai desde o meu ventre… Tudo era o pai, eu fazia o almoço, a noite o pai fazia mexido da comida q eu havia feito e pra ele aquela comida era boa só pq o pai havia colocado a mão! Eu a bruxa, o pai o herói… Mas eu o amava cada dia mais, e estava por ele cada dia mais… E deixei de me frustrar por não ser a preferida e me realizava na independência diária dele. Deixei de competir pq ja achava que havia perdido. E fiz o meu papel de mãe com todo amor que eu tinha pra oferecer. Deu certo!!!! Ele crescia e via que era legal mesmo quem cuida dele tbm, que alimenta, que coloca a roupa limpa, quem ta ali todo o tempo e que amar a mãe e ser carinhoso não diminui o afeto pelo pai! Hj ele tem qse 15 anos (1.89m de lindeza!!) Eu continuo uma mãe babona e ele meu melhor amigo, somos muito unidos, nos apoiamos, crescemos juntos e certamente ele dorme todas as noites com a certeza de poder dormir tranquilo pq estou aqui! Ele sabe q pode contar comigo e eu tenho essa doce certeza tbm: hj ele se constrói o homem que mais amo e admiro e sei que posso contar! A história de sua mãe não precisa se repetir, vc pode escrever a sua! Ame, faça sua parte e lembre de ensiná-lo que amor se multiplica qdo se divide!!!! Beijo e mta força pra vc!!

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