Descobri forças e fraquezas completamente diferentes

Repost da Mel, do Mamãe Três Vezes, publicado em 21 de junho de 2017.

Estou aqui esperando ser atendida no pronto socorro enquanto observo uma mãe. Ela segura seu bebê de 5 meses que chora inconsolavelmente. Alguém pergunta o que ele está sentindo. Como ela pode saber? Ela segura, balança, passa a mão por sua cabeça, olha em seus olhinhos para ver se ele a vê. Não está com frio? Com fome? Está com febre. Todos do pronto-socorro tem uma pergunta para fazer. “Não”, ela responde com seu olhar abatido e suas olheiras pronunciadas. Eu me limito a perguntar se ela quer água ou se precisa de alguma coisa. Recebo um olhar grato. Falo pra ela, “é difícil, eu sei”. O olhar agora já é de quem sabe que eu sei, me responde, “é o meu primeiro”. Ela se acalma e como que ligado por aquele cordão que ninguém vê, o bebê se acalma também.
Está chorando desde cedo, não tem febre, ela não sabe dizer o que ele tem.
Que coisa dilacerante é ser mãe! Uma dor que é do outro, mas que é sua também. Você ama seu filho, ama ser mãe, mas quem é que pode amar a maternidade todos os dias?
Eu fechei os olhos e me vi com a Valentina também no hospital, poucos dias de vida, amarela e muito magrinha. Chora muito, eu não sei o que ela tem. Hoje parece óbvio pra mim que ela não estava conseguindo mamar. Mas não era! Que angústia era ser responsável por aquela vida. Tão pequenina, tão frágil e dependente. Só que era exatamente assim que eu também estava!
Às vezes penso o quanto era fácil só com uma em relação agora com as três. Só que não era! Foi muito difícil. Eu não sabia lidar, eu não sabia o que fazer. Quantas vezes fiquei no banheiro com as mãos no rosto pensando como seria a minha vida, se aquela sensação de impotência iria mudar. Eu olhava pra ela e queria colocá-la de novo de volta na barriga para me preparar um pouco mais para sua chegada.
Tantas vezes eu me vi quebrada sem reconhecer nenhuma parte de mim? Nem do corpo, nem tampouco da alma.
A questão é exatamente essa. Eu não consegui me reconhecer… Eu precisei aceitar que não dava para continuar da onde tinha parado. Eu era outra! Descobri forças e fraquezas completamente diferentes. Dia após dia, ninguém sabe o quanto caminhei por dentro sem sair do lugar. E não parei de caminhar…

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s