Queria muito ter tido esse bebê

em

Idade: 22 anos

Desabafo Anônimo: Olá! Há 6 meses perdi um bebê com 6 semanas de gestação. Era pra ser o meu primeiro filho. De lá pra cá tenho vivido entre lágrimas e a angústia. Queria muito ter tido esse bebê. Hoje sinto uma tristeza imensa, mas que prefiro guardar pra mim. Tenho medo das pessoas não saberem lidar com a minha dor e isso me fazer sentir bem pior. Queria fazer algo para me livrar de toda essa tristeza, me sinto emocionalmente cansada, cansado do choro, de dormir e acordar com o coração apertado e as lágrimas já caindo. Fico preocupada com meu esposo, não quero que ele sofra por me ver chorar. Não sei o que fazer…daria tudo pra que isso não tivesse acontecido comigo. Penso em ir no psicólogo mas não quero ouvir dele que sou muito nova ainda é que ainda vou poder ter outro filho. Ou que foi bom ter sido no início da gestação… nada disso diminui minha dor ou responde minhas perguntas… não sei o que fazer mas não quero mais continuar assim…

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1 comentário Adicione o seu

  1. Clarice Bittencourt disse:

    Olá! Obrigada por dividir esse sentimento são intenso e complexo que SÓ QUEM PERDEU UMA GESTAÇÃO SABE!
    Compartilho da mesma angústia!
    Tenho um filho de 6 anos, do meu primeiro relacionamento, engravidei no susto, tive dificuldade para aceitar a gestação, mas tudo se transformou quando meu filho nasceu! A maternidade desabrochou intensamente! Me separei, casei de novo e chegou a hora de esperarmos pelo segundo filho. Muitas expectativas, muito desejo para que não demorasse, mas demorou um pouco, engravidei em 2016 e perdi com 12 semanas. Foi tão difícil acreditar, aceitar, que não tive coragem de fazer curetagem, esperei e tive um aborto espontâneo 1 semana após o diagnóstico de que não havia mais batimentos do embrião. Eu havia feito a ultrassonografia sozinha, e mesmo sendo médica e sabendo que abortos acontecem em quase 1/3 das gestações no primeiro trimestre, eu simplesmente não conseguia acreditar! Saí da clínica me sentindo sem destino, sem chão, com vergonha de chorar, com vergonha de procurar pelo meu obstetra. Não sabia o que fazer. Saí andando sozinha na rua, só depois me liguei que eu precisava ir para casa e contar para o meu marido.
    O aborto aconteceu na véspera de uma viagem, eu estava em casa, não tive complicações e por isso não cancelei a viagem. Automaticamente e sem pensar, adquiri uma armadura, tentando amenizar uma dor que nem eu sabia a dimensão. Inconscientemente, não deixava meu pensamento se voltar para a perda e assim vivi semanas de fingimento. Mas TODO LUTO PRECISA SER VIVIDO! Infelizmente, as maior parte das pessoas NÃO sabe como ajudar, não sabe o que dizer para nos acalentar e soltam frases que só pioram a situação: “que bom que perdeu no início, poderia nascer uma criança doente”, “isso acontece mesmo, daqui a pouco virá outro bebê, desencana”, “Deus quis assim”, “não era a hora”, “olhe para o filho que você já tem, se sinta feliz por ele”. Por favor, quem estiver lendo esses depoimentos, absorva essa ideia: NUNCA MENOSPREZE O SOFRIMENTO ALHEIO. Só quem passa por aquela perda sabe como é difícil lidar, como é torturante sofrer tanto por uma gestação que infelizmente não se concluiu, a criança não existiu nos nossos braços, não conhecemos seu rostinho, mas mesmo assim já havíamos imaginado e criamos expectativas. Custei a conseguir olhar os itens de bebê que tínhamos em casa, até que comecei a fazer terapia e entendi que o sofrimento existe e portanto deve ser vivido para que assim, só assim, seja possível amenizá-lo. Entendam, perder um bebê que não chegou a nascer, nos coloca num buraco sem fundo. Chegou um ponto em que eu chorava ao ver outros bebês, gestantes, não conseguia assistir reportagens sobre maternidade. Quando voltamos a tentar engravidar, cada menstruação que chegava significava o insucesso. A TPM começou a atrapalhar muito minha vida, metade do mês eu me sentia triste e vazia. Fui perdendo a felicidade em muitas das minhas atividades cotidianas. E tudo acontecendo enquanto eu me torturava tentando aceitar que estava tudo dentro do normal. Apesar da compreensão do meu marido, o sofrimento dele é diferente do meu, mais racional. Infelizmente, não temos super poderes, somos fracos, além do gostaríamos, e como isso PRECISAMOS PEDIR AJUDA!
    Perder uma gestação nunca será um momento esquecido. Com o tempo, falar sobre o assunto se tornará menos doloroso, mas a memória infelizmente guarda as expectativas. E saber acolher uma mulher nessa situação é de extrema importância. Procurar pela terapia, por outras pessoas que viveram a mesma perda, tudo isso traz grande ajuda!

    Agora estou grávida novamente, com 5 semanas, 10 meses após o aborto, e me divido entre momentos de felicidade, ansiedade, medo e aflição. Estou desejando que os próximos meses passem rapidamente, que boas notícias preencham nossos dias e que tudo corra bem dessa vez.
    Poucas são as pessoas para quem contei a notícia, apenas para aqueles que eu sabia que me trariam bons pensamentos, fé, acolhimento, esperança.
    Aprendi que apesar das perdas da vida, devemos enxergar nossos fracassos, podemos sofrer e nos recuperar, de alguma forma, cada um no seu tempo, do seu jeito.

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