Estou enlouquecendo e não encontro ajuda

em

Mônica

Idade: 40

Desabafo Anônimo: Tenho três filhos e eles são a minha vida. Desejei cada um deles com toda a força do meu coração. Eu os amo incondicionalmente. São todos pequenos, com menos de 7 anos. Quero que sejam felizes mais que tudo e me proponho a tudo por isso. Mas não consigo. Eu sou uma péssima mãe. Eu grito com eles. Grito muito. Quando eu deito a noite sinto a garganta doer dos gritos que dei. Grito para pararem de brigar, grito para me obedecerem, grito para fazerem silêncio quando estou com dor de cabeça. Eu sei que está errado. Já li livros, participei de grupos na Internet, procurei ajuda com minhas amigas de confiança, peço ajuda para minha mãe. Meu marido, o pai deles, perde a calma as vezes, eles são difíceis e brigam muito. Mas a proporção é outra. Já tive uma briga feia com minha sogra por causa dos meus gritos. Mas ela tinha razão, eu grito muito. Simplesmente não consigo evitar. E por saber o quanto eu sou nociva a eles, as pessoas que eu mais amo no mundo, eu me desespero. Já bati neles, poucas vezes, mas que fosse só uma. Eles são só crianças. Mas eu bati. Entro em desespero de não ser obedecida, entro em desespero com as brigas. Quando eu tinha um filho eu gritava? Sim, eu gritava. Mas muito menos. Conseguia me controlar melhor. Tive mais um bebê e conforme cresciam brigavam. Brigam muito. Ninguém na minha família fica com eles, por que eles brigam o tempo todo. Aí me falam que eles brigam muito por minha causa, que são meu reflexo. E eu, na minha cabeça, penso que eu grito muito e me desespero muito por ter tanta briga na minha casa. Eu e meu marido nunca brigamos feio, nunca nos agredimos, nunca levantamos a voz um para o outro em mais de 10 anos de relacionamento. Por que os nossos filhos brigam tanto? “Tente pedir ajuda. A culpa é sua, seus filhos são seu reflexo, a culpa é sua, a culpa é sua.” Lutei muito contra isso. Considerando que eu não trabalho fora de casa e por isso passo muito mais tempo com eles do que qualquer outra pessoa e que ninguém quer ficar com eles nem para um mísero cinema (porque quem aguenta duas crianças que brigam o tempo todo?….Não é exagero.) a culpa ou a responsabilidade deve ser minha mesmo.

No ápice do desespero, penso que sou tão nociva a essas crianças que seria melhor eu morrer. Meu marido é o melhor homem do mundo: colaborativo, parceiro, bonito. Num instante poderia se apaixonar de novo e ter uma mulher que assumisse os meus filhos como dela. Seria melhor para eles. Depois eu respiro e imagino que esse grito foi o último, que a chinelada foi a última. Que eu nunca mais vou ser agressiva. E estudo mais sobre educação com apego e tudo o mais para ser calma e amorosa com meus filhos tão amados. E me esforço. Muito. Até aquele dia que eu tenho que cozinhar, tenho que passar aspirador, tenho tanto trabalho pra fazer, tanto. E eles começam a brigar. E eu separo. Converso. 5 minutos depois, de novo. Tira a panela do fogo, desliga tudo, separa outra briga. Meio dia e nada de comida, de tanta interrupção, e a bebê chora de fome. E mais uma briga, separa. E outra, separa. Outra briga. Passa pomada nos machucados, poe gelo na testa. Dá comida. Chutes por debaixo da mesa, outra briga. Mais uma briga, Outra. Outra. E quando eu vejo os gritos estão saindo como se eu não fosse dona deles. E eu grito implorando para que parem. Grito. Grito. Ofendo eles. Falo pra eles que eu queria morrer, que não aguento mais tanta briga. E eu não aguento mesmo. Procurei terapia, mas não podia pagar. Procurei pra mim, porque imagino que o mundo deve ter razão, a culpa é minha certamente. De quem mais seria? Eu sou uma péssima mãe. Estou enlouquecendo e não encontro ajuda. Juro. Juro que procurei. Mas só encontrei julgamentos e coisas do tipo: seus filhos são o seu reflexo. Ou algum sinônimo. Tenho uma pilha monstruosa de problemas que nem vou entrar em detalhes, pois seria reconhecida por algumas pessoas e este relato deixaria de ser anônimo. É isso. Sou uma péssima mãe. Grito muito. Sou agressiva. Meus filhos não merecem. Penso que seria melhor para todos que eu deixasse de existir.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Clarice disse:

    Olá, Mônica.
    Imagino seu imenso desespero!
    Difícil dizer algo que seja milagroso, que faça total sentido e que transforme a sua vida facilmente, não…. Mudar NUNCA é fácil.
    E veja, quantas tentativas você procurou! Você não aceitou ser assim. Enxergue que você está assim, por fatores que talvez você ainda nem tenha compreendido, enxergado completamente.
    Você vive numa família, são três filhos, você e seu marido.
    Cada um de vocês influencia na vida um do outro. Isso significa que as vezes um comportamento se inicia por um motivo qualquer, é recebido bem ou mal pelo outro indivíduo e daí vai ganhando proporções imensas.
    Tente enxergar que todos podem ajudar, você não tem como receber a culpa única e exclusiva. Claro que resolver qualquer problema na base do grito não ajuda em nada e ficou nítido que você não se orgulha disso. Está tentando mudar e precisa de ajuda!
    Olhar mais para você, melhorar sua auto-estima, lhe dar diariamente minutos de uma boa solidão (para esvaziar seus pensamentos e recarregar sua paz), procurar mudanças que aumentem seu domínio sobre os filhos (e isso não depende de voz alta ou de força física), começar por pequenas mudanças na rotina de casa que dificultem os embates entre os filhos; dividir com as crianças responsabilidades que elas possam assumir de acordo com a idade e que assim recebam reforço positivo; dividir o problema com seu marido e familiares que realmente possam lhe ajudar a achar soluções e serem presentes nas mudanças.
    A sua perda de controle talvez seja consequência e não a causa do problema.
    Se fortaleça!

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