Meu sonho foi pelo ralo

em

K. 2 filhos. Desempregada.

Idade: 29

Desabafo Anônimo: Estou em uma situação em que não posso contar com ninguém e eu não sei como sair disso. Fui criada em um lar mega machista, onde minha mãe foi maltratada e traída a vida toda e nunca se separou, sempre abaixou a cabeça “porque homem é assim mesmo”. Enfim, fui induzida a acreditar que amor era aquilo ali. Logo, qualquer demonstração de “amor” por quem quer que fosse, eu me apaixonava. Tive uma criação bem rígida, creio eu que por além do machismo encrustado em toda a família, minha mãe tinha medo que eu passasse pelo o que ela passou a vida inteira, mas por não termos diálogo, nunca tive noção disso.
Em 2006 conheci meu marido, cinco anos mais velho que eu, uma separação recente e um filho de quase dois anos. Me envolvi e, por ingenuidade, me apaixonei.
Namoramos por quatro anos, tudo tranquilo, indo bem, a parte do namoro foi um período bacana, porém eu não estava pronta para viver aquilo, já que eu nunca nem tinha posto o pé pra fora de casa e estava fazendo faculdade e descobrindo o mundo. Quis terminar, mas não tive coragem, fiquei com dó e ele era tão bacana. Adiei.
Por problemas financeiros e com meu pai, abandonei a faculdade, pois não conseguia mais pagar. Meu sonho foi pelo ralo.
Em 2010 nos casamos e então as coisas começaram a ficar mais evidentes. Descobri traição com um mês de casada e fiquei com vergonha de me separar. Fui obrigada a abraçar o papel de madrasta/mãe do filho dele e por esse motivo hoje não me dou bem com o menino. E quando consegui um emprego legal, com salário legal, ao invés de voltar pra faculdade, decidi investir no conforto da nossa casa.
O tempo passou e hoje quando olho pra trás, vejo que todas as oportunidades que tive para fazer algo por mim, fiz por nós. Quando finalmente pude pensar em comprar meu carro, voltar a estudar e cuidar de mim, engravidei, e então passei a cuidar da minha filha. Paguei tudo sozinha. De enxoval a pré-natal, parto e tudo mais.
Nesse período, ele estava tentando estruturar uma empresa em outro estado, e inclusive, passei a gravidez inteira sozinha aguentando tudo calada, para incentivá-lo. Quando ele voltou, uns 10 dias antes da nossa filha nascer, voltou falido. Eu aguentei o rojão e nem sei como dei conta de lidar com puerpério, um bebê high need e dificuldades financeiras.
Quando ele conseguiu se reerguer, saí do trabalho e passei a trabalhar em casa. Nesse tempo, as coisas foram de boas a péssimas. Meu trabalho acabou afundando devido a quantidade de tarefas a mim delegadas (casa/filha/marido/trabalho), a minha exaustão e a crise financeira. Quando eu estava já no fundo do poço sem saber como recomeçar, me descobri grávida de novo. Uma ovulação tardia, remédio que falhou aquele mês e pimba. Estou eu aqui de 9 meses numa profunda melancolia, passando os dias me sentindo inútil.
Meu casamento, hoje vejo que nunca foi bom. Sempre tivemos crises com ameaças de separação por variáveis motivos. Ele sempre quis impor sua forma de viver para mim e eu nunca aceitei, mas agora me sinto acuada, porque simplesmente não tenho uma segunda alternativa e ele sabe disso. Hoje eu olho para trás e vejo quantas vezes eu quis ir embora e não fui por comodismo. Não gosto de quem me tornei, de como minha vida anda e do reflexo disso na vida da minha filha e na vida do meu próximo filho. Desde que minha filha nasceu, meu marido mudou muito. São noites fora de casa, viagens a passeio sozinho, intolerância conosco. Já não consigo mais ter uma conversa de igual para igual com ele. Ele se vê superior, sabe que me tem na mão, que eu não tenho outra alternativa a não ser continuar por aqui. Está em uma fase de ascensão financeira astronômica e isso o faz ficar mais soberbo e arrogante.
Ele sempre tem algo mais importante para fazer na rua, por estar sempre com a cabeça fervilhando, não tem tempo para nossa filha e já disse que eu terei que me virar no resguardo porque não pode me ajudar e não tenho outra pessoa com quem contar (assim como no resguardo da minha filha. Quem ajudou em casa foi ele, porque não tive apoio de mais ninguém) e conta cada centavo que deixa em casa para nos mantermos.
Apesar de dizer que nós somos tudo o que importa para ele (família), eu me vejo cada vez mais sozinha, cada vez mais infeliz, cada vez mais na mão dele por falta de oportunidade e por ter que cuidar da nossa filha sozinha e estar grávida de outro bebê, cada vez mais carente e acuada.
Não tenho forças para dialogar, para defender meu ponto de vista, já não tenho autoestima, me sinto um lixo e incompetente e já pensei em me matar duas vezes, porém, não posso deixar minha filha sozinha nesse mundo. Me sinto até ridícula em dizer isso, mas a tristeza me invade às vezes de uma forma enlouquecedora. Me sinto sem alternativa. Já pesquisei, já tentei recomeçar, mas não consigo sair do lugar e não tenho apoio de ninguém, nem com quem conversar.

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2 comentários Adicione o seu

  1. Só de você ter feito tudo ate hoje sozinha, já é uma grande vitoria, sei que esta difícil as coisas, mas seus filhos vão crescer, e te dar muita alegria, e assim que eles tiverem na escolinha, procure um emprego e retome seus sonhos! Você é uma MÂE! isso é muita coisa, você é a pessoa mais importante na vida da sua filha , e do seu filho que esta para chegar. Se ocupe com eles, e aguente firme a situação com seu marido, e assim que você conseguir se reerguer de um pé na bunda dele e se liberte, mas faça tudo com calma e secretamente, não se estresse com ele . Recomeçar é para todo mundo , e em qualquer hora! Quando se sentir um “lixo” (que é apenas um sentimento , pq vc não é um lixo), faça as unhas, escove o cabelo , toma aquele banho bem perfumado, passa um batom bonito em seus labios, coloque uma musica que você goste, vá ao mercado e compre alguma coisa bem gostosa. Pense no momento em que você se sentiu mais importante e poderosa. Lembre-se ESSA MULHER NÃO MORREU ! Você pode dar a volta por cima ainda! Não se sinta inferior , de forma alguma.

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  2. Gisele disse:

    Você não consegue enxergar que fez até agora tudo sozinha, olhe no espelho e veja a pessoa que vai te ajudar, quanto ao teu marido ele não te tem nas mãos você é que se colocou lá, ele tem obrigação de ajudar no seu sustento e das crianças, você é capaz sabe o que quer , quer ouvir então lá vai – já criou um filho sozinha já sustentou uma casa sozinha não se acomode batalhe por uma vida, viva , não se deixe iludir por um casamento que está falido, não perca mais vida se anulando filhos são bênçãos são instrumentos de ensinamentos nos elevam mostram como somos fortes, você é forte diga sua vida com seus filhos e verá que tudo vai se ajeitar, não são as crianças que te atrapalha a vida é sim o adulto que te empurra para baixo.

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