Sei que a culpa não é minha

em

Nome, quantos filhos e profissão: Anônima

Idade: 39

Desabafo Anônimo: Eu sinto vergonha de vir aqui desabafar com tantos casos piores que o meu, mas eu não sei para quem falar e meu coração dói demais.
Meu pai foi alcoólatra desde que ele tinha 11 anos até 2 anos antes da minha filha nascer. Vivíamos longe da família e minha mãe me deixava aos cuidados da vizinha de vez em quando, quando precisava sair e eu não podia ir junto. Fui abusada pelo filho da vizinha nessas vezes. Só contei recentemente pois tinha vergonha e achava que a culpa era minha, como dizia o abusador.
Meu pai me chamava de vagabunda toda noite no jantar, sem motivo nenhum, apenas por ser mulher.
Por causa disso tudo minha auto estima era muito baixa e só fui arrumar um namorado pela internet aos 21 anos e perdi a virgindade aos 22 anos. Ele era de outra cidade e vivíamos nos vendo a cada 15 dias. Quando me formei, saí do meu trabalho e fui passar uma temporada com ele, trabalhando junto e morando num quarto da casa dos pais, onde moravam também 2 irmãs, uma com problemas psiquiátricos. Engravidei aos 24 anos. Ele, que me obrigava a ir à academia pois não queria mulher gorda, ficou com nojo da minha barriga de grávida. Voltei para a casa dos meus pais e ele não foi ficar comigo quando nossa filha nasceu. Fiquei sozinha na maternidade pois meu pai demandava cuidados após um derrame. A irmã conheceu primeiro a bebê do que ele. Após quase uma semana ele apareceu e registrou a filha que havia voltado ao hospital e estava internada. Ficamos no mesmo esquema do namoro, eu passava temporadas lá trabalhando sábado, domingo e feriado e nossa filha ficava assistindo desenhos no computador. Meu Deus, que arrependimento! Eu fazia para que pudéssemos ter nossa casa. Mas não era esse o foco dele. Eu havia achado alguns papéis comprovantes de pagamento com cartão bem esquisitos mas acreditei quando ele disse que “eram agrados pro cliente”. Voltei pra casa dos meus pais e, quando nossa filha tinha 4 anos, ele terminou comigo, por telefone, no dia do meu aniversário. Eu desmoronei. Não conseguia mais trabalhar, nem comer, só chorar. Em 3 meses perdi 20 kilos! Ele abaixou meu salário a quase nada alegando que eu não trabalhava e só enrolava. Pagava 200 reais de pensão. A ex-amante, agora noiva, me ligava de madrugada e não falava nada, terror psicológico.
Minha mãe rezou, me levou ao médico e comecei com antidepressivos.
Melhorei, arrumei um emprego numa terceira cidade e me mudei. Minha filha pedia para falar com o pai, eu ligava e ele desligava o telefone. Soube que um dia a noiva viu uma chamada e jogou o celular na água. Ele marcava visitas e não aparecia. Ficou 10 meses sem ver a filha.
Eu conheci outra pessoa, namorei e casei. Ele vai nas consultas médicas da minha filha comigo, pois ela tem uma doença crônica. Vai às reuniões. Fica acordado comigo durante as crises. Acalma a menina, pesquisa remédio e paga muitas despesas dela.
Agora precisamos inclui-la nos benefícios da empresa dele pois a situação financeira não permite mais pagar a parte. Precisamos que ele tenha a guarda. Pedi ao pai que quer barganhar a redução da pensão em troca do OK da guarda para o meu marido. A pensão não é muita coisa e cobre só uma parte do custo dos gastos fixos com remédios e produtos. Tem a escola, alimentação diferenciada, remédios (caros) avulsos, roupas, sapatos terapia, etc.
Ele não vai gastar nenhum centavo a mais, não vai perder nenhum direito dando OK para a guarda ser oficialmente do meu marido, pois já é de fato. Ele está de namorada nova e penso que talvez queira reduzir a pensão para poder gastar mais com ela.
Ele nunca foi pai, porque quer nos atrapalhar?
Nunca neguei que a visitasse. Somente pergunto a ela se ela quer vê-lo antes de concordar. Algumas vezes ela não quis pois disse que ele é um estranho para ela. Com essa nova namorada ela se sente mais confortável em passear com os dois.
Por que tanto egoísmo e maldade dele? Por que não se preocupa com o bem estar da filha ao invés de ser ruim por ser ruim? O que leva uma pessoa a ser tão mesquinha? Por que? Por que? Por que?
Sinto-me exausta, envergonhada de um dia ter gostado de uma pessoa assim, e envergonhada diante minha filha pelo o que o pai faz pra ela. Sei que a culpa não é minha, é dele, mas é o meu sentimento.
Obrigada a todas por lerem.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Beatriz Ferreira disse:

    Não sinta vergonha, somos humanas e erramos, infelizmente existem muitos homens bobos, ele ter nojo da barriga de grávida, que é tão lindo, faz ele mais idiota ainda, foca na sua filha, ele vai abaixar a bola com o passar do tempo, só é preciso um pouco de paciência

    Curtir

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