Acolhimento livre de julgamento

em

Por Roberta Fabron Ramos Mandelli – 07 maio de 2017

Entrei para a Temos que falar sobre isso há menos de 1 ano, motivada pela vontade de ajudar a espalhar a ideia da ONG, que é uma das coisas mais lindas que já vi. Quando eu conheci a ONG, eu buscava relatos que me fizessem entender melhor o processo de perda gestacional pelo qual passei e o qual, mesmo depois de ter tido um filho, eu ainda não havia superado.

O meu encantamento foi automático! Como descrever um local em que mulheres que nunca se viram na vida tornam-se tão solidárias? Como descrever a sensação de encontrar pela primeira vez relatos que pareciam ter sido feitos por você mesma?

E quando eu comecei a atuar e a ler tantos desabafos, tantas histórias, tantas vivências, passei a ter a real dimensão do poder das palavras “acolhimento livre de julgamento”. As mulheres que desabafam não querem, não podem lidar com mais um juiz em suas vidas. Elas desejam acolhimento, o mais puro e simples. E talvez nos nossos afazeres diários não nos damos conta de como isso é necessário.

Não nos damos conta de que apenas falar sobre o que nos machuca pode ser libertador. Não nos damos conta de que saber que outras passam pelas exatas sensações pode ser um alívio sem tamanho.

Nesses dois anos, a Temos que falar sobre isso trouxe da maneira mais singela e honesta esta possibilidade para perto das mulheres: a possibilidade de se reconhecerem na dor alheia e de, com o silêncio de uma reação ao post ou com um comentário de suporte, abraçarem de longe aquela que mesmo desconhecida nos soa tão familiar.

Tem como ser mais lindo que isso? Criar uma rede, um oásis em meio ao caos de tantas vivências sofridas, de tantas dores e de tantas angústias.

Sou infinitamente grata por fazer parte disso. Sou grata por cada desabafo, por cada curtida, por cada comentário, por cada momento de aprendizagem e de compartilhamento.

Continuemos a falar sobre isso! Continuemos nos acolhendo! Continuemos não julgando!

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1 comentário Adicione o seu

  1. Beatriz disse:

    São duas para meia noite,e sempre nessa hora que minha pequena entrou em sono profundo, eu venho aqui, sempre a fim de deixar uma palavra amiga, me encontro aqui, tento deixar nas minhas palavras acolhimento, carinho, afeto de amiga, não exagero quando do que
    queria poder abraçar cada uma, dizer que tudo vai passar, porque as vezes nós só que ouvir de alguem que essa fase ruim vai passar.

    Curtir

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