Eu tenho que agradecer às mulheres

Mulheres, mães e meninas. Todas vocês. Anônimas, Julianas, Elisas, Anas, Teresas, Paulas, Marias, Carolinas, Fernandas, Cristinas…
 
Vocês que deixam um pedaço da alma, as angústias, os medos, as dores, as dúvidas, os choros, os gritos de socorro em relatos cheios de realidades tão difíceis de enfrentar todos os dias.
 
Mães que não encontram apoio, ouvidos, abraços e que precisam desabafar a cruel vivência que pode ser transformar-se em mãe em uma sociedade cheia de cobranças e expectativas irreais enquanto choram sozinhas em suas casas isoladas acreditando estarem fazendo tudo errado.
 
Mães que não conseguem dar conta sozinhas das milhares de demandas em casa, no trabalho, na vida de cada dia com um bebê que não é nada daquilo que os comerciais mostram.
 
Mães despedaçadas por não poderem amamentar, por terem que voltar ao trabalho com um bebê recém-nascido, por não poderem dar a comida orgânica, a escola Montessori ou dedicarem seu tempo exclusivamente ao bebê nos primeiros anos de vida.
 
Mães que deram um grito com o filho ou com a filha porque a criança está pedindo atenção enquanto elas não sabem se vão conseguir pagar todas as contas sozinhas no final do mês, trabalharam o dia todo pensando na cria e voltaram pra casa preocupadas com o trabalho sem saber se vão conseguir tomar um banho e “serem vaidosas” como se exige constantemente, e depois choram de arrependimento e vergonha por terem dado aquele grito.
 
Mães que recebem olhares de reprovação, dedos apontados, cargas extraordinárias de culpa por não serem boas o suficiente aos olhos do marido, da amiga, do chefe, da sogra, da família, do desconhecido, da sociedade.
 
Mães que não são permitidas sofrerem o luto de perder um filho seja no ventre, seja no parto, porque afinal, “foi melhor assim”, “não era pra ser”, “logo logo você tem outro”.
 
Mães silenciadas por pessoas que acreditam que sabem mais do que elas mesmas sobre seus filhos, suas necessidades, sua felicidade.
 
Mulheres que estão em relacionamentos abusivos e violentos e não sabem como sair dessa, que precisam escutar que a culpa ainda por cima é delas por não cairem fora ou denunciarem esses trastes.
 
Mulheres sofrendo nas mãos de homens que se consideram seus donos, que as diminuem, que as fazem acreditar que estão loucas.
 
Mulheres que deixaram de acreditar em si mesmas por medo de não serem aceitas tal qual elas são.
 
Meninas que sofreram abuso sexual dos próprios pais, parentes, amigos da família, namorados, irmãos, professores.
 
Meninas que não gostam do seu corpo e sofrem com o preconceito diariamente.
 
Meninas que foram desencorajadas a se amarem e se conhecerem, que foram programadas a fazerem “coisas de meninas” e não são permitidas escolherem seu próprio caminho.
 
A todas vocês eu deixo o meu mais sincero pedido de desculpas. Por essa sociedade hipócrita. Pelas opressões que vivemos diariamente. Por não conseguirmos entrar em contato com cada uma de vocês. Pelas vezes que eu mesma oprimi outras mulheres por estar inserida nesssa sociedade machista enraizada em todos nós.
 
Eu me desculpo e agradeço pela confiança, pelo apoio que é oferecido aqui de maneira desinteressada, pelo acolhimento quando eu estive em situações desafiadoras e achei que fosse quebrar em mil pedaços.
 
Agradeço por cada palavra, cada sentimento expressado nos mais de 1000 desabafos deixados por vocês.
 
Agradeço e me desculpo se falhei a algumas de vocês.
 
Estamos unidas, estamos juntas, estamos fortes.
Se você que está lendo esse texto precisa Desabafar basta clicar aqui para ser ouvida e acolhida sem julgamento
 
Um beijo com muito carinho nesse segundo ano de vida da ONG Temos que falar sobre isso, se não fosse por vocês a ONG não existiria.
 
Thais Cimino
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