“Minha filha, você não precisa ser uma ‘boa menina”

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Texto de Myriam Moya Tena, publicado em 2 de maio de 2017. Traduzido livremente de La intuición de las brujas.

Minha filha, você não precisa ser uma “boa menina”, porque as crianças são crianças, não são boas, nem más, e desde que você nasceu, sei que você é mágica e única, como cada menino/a que nasce… Você só tem que ser você.
Sei que para você não existem as palavras “bom” e “mau”, e nem sequer as expressões “portar-se bem” ou “portar-se mal”. Sei que isso você não vai aprender em casa, mas você está na escola e se relaciona com gente de todo tipo, e essa visão “branco ou preto” do mundo – que tanto agrada os adultos – algum dia chegará a você.
Você precisa saber (e vamos lhe explicar) que cada pessoa age em cada momento o melhor que pode, e que todas as suas ações são suas, você tem o direito de estar cansada, de ficar triste, de estar contente, nervosa, ter medo, ser feliz… todas as suas emoções são válidas e lhe ajudam a avançar em seu próprio caminho. Seu pai e eu teremos prazer em estar ao seu lado para lhe acompanhar no que precise.
Filha minha, você me ensinou a viver minhas emoções (inclusive as negativas) e, sobretudo, a me libertar delas, a não me apegar… exatamente assim. Viva as suas como você tem feito sempre e as deixe ir. Que o centro da sua vida seja você e não os demais (nem mesmo eu ou seu pai) porque quando você está focada, a harmonia e a empatia prevalecem. Você mesma nos demonstra isso no dia-a-dia.
Obrigada, filha, por seus dias de revolta, que servem a nós todos como um espelho; obrigada por nos fazer crescer como família; por seu enorme manejo das emoções, apesar de sua pouca idade; por sua sabedoria nos conflitos; por tanto amor incondicional; por tanta paz.
Eu fui uma “boa menina” e como mãe, lhe libero de ter de sê-la, porque não é saudável.
Ser uma “boa menina” significa ceder parte do controle de sua vida por conta dos demais; tentar agradar as pessoas que você mais ama, de maneira inconsciente, à custa de dor ou injustiça; obedecer aos mais velhos (pais, professores etc.) deixando de lado seus próprios desejos; não se permitir ao cansaço, nem à raiva.
Ser uma “boa menina” significa cair no papel de ser muito madura para sua idade e perder parte da sua infância. Significa buscar a perfeição e a excelência, uma armadilha do mundo para cortar asas.
Filha minha, ser uma “boa menina” significa (às vezes), infelizmente, ficar doente. Adoecer para escapar da pressão de um mundo familiar e escolar que limita a própria criatividade, a liberdade e o jogo de experimentar a vida, que põe em uma gaiola os seus próprios desejos e algumas emoções, sob o pretexto de que é para o seu próprio bem.
Eu fui uma “boa menina” que sobreviveu (hoje posso dizer que sou uma adulta desobediente e criativa), mas sofri um bocado no caminho.
Eu fui uma “boa menina” que soube ter a companhia de bons terapeutas e crescer. Como mãe, eu lhe libero de tudo isso:
Eu lhe libero da chantagem emocional que não estamos lhe ensinando.
Eu lhe libero de algo que você desconhece: os prêmios e castigos, que, infelizmente, regem uma parte do mundo e do sistema educacional tradicional.
Eu lhe libero do “se você (não) fizer isso, eu vou me cansar, eu vou embora ou eu não te quero”.
Eu lhe libero do “porque eu digo que sim” ou do “porque eu sou seu pai/mãe”.
Eu lhe libero da necessidade de agir para agradar os outros, incluindo eu mesma e seu pai.
Eu falarei (e discutirei) com quem for necessário: educadores, professores, conhecidos, família… e você sempre me terá ao seu lado, porque a única coisa que quero e aspiro é que você seja feliz…
Como uma mãe loba que sou, defenderei sua LIBERDADE.

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