O desafio não é o jogo da Baleia Azul

Uma coisa é o JOGO DA BALEIA AZUL. Outra é o DESAFIO de assimilar qual é realmente a razão para a morte dessas crianças e adolescentes.

Jovens estariam se mutilando física e emocionalmente por conta (exclusivamente? será?!) de um desafio propagado via redes sociais chamado Blue Whale (BALEIA AZUL no Brasil).

O perfil dos menores varia predominantemente entre 12 e 16 anos, mas há relatos de crianças de 10 anos participando da dinâmica.

Os primeiros casos foram reportados na Rússia onde supostamente 130 suicídios foram motivados pelo jogo disseminado em sites e via rede social (na Rússia o VK faz as vezes do Facebook).

A história da Blue Whale teria começado com a morte de Rina Palenkova, 17 anos, que cometeu suicídio nos trilhos do trem da cidade de Ussuriysk e, poucos segundos antes, postou uma foto no VK com a palavra “Adeus”.

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A imagem de Rina foi amplamente divulgada com o boato de que ela faria parte de uma seita suicida e embora inicialmente nenhum dos grupos das redes sociais e sites que se mobilizaram em torno de sua morte tivesse relação com a ideia de suicídio em massa, a coisa desandou, aparentemente quando um dos sites, o F57, colocou no ar um cronômetro com contagem regressiva de 70 dias até determinada data na qual todos deveriam cometer suicídio coletivo.

Segundo matéria do site “verdade absoluta” Filipp Lis, criador do F57,  não pretendia que os adolescentes se suicidassem, queria apenas promover suas páginas no VK para ganhar dinheiro utilizando Rina Palenkova, o que fez vendendo páginas clonadas da jovem, reposts, vídeos, fotos de seu túmulo e screenshots de sua correspondência

O F57, diga-se de passagem, não foi a única página do VK inteiro, e nem mesmo o único site de Filipp Lis, criado com esse propósito de lucrar com a onda macabra que se tornaria o Blue Whale.

O fato é que 130 jovens que se suicidaram na Russia entre novembro de 2015 e abril de 2016 e todos eram parte dos mesmos grupos na internet.

A questão é: eles se suicidaram porque eram parte dos mesmos grupos ou eram parte dos mesmos grupos porque eram suicidas potenciais?

Diante de outras dúvidas o que é certo, todavia, é que a Baleia Azul é real.

Acontece que o suicídio infanto-juvenil também é MUITO real.

O Governo russo informou que 720 menores se suicidaram em 2016 e explicou que as causas principais foram amor não correspondido, problemas familiares e problemas de saúde mental. Deste total, segundo o Governo da Rússia, apenas 0,6% teriam relação com internet e mídia social.

O problema da Baleia Azul é que se beneficia da falta de informação dos jovens, de seus problemas familiares e sociais, carência, depressão, solidão, insegurança, necessidade premente de chamar atenção e de autoafirmação (o mero status de ser uma baleia tem atraído crianças e adolescentes).

No Brasil, os menores costumam ser abordados via Facebook ou WhatsApp pelos gestores do jogo (chamados “curadores”) com dados captados da internet sobre eles próprios como nome, endereço, escola, nomes de amigos próximos/irmãos/pais, idade, etc…

Outras vezes são os próprio menores, curiosos ou desafiados a entrar no jogo, que procuram os grupos e tentam contato com os curadores .

Alguns jornalistas brasileiros tentaram se passar por adolescentes e entrar em contato com os curadores, sempre com um nível relativamente baixo de sucesso. O que conseguiram foi descobrir que existem outras pessoas “infiltradas” nestes grupos (até se passando por “curadores”) para tentar ajudar crianças e adolescentes com ideias suicidas e o preocupante é que há adolescentes que afirmam que não querem mais viver desde o início; isto é: nestes casos seria mesmo possível culpar o desafio da Baleia Azul?

Uma vez no jogo, a regra é que, teoricamente, não é permitido sair. Daí, as próprias fotos (provas de realização das tarefas passadas pelos curadores, como, por exemplo, cortar os braços, lábios e pernas ou desenhar uma baleia com uma gilete) enviadas pelos jovens e prints das conversas seriam ferramentas de constrangimento para que eles continuassem o programa até que completassem as 50 tarefas, a última delas sendo o suicídio.

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Sem dúvida, os sinais físicos e comportamentais do “desafio” são relativamente fáceis de observar. Além da automutilação já descrita, há obrigatoriedade de assistir filmes de terror e ouvir músicas específicas, de passar um ou mais dias inteiros sem falar qualquer palavra, subir em telhados, furar-se com agulhas, sempre se comunicar com os curadores em um horário específico (4:20 da manhã). Algumas destas tarefas também devem ser realizadas em horas determinadas (4:20 da manhã).

Não há como prever se haverá alguma tentativa de retaliação contra o jovem que resolver desistir do jogo, mas a probabilidade é de que esta não passe de uma ameaça vazia. De todo modo, a vergonha e o medo são travas poderosas, junto à sensação de desemparo – isso para os que realmente não querem morrer; e muitos pensam que querem.

Por isso, o mais importante é não deixar chegar a tanto: conversando com as crianças e adolescentes e transmitindo-lhes informação, segurança e amor. Explicando que eventuais ameaças e conhecimento de informações pessoais por estranhos devem ser encaradas junto aos pais, sem medo e sem segredo; exortando o valor da vida e a irreversibilidade da morte.

Aliás, neste sentido, vale a pena dar uma olhadinha na reflexão da Letícia Contilde sobre isso.

A SAFERNET oferece um serviço gratuito de escuta, acolhimento e orientação especializada destinado a crianças, adolescentes, pais e responsáveis que estejam vivenciando alguma situação de risco ou violência online. Sua equipe de psicólogos está disponível das 14h às 18h através de chat ou por e-mail, em  www.canaldeajuda.org.br.

Identificadas lesões físicas nos seus filhos ou qualquer situação acima reportada como prática do “jogo”, é preciso lavrar um BO e, se possível, atas notariais para formalizar as publicações na internet e conversas no WhatsApp como provas. De posse disso, procurar um advogado ou se orientar perante a autoridade policial ou Ministério Público sobre como identificar os cibercriminosos que também responderão por “induzimento ou instigação ao suicídio”.

Que este momento de enfrentamento, medo e dor – trazido à tona pela Baleia Azul (mas não criado por ela) – seja considerado uma oportunidade de endereçar um problema que não é novidade e que, como tal, não pode ser atribuído exclusivamente ao jogo.

Que esta oportunidade seja abraçada como aprendizado para o resgate de valores esquecidos ou negligenciados porque outros desafios tão destrutivos quanto ou piores que a Baleia Azul virão – isto é certo – e a facilidade de propagação destes só tende a aumentar.

A única coisa que depende de nós é se encontrarão ou não um público receptivo ou despreparado para enfrentá-los.

Quem quiser ler mais e saber de onde vieram as informações neste texto:

https://www.tecmundo.com.br/crime-virtual/115715-alerta-cibercriminosos-obrigam-criancas-participar-jogo-baleia-azul.htm

http://www.gazetadopovo.com.br/blogs/bad-bad-server/jogo-baleia-azul-eu-tentei-jogar-o-game-de-suicidio-e-o-resultado-e-surpreendente/

http://oglobo.globo.com/sociedade/o-que-se-sabe-ate-agora-sobre-jogo-da-baleia-azul-21236180

http://www.verdadeabsoluta.com/2017/04/verdade-sobre-o-jogo-desafio-da-baleia-azul-blue-whale.html

http://www.flagrou.com/2017/04/blue-whale-quais-os-50-desafios-do-jogo.html

https://temosquefalarsobreisso.wordpress.com/2017/04/20/sobre-a-baleia-azul/

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