Nós compartilhamos dos mesmos sentimentos

Anonima,1 filho funcionária pública

Idade: 28

Desabafo Anônimo: Minha gravidez foi planejada e muito desejada por mim e meu marido. Já estávamos casados há quase quatro anos e juntos há sete anos. Foram nove meses lindos! Eu me sentia plena, nada me abalava e meu marido sempre presente, curtindo cada momento comigo. Nosso menino nasceu com 39 semanas de gestação, por meio de uma cesariana, mas levei um choque o colocaram perto de mim, ainda na sala de parto. Ele nasceu com lábio leporino, do lado direito. Não fiquei sabendo na gravidez e até que a pediatra o examinou e confirmou que ele não tinha fenda palatina, mas somente a fissura labial, foi uma eternidade. Nos primeiros dias foi difícil pra mim. Ficava me perguntando se poderia ter evitado que isso acontecesse..se poderia ter me alimentado melhor, enfim! Minha mãe e meu marido foram maravilhosos comigo durante o puerpério. Tive dificuldades com a minha sogra que sempre nos criticava pela forma como estávamos aprendendo a lidar com nosso filho e a conhecê-lo. Adorei amamentá-lo, mas consegui somente por dois meses, pois não tive leite suficiente. Ele começou o tratamento da fissura labial com um mês de vida e fomos acolhidos por uma equipe médica extremamente humana. A correção foi realizada aos cinco meses e mesmo sendo um procedimento relativamente sem riscos, meu coração de mãe não se aquietava. Mas meu pequeno reagiu tão bem! Não perdeu peso, não rejeitou a mamadeira. Mas confesso que me perdi de mim por um tempo. Não conseguia me ver em outros papéis que não fosse o de mãe dele. E ano passado, quando fui tentar retomar esses papéis, descobri que não seria fácil. Trabalhava, cuidava dele, da casa, do meu marido e tentava estudar para um concurso. O resultado de tanta pressão foi uma ansiedade difícil de controlar, um medo enorme de faltar pro meu filho e ele ter que ser criado por outras pessoas. Comecei a tomar ansiolítico e remédio pra hipertensão. Hoje, quase um ano depois disso, ainda continuo em tratamento. Meu filho já está independente pra algumas coisas, fala de tudo, está saindo da fralda. Mesmo assim, tem dias que sinto uma insegurança grande, que me culpo por ter minha profissão e gostar do que faço. As vezes penso que seria mais simples ser somente a mãe dele. O que digo para as mães que lerem este relato é que elas não estão sozinhas neste turbilhão de emoções que é a maternidade. Todas nós compartilhamos dos mesmos sentimentos. Aos poucos é possível retomar aquilo que nos faz bem e ao mesmo tempo amar nossos filhos, sem culpas. Sei que nem sempre é fácil e que as vezes eu mesma não consigo. Mas quando ele me olha, me chama de mamãe e diz que me ama, sei que não poderia ter feito uma escolha melhor em minha vida.

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