O pré-natal psicológico: precisamos começar a exigir como politica de saúde pública

Você já ouviu falar sobre o que é o pré-natal psicológico? Uma boa parte da população e até mesmo profissionais da saúde mental, nunca ouviram falar sobre essa prática.
Arrais (2016 p.103) define o pré-natal psicológico como “uma prática – complementar ao pré-natal biomédico – voltada para o atendimento psicológico das gestantes, a qual também estimula a integração de seus familiares nos cuidados desenvolvidos ao longo do ciclo gravídico-puerperal”.
Infelizmente essa prática não é uma realidade em nosso país, onde cerca de 41% das gestantes apresentam sintomas de Transtorno Mental Comum (SILVA et al., 2010), 25% das gestantes apresentam sintomas de depressão na gestação (SCHIAVO, 2016; PEREIRA e LOVISI, 2008), 36% sintomas de ansiedade (SCHIAVO, 2016; ARAÚJO; KAK e PIMENTA, 2008) e 62% sintomas de estresse na gestação (RODRIGUES e SCHIAVO, 2011; SCHIAVO, 2016).
Todos esses problemas de saúde mental na gestação colocam em risco a saúde materno-infantil. Para a gestação os maiores riscos são de nascimento prematuro e baixo peso, para a saúde do bebê após o nascimento, ser filho de mãe que apresentou algum desses problemas de saúde mental aumentam os riscos para atraso no desenvolvimento, podendo estender os prejuízos até a vida adulta e para a mulher o não receber tratamento adequado e apoio social quando se apresenta qualquer problema de saúde mental na gestação, esse pode ser cronificado e continuar a perturbar a mulher no pós-parto.
Mulheres que desenvolveram algum problema de saúde mental na gestação, e não receber o tratamento adequado, terá mais chance de continuar a apresentar o problema no pós-parto, muitas vezes em uma fase já até mais avançada do transtorno, e ainda interferir na relação mãe/bebê, dificultando o vínculo entre a díade.
A ciência nas ultimas décadas vem a cada ano publicando dados que indicam a necessidade de se oferecer atendimento às gestantes, voltados à sua saúde mental. É importante que avaliações da saúde mental de gestantes possam ser realizadas nos serviços públicos de saúde, somente assim é que poderão ser realizados encaminhamentos para prevenção ou evitar agravos do problema no pós-parto.
Ainda existem poucos profissionais da psicologia especializando-se nessa área (Psicologia Perinatal), entretanto, está mais do que na hora de haver uma reivindicação da sociedade para que políticas de saúde pública voltem-se para essa realidade em nosso país, formando mais profissionais especializados e oferecendo esse serviço principalmente nas Unidades Básicas de Saúde e nos Programas de Saúde da Família, capacitando inclusive Agentes Comunitários de Saúde para que possam fazer encaminhamentos aos profissionais capacitados para atuação no pré-natal psicológico.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Adorei ser citada por você Rafaela Schiavo no seu excelente post! Isso mesmo, temos que lutar pela implantação do Pré-Natal Psicológico em todo o Brasil como uma política pública de baixo custo e que ajuda a previnir os transtornos psicológicos do puerpério!

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