O estrago que fez na minha vida

Andrieli, 1 filha, desempregada

Idade: 31

Desabafo Anônimo: Engravidei de forma não planejada, namorando, com um emprego que me dava um salário razoável mas acabava com meu emocional. Nunca havia passado pela minha cabeça a possibilidade de ser mãe. Logo entrei em depressão, pois me via vinculada a um emprego que gostaria muito de deixar pra trás e sim, minha criação machista falava que eu era culpada por ter engravidado. Escolhi obstetra por indicação. Durante a gravidez inteira, vi ela fazer comentários depreciativos pelo fato de não aceitar tão bem a gestação. Optei por cesárea, pois tinha muito medo da dor. Ela não apoiava. Minha pressão subia sempre que aparecia no consultório. Com 30 semanas de gestação, em uma consulta, identificou que estava com 1 dedo de dilatação. Solicitou repouso total. No próximo dia, pela manhã, senti fortes dores e fui ao hospital. Estava em trabalho de parto. Ela logo me disse que ficaria internada e que estaria saindo para uma viagem e deixaria outra médica como emergência. Fiquei com contração das 9 horas da manhã até 3 horas da madrugada. Urrando de dor, largada em um hospital onde as enfermeiras me diziam que não eram contrações, mas cólicas. Fui examinada apenas 1 x nesse período pela médica plantonista. Não aguentando mais a dor, implorei para que minha irmã saísse atrás de uma médica e não voltasse sem. A médica apareceu e disse que a criança estava nascendo. Correram para a sala de parto. Não me questionaram em nenhum momento sobre minhas escolhas. Solicitei anestesia e falaram que não haveria tempo. Meu marido conseguiu entrar, mas sem entender nada do que estava acontecendo. A médica indicada chegou, vinda de uma festa, com odor etílico evidente e falando que não conseguia estourar minha bolsa e concluir o parto. Via a expressão assustada dela e não conseguia reagir. Não conseguia entender como tudo aquilo estava acontecendo de maneira tão absurda. Com a sala de parto lotada de enfermeiras e médicos com cara de espanto, vi minha filha nascer e ser tirada rapidamente em função da prematuridade. Estava sem forças, sem ar, em jejum de mais de 30 horas e completamente confusa. Minha filha ficou 25 dias internada na UTI. Quando voltei para a revisão da minha obstetra, comentei que não estava produzindo leite. Ela me falou que “quando a cabeça não quer, o peito não produz”. Mais uma vez, eu era a culpada. Por muito tempo levei comigo essa culpa de ter depressão, de ter um emprego que me fez correr a gravidez inteira, de ter uma filha prematura, de não amamentar. Só depois de muito tempo pude perceber a violência que recebi. Hoje, penso novamente em engravidar, mas essa experiência ainda mexe muito comigo. Não me sinto competente para tanto e esse sentimento é carregado em vários setores da minha vida. Reconheço a violência, mas não sei lidar com ela e com o estrago que fez na minha vida.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Gr disse:

    Procure uma terapia para se curar desse trauma e deixe essa história para trás. Você é muito mais do que esse triste episódio. Não deixe que esse fato defina a sua vida. Abs.

    Curtir

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