Só acumulo perdas desde que entrei nessa relação

Eliza, sem filhos, desempregada, 35 anos.

Desabafo Anônimo: Acho que estou em uma relação abusiva. Moro com um rapaz há três anos. Em menos de seis meses já fomos dividir o apartamento, ele veio para minha casa (que é da família). Foi tudo muito rápido. Da paixão à intolerância.

Nos primeiros meses não notei quando ele ria de mim por alguma coisa, algum furo. Fazia correções em qualquer erro de linguagem como forma de me diminuir. Não notei.

Nesse tempo tinha passado por um desligamento profissional que me abalou muito. Fiquei muito mal. Mas eu o recebia sempre com o melhor que tinha, me esforçava pra levantar da cama. Estranhamente ele nunca percebeu que estava depressiva.

Quis fazer tudo para acertar naquela relação. Me doava, fazia o possível para não chateá-lo, já que humor dele era bastante azedo. Sempre justificou que estava cansado, que eu não era compreensiva.

Ele era frio. Me procurava pouco. Achava aquilo estranho.

Conversava com algumas conhecidas e a maioria dizia que era assim mesmo, que depois de casada esfriava a relação. Era duas vezes por semana, depois uma vez, talvez a cada 15 dias. Cheguei a pensar se ele era gay. Ainda penso. Com isso fui me retraindo, reprimindo minha vontade e hoje também não tenho mais desejo.

A culpa era sempre minha que procurava o parceiro cansado. Com isso, eu não queria fazer nada que o perturbasse. Pedir para ir ao supermercado comigo, fazer qualquer outra coisa, porque ele se irritava, perdia a paciência, me deixava para trás no supermercado ou numa loja. Às vezes se estava lendo um rótulo ou comparando um preço ele ficava com aquela cara.

E fui deixando. Afinal os homens não são sem paciência, mas grosso? Aquela coisa: homem é assim mesmo!

No fundo fui achando que era muito caro ter alguém. Que não era aquilo que queria. Que preferia voltar a está sozinha. Hoje penso se as relações são de aparência. Estou confusa.

Só sei que só acumulo perdas desde que entrei nessa relação.

Perdi minha auto estima, hoje me vejo acabada e sofrida. Achava que mesmo a vida difícil, e ela é difícil, que o parceiro seria alguém para te auxiliar, que seria algo bom. Talvez, estivesse enganada. Ou tivesse uma impressão errada de relacionamento.

Perdi minha fé. Por vezes ele ridicularizava minha crença, os líderes da igreja… Uma vez bêbado disse que meu Deus era muito fraco porque ele sem nada estava bem melhor que eu, estava com dinheiro, trabalho. Disse que Deus não deixava de ser Deus por eu não ter isso ou aquilo.

Criticava minha família, chegou a reduzir meus irmãos e o que éramos. Por vezes eu tinha noção que ele era desequilibrado que não poderia dar ouvidos. Mas eu ficava triste, amargurada e abatida com essas discussões.

Em todo esse tempo, já perdi as contas de quantas vezes pedi que ele fosse embora. Tem sempre uma desculpa. Uma falta de dinheiro, sei lá o que, diz que todo casal briga, que preciso ser mais tolerante.

Hoje eu entendo porque tantas mulheres se matam e morrem na mão de seus parceiros. Não é fácil sair de uma relação. Não é só mandar embora. E você, mulher, fique atenta aos pedidos de socorro ao se redor.

Minha família não é participativa. Por vezes eu dou algum sinal e eles dizem para ser tolerante. Ouço deles e de outros: você não arruma um outro assim mais, viu? Puxa, como isso é perverso.

Nunca me senti tão sozinha e desamparada. É péssimo saber que está só com alguém ali perto.

Não sei o que será de mim. Me sinto arrasada. Incapaz, sem perspectiva profissional, completamente sem rumo.

Para ele eu sou uma fraca que não corre atrás de trabalho, que faço corpo mole, que sou problemática. Sim. Talvez seja um pouco tudo isso.

Enfim, fiquem atentas moças aos relacionamentos de vocês. Não permita que na fragilidade vocês recebam o primeiro insulto e isso vire rotina.

Eu fui deixando. Afinal, tinha escutado que para fazer a relação durar a gente tem que relevar, tem que passar por muitas coisas.

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3 comentários Adicione o seu

  1. Helen disse:

    Me vi na maior parte do seu relato.
    Meu ex era assim, foi se apropriando aos poucos da minha casa, da minha vida. Me afastou da minha família, dos meus amigos.
    E eu, a moça estudada, inteligente, durona entrei em depressão e me vi refém de uma pessoa que só me menosprezava e me traia.
    Acho que era proposital porque éramos muito diferentes e ele sabia que no dia que eu me tocasse que ele era pouco para mim, eu daria um belo pé na bunda dele e foi o que aconteceu. Mas não foi de um dia para outro, Demorou quase um ano para que eu criasse coragem e pegasse as coisas dele que ainda estavam em casa e deixasse na dele.
    E você não imagina o alívio que foi, chegar na minha casa, sem me sentir presa.
    Enfim, não tenho contato, nem sei da vida dele.
    As vezes fico triste por ter deixado alguém me humilhar tanto, mas eu estava doente. E todos os dias me perdoo, porque posso ter demorado, mas me livrei de um monstro.

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  2. Ana disse:

    Tb passei por isso qnd decidi me separar… ouvi da minha mãe ruim com ele, pior sem ele… me sentia extremamente só mesmo dividindo o teto com alguém. Acho que deve olhar em volta e ver quem realmente pode te apoiar… uma amiga que talvez esteja mais distante… procurar uma terapia. E preciso apoio sim pra ir contra essa sociedade que está mais preocupada em manter uma relação merda, geralmente pra mulher, do que com a nossa felicidade e bem estar emocional. É possível sim! Não desista! Nossa felicidade deve ser sempre a nossa prioridade… e jamais podemos abrir mão de nós mesmas mesmo ouvindo o contrário todos os dias.
    Se precisar estou aqui, é só me chamar.
    Bjs

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  3. Ane disse:

    Moça, a casa é sua. Dá um fim nesse relacionamento e não sofra mais. Quando ele sair você coloca tudo dele em sacos grandes e entrega na casa de alguém, troca a fechadura da porta. Sua vida vai melhorar muito depois disso. Ninguém merece conviver com um homem assim. Você vai ver que quando ele for embora e você tirar esse peso das suas costas vai arrumar o emprego que você tanto quer.

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