Tenho medo

Idade: 17

Desabafo Anônimo: Conheci meu atual namorado com 12 anos, ele tinha 14. Começamos a namorar não muito depois disso (ainda tínhamos a mesma idade). Sempre fomos o casal “perfeitinho”: não brigávamos, ele não é ciumento, muito menos eu. Sempre estávamos ali um para o outro, sempre fomos melhores amigos e parceiros em tudo. Cinco anos de namoro. Somos um casal tão tranquilo que terminamos duas vezes e voltamos dias depois, e me arrisco em dizer que foram as únicas brigas sérias que tivemos. Desde o começo do nosso namoro já havíamos decidido que teríamos filhos, nos casaríamos e seríamos felizes, porque nos amamos, mas tudo no tempo certo; eu queria fazer faculdade, e só então, pensar em casamento. Queria morar sozinha antes de ir morar com ele. Queria ir trabalhar.
Minha vida sexual começou bastante cedo. Eu tinha 13, quase 14 anos quando perdi a minha virgindade com ele. Desde então, sempre me cuidei. Por conta de uma doença, não posso tomar nenhum anticoncepcional ou qualquer forma de anticoncepcional que envolve hormônio, então minha saída é camisinha e DIU, porém por ser de menor, o que me resta é a camisinha. SEMPRE usamos a camisinha. Desde a primeira vez. Tanto que até brinco que não sei qual é a sensação de transar sem ela, porque ela já faz parte do pacote inteiro. Porém, num certo dia, a camisinha estourou. Eu estava no meu período fértil, então comprei a pílula do dia seguinte. Não deu outra: por conta da minha doença, fiquei internada seis dias. Nunca me senti tão mal em minha vida. O médico disse que como foi a primeira vez com a pílula, ia ficar tudo bem. Mas se eu usasse de novo, as consequências poderiam ser permanentes. Fiquei meses sem transar – nem mesmo queria beijar ele -, com o medo da camisinha estourar e eu ter que tomar a pílula de novo. Tudo voltou ao normal. Quase um ano depois, a camisinha estourou de novo. Eu fiquei apavorada e fui comprar a pílula. Ele não me deixou tomar. Disse que antes uma criança do que uma doença para a vida toda, que ele não iria se perdoar se eu ficasse internada de novo, e muito menos se algo de pior acontecesse. Eu ouvi. Joguei a pílula fora.
Um mês depois, descobri que estava grávida. Grávida aos 17 anos. Sempre fui aluna exemplar, filha exemplar.
Fiquei apavorada. Descobrimos num sábado. Saímos para tomar açaí (ele queria me acalmar). Eu fiquei calma. Quando cheguei em casa, tive meu primeiro ataque de pânico na gravidez. Pensei em abortar. Pesquisei todos os meios pela internet. Todo tipo de chá. Comprei as ervas. Tomei os chás por uma semana. Nada adiantou. Ele não me apoiava; ele queria o bebê. Ele queria casar. Queria adiantar todos os planos que tínhamos. Queria ficar comigo. Eu queria fugir.
Demorei para contar para a minha mãe. Quando contei, demorei para contar para o resto da família. Fui contar para a minha melhor amiga que estava grávida quando já estava de cinco meses (minha barriga não cresceu muito, então deu para disfarçar bem). Me perguntaram o porquê de eu ter escondido algo assim por tanto tempo. Respondi que foi por vergonha, porque logo eu, a menina de ouro, tinha cometido o erro mais estúpido que uma adolescente pode cometer. Passei noites ouvindo minha mãe orar e perguntando para Deus o porquê de isso ter acontecido. Não muito tempo depois, minha médica disse que foi ótimo eu ter engravidado com essa idade, pois por conta da minha doença, se eu deixasse para engravidar com mais de 25 anos, eu provavelmente teria todas as complicações possíveis durante a gravidez e tinha uma chance de 80% de morrer durante o parto. Minha mãe chorou de alívio. Disse que Deus sabe o que faz. Ela é religiosa, eu não. Mas depois disso, passei a aceitar melhor a gravidez.
Senti o bebê chutar pela primeira vez com quatro meses e meio. Foi uma experiência linda enquanto durou, mas assim que acabou, eu tive meu segundo ataque de pânico. As paredes se fechavam em cima de mim. Alguém estava me sufocando, de dentro para fora. Meu coração batia tão forte que eu senti uma dor literal no peito. Me escondi embaixo da cama. Fiquei quase vinte minutos ali. Quando sai e me olhei no espelho, vi que minha boca estava sangrando – eu havia mordido tão forte que a cortei em vários lugares. Eu não contei para ninguém sobre esses ataques. Eles iriam virar para mim e dizer que eu estava ficando louca. E que eu estava prestes a ser mãe, não podia reclamar, pois é uma bênção. E iriam me julgar, dizendo os famosos clichês: “engravidou porque quis!” “na hora de abrir as pernas foi bom, agora fica aí surtando?!”. Guardei meus ataques para mim. Foram vários. Eu disfarçava da melhor maneira que podia. Me trancava no quarto e ligava o som, com a esperança de abafar meus soluços desesperados.
No começo de dezembro, finalmente cedi: vamos morar juntos. Ele é incrível e sempre ficou do meu lado. E acho que não aguentaria continuar morando com a minha mãe quando a bebê nascesse. Minha mãe trabalha. Nossos quartos são colados. Ela acordaria toda vez que minha filha acordasse. Eu me sentiria pior do que já me sinto. Pelo menos dessa forma, eu fico no meu canto, com a minha filha, sem incomodar ninguém.
Ela nasce mês que vem. Até hoje, não senti amor por ela. Nem mesmo quando ela se mexe, ou quando vejo os ultrassons. Meu namorado, toda vez que me vê, me dá um beijo e depois dá um beijo na minha barriga. No meio da noite, ele me vira de lado para poder me abraçar e tocar na barriga ao mesmo tempo. Ele deita do lado da barriga e conversa com a bebê e diz que ama ela. Faz carinho em mim e diz que vai cuidar da gente, e eu sei que vai. Ele é o homem que toda mulher quer ter ao lado durante a gravidez. E eu fico olhando ele, tão maravilhado com isso, tão apaixonado, e me sinto a pior mãe e pior pessoa do mundo por não sentir absolutamente nada. Quando me perguntam se estou ansiosa para a chegada dela, respondo que sim com um sorriso no rosto. Mas a verdade é que não. O começo vai ser lindo porque ele vai estar do meu lado (ele vai pegar férias do serviço assim que ela nascer para ficar comigo em casa), mas a partir do momento em que eu ficar sozinha e virar uma dona de casa, eu vou ficar destruída. Eu não vou poder trabalhar e nem sair de casa com as minhas amigas. Afinal, engravidei porque quis, não posso pedir para a minha mãe ou sogra cuidar dela para que eu vá me divertir um pouco, né? Enquanto ele trabalha o dia inteiro e no final de semana vai querer sair para jogar bola. E eu fico em casa. Fazendo tudo o que nunca quis. Infeliz.
Tenho medo de ter depressão pós parto. Tenho medo de não saber dar amor à ela. Tenho medo de não amá-la. Tenho medo dela saber que eu a rejeitei a gravidez inteira. Que eu tentei abortar. Tenho medo, principalmente, de me tornar aquelas mães e esposas horríveis. Então eu digo que estou feliz e que não vejo a hora de tê-la nos braços. Mas a verdade é que eu quero correr o mais rápido possível e não voltar mais.
Obrigada por disponibilizar esse espaço para nós. Eu não contei nada disso para ninguém. Não posso. Mas é bom falar com alguém, finalmente. ♥

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10 comentários Adicione o seu

  1. Ana Manhães disse:

    Pânico se cuida com terapia e remédio. Peça a seu namorado e quase marido para procurar um psiquiatra com vc, se vc não conseguir sozinha. ISSO É URGENTE!!!!! Só assim vc vai conseguir lidar com essas mudanças sem esses sintomas que vão ficar mis severos se vc não procurar ajuda agora. Se vc tiver que ficar um tempo com a sua filha veja como um tempo necessário e , principalmente, passa muito rápido e não vai ser pra sempre. Vc só tem 17 anos, a vida inteira se abre pra vc!!!! Reconheça e tenha fé nisso!! Procure cursos de línguas ou outros na internet pra vc se sentir melhor, buscando conhecimento. Leia livros, expanda seu conhecimento como vc puder nesse momento de ficar mais em casa. Relação se constrói até com filhos, sempre, aproveite esse tempo em casa e construa isso com sua filha e tb com o pai dela pq vcs vão ter uma relação diferente a ser construída agora. Eu passei por uma situação bem semelhante, só q era mais velha q vc e ja tinha faculdade, mas não foi fácil. Tenha fé. Acredite na arte. O amor vai invadir vc e sua viaa e sua família será linda e será sua base de emoção e equilíbrio. Um bj

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  2. Fernanda disse:

    Eu te entendo, tenho 31 anos e quando engravidei aos 29 anos, dentro da casa dos meus pais, eu não queria entrei em choque… quando a médica me disse que estava grávida numa consulta de rotina, enquanto ela e sua assistente me dava parabéns eu não conseguia pensar e nem falar nada… passei a minha gravidez inteira tendo vários ataques de pânico tb… sentia ele mexer mas era como algo estranho acontecendo, tb não sentia amor por ele… preparei tudo para ele com o maior carinho, mas sem a menor pressa dele chegar e quando as pessoas me perguntavam se não estava ansiosa era sincera e falava que não… tb nunca falei para ninguém o que passei a gravidez toda… ele nasceu de 42 semanas + 5 dias, queria um parto normal, mas não foi possível por meconio… mas quando ele chegou tudo mudou.. meu coração se encheu de amor pelo aquele ser… mas sempre fui muito independente, mesmo assim não quis abrir mão do meu trabalho por ele… fui muito jugada por todos, mas foi o que me fez melhor e não entrar em depressão Pos parto… voltei a trabalhar ele tinha 20 dias… faço de tudo por ele me desdobro… mas aprendi a cuidar de mim… no começo por ser muito novo ele ficava com a minha mãe que não trabalha, hj com 1 ano e 3 meses estão indo para creche na prefeitura.. te aconselho a isso, já faz inscrição dele na creche para o ano que vem e vai tocar a sua vida… hj ainda vivo com meus pais estou me estruturando para poder sair da casa deles… o meu noivo está comigo, mas como vive de bico o grosso do financeiro está nas minhas costas… sinto muito falta de poder sair com as minhas amigas enquanto ele vai todo domingo para o sagrado futebol… mas nada é impossível nesse 1 ano e 3 meses sai 2 x com as amigas deixando o bebê com o pai… pois eles tem tanta obrigação quanto nos…. força vai da tudo certo para vcs…

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  3. PRISCILLA MARQUES FARIA disse:

    Mãezinha… acalme seu coração. Não se sinta culpada… que bom que vc tem a consciência do que esta sentindo e fala sobre isso mesmo por aqui. Seu sentimento é normal diante da situação. Vc é jovem sim! Mais me parece muito madura. Fácil não vai ser… mais vc não é a primeira nem a última a passar por isso. Pense que vc é priveligiada por ter o pai do bb ao seu lado te dando suporte emocionale financeiro. Quantas são abandonadas? Quanto aos cuidados,saber amar e aceitar sua filha???eu te garanto que no momento que ela.sair de vc, no momento que vc olhar em seus olhos e a tocar, nada mais será como antes. É um amor tão forte e genuíno que ninguém tem o poder de estragar. Inexplicavél! Vc será a mãe mais perfeita que ela poderia ter, pois sempre fazemos nosso melhor. Tudo vai passar!Deus abênçõe vcs. Seja feliz!!!

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  4. Isabel disse:

    Olha querida, posso dizer q te entendo muito, minha história foi parecida com a sua. Engravidei prestes a fazer 18 e tbm escondi da minha família, meu pai soube q eu estava grávida eu estava com 7 meses e eu não tive coragem de contar, minha irmã mais nova contou p mim. Imaginei q minha vida fosse acabar, senti muito medo, vi meu futuro dos sonhos desmoronar, não tinha começado minha faculdade, trabalhava como estagiária, mas eu decidi q ia cuidar daquele ser, graças a Deus, meu marido é como o seu, não me abandonou, nos casamos no civil e eu mudei p longe da minha mãe, e não vou mentir e dizer q é fácil pq não é, mas quando você tiver seu bebê nos braços, tudo vai ter valido a pena. Hoje tenho 20 anos e meu filho 1 ano e meio, comecei minha faculdade, estou procurando emprego e a vida é mais feliz com meu filho. Você vai ver, com o tempo tudo se ajeita.

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  5. Calma. Esse pânico é normal. Tudo muito novo para você e tudo muito assustador. Você pode sim pedir sua mãe ou sua sogra para olhar sua filha uma vez no mês para que você possa sair com suas amigas. Isso se chama ajuda. E garanto que elas vão adorar ficar com a bebê. Converse com a sua médica, ela vai conseguir te acalmar e principalmente te ajudar a prevenir a depressão pós parto. Os ataques de pânico, não se assuste tanto, eu também tive e meu filho foi planejado, com calma, já estava casada há 4 anos. E tive diversos ataques de pânico na gestação do meu filho. Sentia uma parte das coisas que você sente hoje e quando meu filho nasceu eu construi o amor por ele no dia-a-dia. Eu o amo mais que minha própria vida, mas tive alguns problemas na gestação. Minha médica disse para meu marido cuidar de mim, porque ela tinha certeza que teria depressão pós parto, mas nada aconteceu. Calma!! Estamos aqui e você precisa conversar com sua obstetra, ela vai te ajudar muito. Força, você nunca estará sozinha. estamos aqui.

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  6. Mirian disse:

    Não se sinta culpada por não sentir que ama sua filha. Esse amor vem com o tempo. Vc vai conhecê-la da mesma forma que ela tb vai te conhecer. Primeiro vem um sentimento de responsabilidade, mas o amor vai surgir… não tenha pressa e não se culpe. E outra coisa, que ninguém me falou, mas gostaria que tivessem me avisado: o começo vai ser difícil, bem difícil. Os dois primeiros meses principalmente são punk… Muito cansaço e talvez dor na amamentação (procure um grupo de apoio no Facebook – GVA Grupo Virtual de Amamentação. Me ajudou muito). Mas melhora. E vai ficando cada vez menos difícil e a relação com sua filha vai ficar cada dia mais gostosa. E aí vc vai sentir que não pode mais viver sem ela.
    E tb, se me permite, te aconselho a pedir ajuda. Ao seu marido, à sua mãe, à sua sogra, às suas amigas. E ajuda profissional tb. Peça ajuda. A gente fica física e emocionalmente exausta, e aí vc vê a pilha de roupa pra lavar, a comida pra fazer, a casa pra limpar e o bebê chorando. Dê prioridade à sua bebe e peça ajuda para as outras coisas. As pessoas vão entender.
    Vocês vão ficar bem! E vai conseguir fazer tudo o que sonhou! E vai ter uma parceirinha linda sempre do seu lado! Boa sorte!

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  7. Caroline disse:

    Querida… busquei ajuda! A maioria das mulheres sente essas coisas em grau maior ou menor… mas tu é tão novinha… não precisa estar passando por isso sozinha! Tua vida vai ser linda e tu ainda vai ser muito feliz! Tu não está sozinha!

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  8. Fernanda disse:

    Você precisa de acompanhamento psicológico agora, para poder ter uma assistência melhor no puerpério…

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  9. patmaf7 disse:

    Li ontem o seu desabafo… e reli agora.
    Várias frases chamaram minha atenção.
    ‘Desde o começo do nosso namoro já havíamos decidido que teríamos filhos, nos casaríamos e seríamos felizes, porque nos amamos’…
    Se são felizes, se sua médica inclusive afirmou que foi melhor engravidar agora, se até sua mãe reconheceu que, afinal, essa gravidez foi uma dádiva… 🙂 não tenha medo!!
    Sua vida vai ganhar uma outra VIDA!!
    Com 17 anos é normal ter os receios que descreve mas acredito que quando pegar sua bebé ao colo esses medos vão desaparecer. ❤
    Eu fui mãe aos 29 mas vou-lhe confessar uma coisa: adorava ter sido aos 18!!…
    Como escreveu a Tania, seu futuro só lhe ofereceu uma pausa. E que linda vai ser!!… 😉
    Em vezq de ter medo, agradece!…
    E não se preocupe com o tempo que vai dedicar à sua filha ou com o facto de perder alguma da sua liberdade.
    E sim, claro que pode -e deve- pedir ajuda para sua mãe e para sua sogra. Todas/os fazemos isso quando nossos filhos são pequenos.
    Sua filha te sente… fala com ela e sente a sua resposta. Coloca uma música de ninar e canta p ela. Acaricie sua barriga e agradeça pela vida que carrega. É um prolongamento de você! ❤ mime-se!!
    Não posso terminar sem referir que o seu marido foi um Homem (com H grande)!
    Espero ter ajudado com as minhas palavras e desejo um futuro bem risonho e FELIZ.

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  10. Tania disse:

    Abre o teu coração e vai correr tudo bem. Pede ajuda a alguém em quem confias… pede ajuda ao teu marido! A tua vida não acabou… o teu futuro só está, para já, em pausa. Assim que ela tiver um aninho e tiveres vontade de seguir em frente, tirar um curso, arranjar emprego, vais conseguir. É só querer!
    Curte agora a tua filha senão mais tarde vais-te arrepender… e aí sim, não poderás voltar atrás.
    Desejo-te boa sorte e toda a felicidade do mundo!
    T.R.S

    Curtido por 1 pessoa

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