São quase dois meses de choro diário

em

2 filhas (1 viva), professora, 32 anos.

Desabafo Anônimo: Uma gravidez programada. Um ano tentando. No primeira ultrassom a notícia: gravidez gemelar. Alegria, euforia, insegurança! Mas seguimos com muito responsabilidade, cuidados e protocolos.
Tudo corria bem, sem dores, enjoos, intercorrências, etc. Exames sempre todos normais. Sim. Eu sou neurótica e fiz muitas ecografias. Sempre tudo bem. Eis que com 35 semanas vou fazer mais um e o médico para no meio e me manda urgente ao pronto socorro local.
Não. A maternidade dos sonhos não rolou. Ele falou que não recomendava perder tempo indo para um local mais longe, pois uma das meninas (sim, eram duas meninas) estava muito fraquinha e sem líquido.
Em menos de duas horas aconteceu a cesárea. Primeira gemelar nasce sem vida. A segunda fica quinze dias na UTI e hoje está em casa. Bem e rumo aos dois meses.
Essa é o resumo do resumo da minha história. Mas o que preciso desabafar é: são quase dois meses de choro diário. Escondido. No banho. A amamentação da madrugada. Dói, gente. Dói demais pensar na minha bebezinha. Não. Eu jamais imaginei que perder algo que de fato não cheguei a ter doía tanto.
Eu tenho vontade de gritar. Gritar mesmo. No sentido literal. Gritar. Mas silencio. A família quer me ver bem, meu marido (que também sofre. Eu sei) quer me ver bem. A minha bebezinha precisa de mim bem. Eu sei. Eu aceito. Acredito em Deus. Não me revolto. É só uma dor mesmo. Uma dor sem tamanho. Escrevo para desabafar. Mas escrevo também porque sei que faz bem para pessoas que passam por algo parecido saberem que não são as únicas. Que a dor que dói aí, dói aqui também.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Rosimara Medeiros Silvério disse:

    Olá! Sinto muito pela sua perda!
    Vc tem razão quando diz que sua experiência pode ajudar outras mãezinhas. Pois nos sentimos tão fracas e tristes quando perdemos nosso bebê, que parece estarmos sozi no mundo. As pessoas não entendem, falam coisas que nos machucam ainda mais. Então, ao ler um relato assim, percebemos que existem outras pessoas sofrendo. Nós nos compreendemos! Isso me ajudou muito a lidar com a perda.
    No seu caso, vc precisou ser ainda mais forte, pois sua bebezinha precisava que vc estivesse bem. Esquecer jamais esqueceremos, apenas aprendemos a viver com a nova vida.. Ou melhor, sem a vidinha preciosa que esperávamos!
    Fique com Deus! E dedique todo o seu amor, a sua bebê, e tenha certeza, a irmazinha dela sentirá o seu amor!
    Bjos 😘

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