“NEM PARECE QUE MORAMOS NO BRASIL!”

Hoje, apresentamos uma entrevista com Priscila Alves, 23 anos, bancária, residente no Rio de Janeiro e mãe de uma menina de 05 meses.

 

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A Priscila fez um post no Facebook, demonstrando toda a sua frustração sobre as constantes micro agressões que ela sofria devido à diferença de cor entre ela e a sua filha. É muito comum no Brasil nos identificarmos como um povo miscigenado, constituído pela mistura, principalmente, de negros, brancos e índios. O problema aparece quando sai do discurso e cai para a vida do dia a dia. E é isso o que a Priscila enfrenta, como um país que se diz misturado e que diz ter orgulho desse fato, não consegue aceitar que Priscila, negra, possa ter uma filha mais clara que ela? Essa é a pergunta que Priscila se faz todos os dias. Afinal, como nós não conseguimos reconhecer essa mistura que muitas vezes está do nosso lado? Ou a miscigenação não existe, ou estamos tentando nos convencer sem aceitar o que está escancarado.

Priscila, obrigada pela sua fala. Sinta-se abraçada e saiba que aqui você sempre encontrará pessoas que lutam contra toda e qualquer forma de discriminação, preconceito e racismo.

 

ENTREVISTA

Você fez um desabafo na sua página no Facebook sobre o quanto lhe incomoda os comentários das pessoas sobre a diferença de cor entre você e a sua filha. Você poderia nos dizer  quando e onde esses comentários acontecem?

Em passeios com ela, ou simplesmente ir a rua, aniversários, sempre havia esse tipo de comentário antes do meu desabafo no Facebook.

E as pessoas que tecem esses comentários? Quem são elas? São pessoas próximas a você? Pessoas que você não conhece lhe fazem a mesma abordagem?

Pessoas próximas e pessoas só conhecidas, tipo vizinhos.

Por que você se incomoda com esses comentários?

Porque a forma em que é colocado pelas pessoas, parece uma coisa de outro mundo, uma coisa que não poderia acontecer, eu ser negra e ter gerado uma filha branca, coisa que hoje em dia é muito normal, principalmente aqui no Rio de Janeiro, que tem muita mistura, não é como na Bahia por exemplo que tem muitos negros ou no Rio Grande do Sul que tem muitos brancos.

Por que você acha que as pessoas comentam sobre a diferença de cor entre você e a sua filha?

Preconceito, é a única coisa que fica clara. E as pessoas ainda tentam fazer brincadeiras como se não fosse preconceito, pra meio que tentar amenizar, mas no fundo está sendo preconceito sim.

Você conhece pessoas que vivem a sua mesma experiência? Se afirmativo, você sabe como elas reagem a esses comentários?

Conheço pessoas que já viveram, eu ouvi diversas respostas, mas respondidas com ironia, da mesma forma que é comentado.

A sua filha ainda é um bebê, como você acredita que ela perceberia esses comentários que apontam a diferença de cor entre ela e você?

Acho que ela vai começar a perceber na escola, quando ela começar a se relacionar com outras crianças.

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