Gostaria de me sentir abraçada.

Anônima, uma filha de 14 anos, contadora

Idade: 38 anos

Desabafo Anônimo: Até ontem eu procurava desesperadamente alguém para desabafar, todos os ouvidos estavam ocupados demais para me ouvir, aos que eu tentava ouvia um “vamos trocar de assunto”, ou, até mesmo, será que chove hoje?! Sou mãe solteira, e mãe de uma linda moça de 14 anos. Linda e adolescente. Me sinto sozinha, perdida e desesperada as vezes. Sinto falta de alguém que me ajude a educar e orientar, ser pai e mãe ao mesmo tempo é mais do que difícil, digo às vezes, que é impossível fazer esse trabalho bem feito.

Tenho um namorado com muitas qualidades se não, não estaria há três anos com ele, mas não posso contar como um companheiro que me ajude a terminar de criar e educar minha filha. Talvez eu devesse colocar aqui toda minha trajetória de mãe solteira desde que ela nasceu, como o fato dela trocar a noite pelo dia, o fato de eu ter ficado desempregada por quatro anos nesse período, são muitos fatos. Hoje eu olho pra trás e, apesar de me sentir fracassada como mãe, minha indignação é maior que meu sentimento de fracasso. Indignação de como os homens podem ser mais covardes e fracos que nós mulheres. Indignação de ver minha filha esperando um telefonema desejando feliz aniversário, esperando que neste natal ele, de alguma maneira se faça presente em sua vida. E, não se faz presente, com a desculpa, mais do que esfarrapada, uma desculpa cruel, de que não está bem financeiramente. É dolorido porque vejo que minha filha está machucada, carente, se finge de forte e diz que não se importa e que não sente falta, mas acho em suas coisas perdidas, escritos, textos, tudo que se remete a um pai ausente.

Fico extremamente “raivosa”, não acho outra palavra que melhor se encaixe, em ver e sentir na pele, que ainda, além de tudo o que passo e vejo minha filha passar, sou colocada às vezes como uma mãe relapsa. Trabalhar o dia todo, ser dona de casa, ser mãe solteira, me torna uma pessoa ruim. Sou cobrada pra ser um ser humano perfeito, mas não consigo, por mais que meus esforços sejam árduos, não consigo.

Gostaria de sentar perto de alguém que me dissesse estou aqui e vou te apoiar e que sim, você comete erros mas não vou te julgar. Gostaria de me sentir abraçada.

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1 comentário Adicione o seu

  1. disse:

    Sinta-se abraçada amiga! Estou na mesma situação, a as diferenças são que, a minha filha tem 3 anos e ainda não chegou na fase de perguntar pelo “reprodutor”, e outra diferença é que o pai sumiu no mundo. Eu me sinto o tempo todo julgada, errada, presa, me esqueci de como é ser mulher, nunca mais namorei depois que ela nasceu, não consigo mais confiar em homem nenhum. Sinceramente? Não paro de pensar um dia sequer de como seria minha vida se eu ainda tivesse minha liberdade de poder fazer o que eu quisesse, na hora que eu quisesse.

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