Gravidez e atividade física

Não é de hoje que uma mulher, ao engravidar, passa a ser “bombardeada” com palpites e crendices vindos dos mais diversos grupos de pessoas (família, amigos, conhecidos e estranhos). Entretanto, é certo que o mundo globalizado foi capaz, ainda mais, de favorecer essa problemática, já que existem incontáveis sites de busca ou fontes falsas de informação ao alcance de toda e qualquer gestante.
Uma das questões imersa nesse mar de dúvidas é a prática de atividades físicas durante a gravidez. Para muitos ainda, presos em um passado distante, gravidez é sinônimo de repouso, quase doença. Contudo, desde o final do século passado, a ciência vem se preocupando em desmistificar esse tabu.

Toda e qualquer gestação é um estado de hipercoagulação, ou seja, na gravidez estamos mais propensas a desenvolver coágulos de sangue. Esse aumento fisiológico da coagulação existe com a finalidade de proteger a gestante durante o parto, entretanto essa característica positiva pode trazer consequências negativas. Segundo a literatura científica recente, gestantes possuem quatro vezes mais chance de apresentar um quadro de trombose, em especial o tromboembolismo venoso (trombose venosa profunda – TVP – e a embolia pulmonar – EP). No pós-parto imediato, esse risco sobe em até vinte vezes, sendo enorme (até cem vezes mais) na primeira semana após o nascimento do bebê. Face a tantos riscos inerentes à gestação, fica lógico afirmar que é mais do que saudável que a mulher grávida leve uma vida ativa. O movimento, por si só, já funciona como um “desentupidor” natural nos nossos vasos, favorecendo o retorno venoso e diminuindo a estase sanguínea.

Claro que para toda regra existem exceções. Gestantes de alto risco, em especial aquelas com problemas no colo uterino, placentação, alterações de pressão arterial e outras, poderão receber a recomendação de repouso na gestação em curso. O obstetra é o profissional responsável por autorizar ou não a prática da atividade física e a manutenção ou não das nossas atividades profissionais e de vida diária. Mas nosso foco aqui é abordar o fisiológico. O mais recomendado dentro de um quadro de normalidade ou do esperado para uma gestação saudável.

Levar uma vida normal enquanto grávida é saudável para mente e corpo, mas alguns cuidados podem e devem ser tomados diante de tantas mudanças corporais. É importante respeitar as limitações e alterações impostas pela gravidez, ou seja, atividades físicas vigorosas não costumam ser recomendadas, em especial no primeiro e terceiro trimestres. Ainda que algumas gestantes sigam mantendo uma rotina de spinning ou corrida, vale ressaltar novamente que é exceção à regra.

Dentro das opções mais seguras durante a gravidez encontramos o pilates, a hidroginástica e a caminhada. Todos com uma proposta de baixo impacto, trabalho global (fortalecimento e alongamento) e preparação para o parto. O acompanhamento de perto por um profissional especializado é essencial para garantir a segurança da mãe e bebê.
Se você está gestante, procure filtrar ou abstrair palpites e comentários de terceiros e busque dar atenção ou elucidar suas questões com o obstetra que te acompanha. Este sim precisa estar ciente de toda a rotina que você adota além dos sinais e sintomas que o seu corpo apresenta. Jamais subestime ou menospreze o que o seu corpo “fala”.

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