Cadê a culpa paterna?

Uma grande amiga perguntou como era ser mãe logo. E eu respondi sem titubear, quase sem sentir (assim como quando eu chupava aquelas balas dos anos 80-90 que deslizavam pela garganta e quase me mataram): “ser mãe é ter culpa”. Bem, eu não sabia muito bem como era aquele negócio de ser mãe, o Pedro era meu único filho de menos de dois meses. O que sabia eu?

Agora com dois filhos, tenho uma visão mais otimista da maternidade. Todavia, segue meu apontamento. Para mim, ser mãe é ter culpa sim. Infelizmente. Mas não é só isso. Ser mãe é se sentir 100 vezes mais forte do que se é; ser mãe é achar lindo cada sorriso sem dente; ser mãe é estar cansada; ser mãe é estar preocupada com o futuro deles e do mundo que os rodeia e muitas, muitas outras coisas.

Na busca por algumas reflexões sobre culpa materna, começo a jornada pelo sr. Google e o outro polo da questão: “culpa paterna”. Para minha surpresa, não vem nenhum resultado e ele ainda me mostra apenas resultados para “culpa materna”, sem que eu pedisse! Ora, não!!!

img_7248

E a ausência do termo ou a sua pouca referência vai em muitos outros buscadores acadêmicos e não acadêmicos. Que conclusão eu tiro disso? Muitas. A primeira é que, talvez, apesar de estarmos falando incessantemente sobre a maternidade/paternidade, isso ainda seja pouco. Há muito o que se estudar. Há muito o que conversar. Trabalhando com pesquisa há alguns anos, não me atrevo a dizer que nenhum homem sente culpa na paternagem, que isso é bobagem. Igualmente, não me arrisco a dizer que todos eles sentem.

O que sabemos é que as redes sociais, em especial, estão deixando as culpas das mães mais evidentes para o seu público-alvo. E isso é maravilhoso. Ninguém deseja senti-la. E terminantemente, não faço apologia a esse sentimento. A culpa é criada e recriada por um complexo processo social, histórico, cultural, psicológico que tenta forjar comportamentos desejáveis. Falar sobre essa trama é uma forma possível de mudar entendimentos e atitudes.

Assim, não logramos entender suficientemente se todos os perfis de homens sentem culpa ou como eles as sentem. E nem conseguimos esmiuçar profundamente as perguntas anteriores que devem ser feitas: como a paternidade afeta os diversos tipos de pais? Como eles esperam vivenciá-la? Como eles são cobrados por isso, se é que ocorre? Precisamos conversar mais e nos ajudar mutuamente: pais, mães… Em suma, temos que saber se essa paternidade, em algum momento, transforma-se em culpa. Ou se, ao contrário de tantas mulheres, a culpa na paternidade se transforma em perdão.

Anúncios

1 comentário Adicione o seu

  1. Excelente texto…nos mães não conseguimos dividir nem a culpa com os pais…Adorei suas reflexões. Vou compartilhar seu texto na minha pagina. Vamos implicar mais os pais em todas as esferas da parentalidade, inclusive compartilhando a culpa com eles!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s