Que tipo de pessoa sou eu que não sente esse amor que toda mãe descreve?

Juliana, 2 filhos, autônoma, 28 anos.

Desabafo Anônimo: Olá meninas!
Tenho endometriose descoberta desde os 17 anos. 6 videolaparoscopias, hidrossalpinge bilateral que me levou a perder as duas trompas.
O sonho da minha vida sempre foi conseguir me tornar mãe. Estou no terceiro casamento, e meu esposo abraçou a causa comigo. Fomos atrás de todas as alternativas, a única foi a FIV (fertilização in vitro). Foram 3 tentativas até uma gravidez. Gravidez Gemelar. Tenho sobrepeso e com a indução hormonal do tratamento só engordei ainda mais.
Passei a gravidez toda na expectativa de ter meus filhos e em busca dos sininhos da felicidade tocarem… e eles não tocavam! Eu me sentia feia, desengonçada e com medo, muito medo de tudo que podia acontecer, ainda na gestação e depois também. Nasceriam prematuros? Se sim, haveria vaga na UTI NEO? Depois que viessem para casa comigo, eu daria conta? Nunca quis ter filho para os outros criarem para mim, ser mãe sempre foi meu sonho! Pois bem… Cesárea marcada para as 20h da terça feira seguinte, eis que, a meia noite a bolsa rompe!!! Susto! Nervosismo, ansiedade, tudo junto. Liguei para meu médico (excelente profissional, a quem eu devo minha gestação. Pessoa que lutou comigo para alcançar meu objetivo de ser mãe!), avisei que a bolsa havia rompido, ele me disse que aguardasse e que entrasse em contato assim que começassem as dores, e assim eu fiz. Em questão de meia hora eu não aguentava mais as dores. Liguei novamente e ele não atendeu mais. Fomos para o hospital esperar por ele lá! Ligamos a madrugada toda, eu, minha família e o hospital. Ele não atendeu mais. Eu passei 7 horas de trabalho de parto, sendo que eu havia pago para não passar por isso. Eu nunca desejei um parto normal, eu queria uma cesárea, sem dor, sem sofrimento… Quando foi 8 horas da manhã ele me retornou as 432 (sim! Esse era o número) chamadas que tinham no celular dele, pediu desculpas e disse que já estava chegando no plantão dele. Em menos de meia hora eu já estava na sala de parto, sendo anestesiada. Me senti um lixo naquele momento. Na hora que a anestesista me pediu para me dobrar eu senti o cheiro de xixi que eu estava. Sim! Eu passei a madrugada perdendo líquido, vomitando e me mijando! Naquela hora, no momento em que eu teria meus filhos nos braços eu me sentia (e estava) suja. Aquilo já foi frustrante e impactante, mas bora lá! Eu queria era parar de sentir dor!
Enfim, a anestesia foi aplicada e adivinhem? Não pegou!! Repetimos e aí parece que estava dando certo. Vomitei pela última vez naquele momento. Meu médico veio me dar um beijo, pedir desculpa de novo e me dizer que tudo daria certo. Meu marido chegou e isso é tudo que eu lembro. Depois disso, só tive flashes de tudo que acontecia naquela sala. Me lembro do médico me chamando, dizendo que o meu primeiro bebê iria nascer e do esforço enorme que fiz para ficar “acordada”. Do segundo bebê não lembro do momento exato que ele nasceu. Lembro de novo de me esforçar para olhar para eles quando meu esposo e a pediatra os colocaram ao meu lado. Depois disso só lembro do médico pedindo “uma dose reforçada de ocitocina” e mais nada! Acordei 2 horas depois e fui para o quarto, o G1 estava lá esperando por mim. G2 havia ido para o respirador. Eu passei o dia abobada, sem ter muita noção de nada. E nada. Nada! Dos sininhos tocarem ao olhar para o meu filho. O mesmo quando o G2 chegou no quarto. E o mesmo até hoje! Sim!!! Eu os amo. Amo muito! Mas não sinto aquela dor que dizem que sentimos. E isso me apavora! Me cobro, me culpo e me questiono DIARIAMENTE sobre isso!
Que tipo de pessoa sou eu que não sente esse amor que toda a mãe descreve? O amor eu sinto, mas não é como vejo as pessoas descreverem!
Depressão pós parto? Não sei! Já achei que sim, já achei que não. Não sei. Hoje eles têm quase um ano e ainda me sinto assim.
Como uma pessoa que tinha como objetivo principal de vida ter filhos, vai ter dpp (depressão pós parto)? Como???? Não entendo, não aceito.
Tenho desde a gravidez um sono ABSURDO! No início com eles em casa eu deixava com minha mãe, minha sogra, quem estivesse aqui para dormir. E ficava incomodada quando tinha que amamentar, quando tinha que atendê-los. E ao mesmo tempo, já me culpava por ter esse tipo de pensamento.
Meu casamento que era maravilhoso, está por um fio. E muito por culpa minha. Não tenho empenho em nada, motivação zero e ânimo menos ainda…
Engordei muito. Não consegui amamentar meus filhos porque achava que sem o vínculo do peito, estaria menos esgotada e daria conta melhor de cuidar dos dois. Hoje me arrependo todos os dias por isso! Queria muito tê-los amamentado.
Não tenho pique, vontade e nem disposição para estar com meus filhos. Eles chamam por mim todo dia. Eu vou pego um pouco, dou meia volta e me deito. Sou péssima!
Péssima!
Eles, graças a Deus, são saudáveis, mas um deles não ganha peso. Está se desenvolvendo bem (altura, PC) mas não engorda. Ele é o que come melhor. A pediatra me assegura que isso é do biotipo dele, mas eu me culpo por isso também! Será que não é reflexo da minha situação?
Me ajudem! Eu preciso de ajuda.

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3 comentários Adicione o seu

  1. Ane disse:

    O que aprendi na terapia foi primeiro de tudo deixar a culpa de lado. Se eu não posso voltar atrás e desfazer então me culpar não adianta nada. A segunda coisa que eu penso é wue você precisa buscará ajuda de uma psicóloga para que você entenda seus sentimentos, se perdoe e possa estabelecer um vínculo saudável com seus filhos. Não é fácil ser mãe, mas era seu sonho, então o que mudou? A gente fica esperando alguma porta abrir e nos dar o amor pelo bebê, mas o amor é construído. O amor demanda tempo juntos.
    De tudo eu penso que você poderia ir refazendo suas memórias e pensando:
    Que bom que sua bolsa rompeu, sinal de que seus bebês estavam prontos para nascer.
    Se deu médico não foi logo pode ser porque estava muito cansado e precisava descansar pra fazer sua cirurgia. Pior seria se ele te machucasse ou deixasse uma sequela.
    Seus filhos tem saúde apesar da não amamentação.
    Amamentar constrói vínculo, mas brincar junto também constrói.
    Então você ainda tem muita vida pela frente com seus bebês. Cuide de você com uma ajuda e vai ser a mãe que você deseja. Um abraço.

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  2. Letícia disse:

    Juliana… respire! Fique calma. O mesmo ocorre comigo. Sempre quis ser mãe, desde pequena. Sempre foi meu sonho de vida. Comecei a namorar muito cedo, e estamos juntos há cinco anos, quase seis. Sempre falamos em ter filhos e nos casar (já tínhamos até os nomes dos nossos dois filhos). Mas eu engravidei na hora errada. Tinha tantos planos, tantas expectativas da minha vida, e no momento em que o segundo palitinho apareceu, tudo desapareceu. Achei que fosse o choque da gravidez “indesejada”, da gravidez num momento péssimo, mas minha filha nasce mês que vem e até agora os tais sininhos ainda não tocaram para mim também. E eu me conheço. Eles não irão tocar.
    O que estamos passando, creio eu, é a maternidade real, que tanto falam. Existe a maternidade idealizada, que é aquela maternidade feliz, incrível, e a maternidade real, que é exatamente isso! Aquela indisposição, aquela infelicidade… O problema não é você! Assim como também não sou eu. Não estamos sozinhas!! Se para mim, que terei apenas uma, está sendo um pesadelo, não imagino como deve ser para você, que já tem dois… Força! Você vai passar por isso. Cada um oferece o que tem. Amor não é ficar paparicando, postando mil fotos e declarações no facebook. Cada um oferece o que tem. Você cuida dos seus filhos da forma que pode, e isso é o que vale. Procure uma ajuda profissional. Você não merece e nem precisa passar por tudo isso. Você merece ser feliz!

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  3. Lia disse:

    Querida Juliana, é muito difícil mesmo! Pra todas nós! Eu imagino ainda com tanta coisa q aconteceu na sua gestação e parto e ainda com 2!!! Se com um só a gente já fica doida.
    Mas não aceite ficar assim não, procure ajuda, terapia, quem sabe um grupo terapêutico de mães pra conversar?, hoje existem alguns.
    Me ajudou muito no começo, a gente vai vendo que cada uma tem seus dilemas, é bom dividir.
    E joga a culpa pra lá ( como se a gente conseguisse né?). Vc é a melhor mãe que seus filhos poderiam ter.
    Esses sininhos q vc espera são nossas fantasias, amor é mais difícil, mas tbm vale mais a pena. Acredita que ele já tá aí.
    E vai ser ainda melhor, pq vc vai se cuidar e ficar bem.
    Abraços.

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