A vida não está sob nosso domínio

Idade: 27

Desabafo Anônimo: Minha gravidez foi muito desejada e planejada por mim e meu marido.  Depois de um aborto, eu estava gravida de novo: 26 anos, 2 anos de casada, um bom trabalho, um marido ótimo, parecia tudo estar perfeito e aquele bebê viria para completar a felicidade. Desde muito cedo planejava tudo, queria receber muitas visitas no hospital e em casa, queria mostrar meu troféuzinho a todos. Mas as coisas começaram a mudar quando eu tive que ser internada com 30 semanas para evitar parto prematuro. Fiquei lá um mês, meu bebê nasceu de 36 semanas, eu recebi alta e ele ficou no hospital por mais 6 dias. Eu chorava compulsivamente noite e dia, achava que quando ele fosse embora aquilo tudo ia passar. Enfim, quando ele recebeu alta, no caminho de volta pra casa eu me peguei sentindo uma angústia enorme, uma sensação horrível de solidão. Ao chegar em casa tudo piorou, os sentimentos ruins se intensificaram de forma que eu não sei explicar, me sentia muito arrependida de ter engravidado, a sensação era de estar num poço fundo, sem saída, todos estavam vivendo menos eu. Eu estava morrendo aos poucos, me sentia também culpada por sentir essas coisas, como eu poderia sentir isso se eu tinha tudo que sempre sonhei? Cuidava do meu bebê, mas não me sentia apegada a ele, pelo contrário parecia que eu estava cuidando do filho de alguém. Ele acordava muito a noite, eu não dormia. Não tive ajuda de ninguém durante o primeiro mês dele, eu estava exausta. Minha única fuga era quando meu marido chegava a noite e eu podia entrar no banheiro, ficar sozinha e chorar muito. Pensei em dar meu bebê pra alguém, sugeri isso ao meu marido. Com 4 meses decidi procurar ajuda profissional, meu marido me apoiou a procurar, mas quando eu fui diagnosticada com a Depressão Pós-Parto, ele se assustou, tentou me fazer pensar que não era isso, que era coisa da minha cabeça, falta de Deus, cansaço, tudo, menos doença. Então segui com o tratamento meio que sozinha, passei a tomar antidepressivos e fiz terapia algumas vezes. Graças a Deus, hoje meu filho tem 1 ano e sou louca de amor por ele. Ainda tomo remédio, não sei quando vou parar, mas nem tenho pressa. Os sentimentos ruins passaram, hoje curto muito meu anjo e vejo que a vida não está sob nosso domínio, tudo acontece pra nos ensinar algo e eu aprendi muito!

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