A verdade que liberta

em

Por Rafaela Schiavo

A maioria das pessoas têm segredos que guardam a sete chaves: alguns segredos incomodam o dia-a-dia da pessoa que tem que conviver com ele, há segredos com os quais as pessoas já aprenderam a conviver  e ainda há os segredos que são apenas segredos.
Existem famílias que escondem a história de um de seus membros, como por exemplo, não contam a seu filho que ele é adotivo; algumas mulheres podem não ter certeza se o filho é do parceiro ou fruto de um relacionamento extra-conjugal, ou então escondem a história de um aborto, mesmo os espontâneos. Esses e outros são os que chamamos ‘Segredos Familiares’.
Esconder a história de uma pessoa sobre ela mesma pode levá-la a experienciar um sentimento de angústia, em alguns casos podendo até gerar problemas de ordem emocional. Por isso, é importante que os segredos a respeito da história de alguém possam ser contados à própria pessoa dona da história que lhe é ocultada.
Não importa a idade, sua história deve ser contada, mesmo que o sujeito seja ainda um bebê. Menosprezamos muito a capacidade de interação e de entendimento dos bebês, mas há vários estudos que mostram o quanto bebês, mesmo os recém-nascidos, estão atentos ao meio e respondem a ele.
Alessandra Piontelli, uma psicanalista italiana, relata que atendia uma criança de cinco anos de idade com queixa de ansiedade e percebeu que essa criança por várias vezes pegava bonecas e as sacudia como se estivessem mortas e quisesse ressuscitá-las. Certa vez, Piontelli chamou a mãe da criança e fez o comentário do que observara nas sessões. A mãe se pôs a chorar e disse à psicanalista que teve uma gestação gemelar, entretanto, só nasceu com vida a criança que Piontelli atendia. O outro bebê morreu com 34 semanas de gestação. A psicanalista, então, contou essa história para a criança que atendia, ou seja, sua própria história; disse à criança que ela teve um irmão e que conviveram e cresceram juntos por vários meses na barriga de sua mãe, mas que, infelizmente, seu irmão não conseguiu sobreviver e ela teve que ficar com seu irmão morto durante ainda mais alguns dias dentro da barriga de sua mãe. Tal revelação fez com que a criança deixasse de apresentar os comportamentos ansiosos pelos quais foi encaminhada à análise.
Esse é um dos exemplos a respeito da importância de se contar a história do sujeito a ele mesmo, pois, de alguma forma, ele sabe que lhe é escondido algo, e esse “não dito” pode provocar problemas de ordem psicológica no desenvolvimento do sujeito. Portanto, se você pai ou mãe ainda não contou a seu filho algo importante que diz respeito a ele, mesmo que não seja um segredo, mas algo que diz respeito diretamente a ele, como ter nascido prematuro, por exemplo, seria importante que pudesse contar. Isso poderia, inclusive, ajudar a prevenir problemas de ordem emocional.
Você suportaria que outras pessoas soubessem algo importante sobre você que você mesmo desconhecesse?

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