Estou muito cansada, mas mesmo assim a amo

26 anos.

Desabafo Anônimo: Estou tão cansada.
Tudo começou em 2009 quando conheci uma menina. Foi estranho porque, naquele momento, tudo parecia se encaixar. Conhecemo-nos em uma rede social, começamos a conversar, e em dois dias a pedi em casamento (logicamente, de brincadeira). Nossa conexão parecia ser única! Começamos a namorar à distância. Ela no Sudeste e eu no Norte.
Nem tudo foram flores, claro. Ela tinha 17 na época, e eu 18. Às vezes ela parecia ser madura, às vezes não; o mesmo acontecia comigo. Nossa, como a amava… Ela era linda, carinhosa, amorosa… A gente se entendia. Só que algumas coisas atrapalhavam: ela não era assumida, apesar de os pais terem sabido de alguns relacionamentos rápidos dela com meninas, eles não aceitavam em hipótese nenhuma (pais religiosos: pai evangélico, mãe católica, família inteira católica). Uma vez a mãe dela descobriu meu número e ligou dizendo que iria chamar a polícia, que eu era uma pedófila porque a filha era menor de idade, etc. Foi horrível! Senti-me um lixo.
Existia outra situação: nunca entendi a sexualidade dela direito. Ela sempre foi de fazer projeções de personagens das séries da vez (cada série tinha uma personagem favorito, e ela simplesmente começava a agir como eles), e foi assim com todos, como Rebelde, The OC… Quando a conheci, ela estava viciada em The OC, e queria ser a Marissa (que, na segunda temporada, se relacionou com uma mulher), e na Lindsay Lohan, que na época, estava namorando uma mulher. Acho que foi o momento perfeito pra ela ser isso.
Ela me contava que sempre se relacionou com caras, que tivera vários namorados e ficantes, e tinha se relacionado pouco com meninas.
Eu, inconscientemente, sempre tive um pé atrás sobre isso, mas infelizmente, ou felizmente, era tarde demais, eu já estava completamente apaixonada.
Quando completamos 6 meses de namoro, meus pais começaram, coincidentemente, a planejar uma viagem para a cidade dela (eles não sabiam da gente). Fiquei muito empolgada e contei pra ela, e ela também ficou assim. Só que não deu certo. Meu avô ficou doente, e os planos da viagem tiveram de ser cancelados.
Ela ficou muito PUTA, muito mesmo, e as coisas começaram a esfriar. Sempre colocava crédito pra falar com ela (os créditos duravam, em média, 5 min). Teve um dia que meu avô já estava muito mal, e acabou falecendo. Coloquei crédito e liguei para ela, meio triste. Ela atendeu, foi super fria, e não ligou muito sobre a morte do meu avô. Eu sofri com aquilo.
No fim das contas, ela inventou uma viagem para uma cidade vizinha, a fim de ir visitar uma amiga, conheceu uma menina por lá e me deixou. Terminou comigo porque eu não pude ir visitá-la.
Chorei por 5 dias, sofri como nunca, meu coração estava despedaçado.
Ela continuou me mandando mensagens e pediu que eu ligasse pra ela. Coloquei crédito que daria o equivalente a 15 min e liguei. Assim que atendeu, começou a falar sobre a viagem, que tinha se hospedado na casa da ficante, que agora era namorada, e que tinham transado. Eu fiquei tão triste que desliguei e ainda tinham sobrado 10 min de crédito.
Chorei mais ainda.
Um mês depois ela me procurou dizendo que me amava, que sentia minha falta, que estava arrependida e que queria voltar.
Eu, como trouxa que sou, aceitei.
As coisas mudaram completamente, ela estava muito mais empática, romântica, carinhosa e compreensiva.
Ficamos juntas por 1 ano até nos encontrarmos pela primeira vez. No ano seguinte, de novo. E assim se passaram 5 anos, até tudo começar a dar errado novamente.
No último ano, ela tinha vindo me ver na minha cidade; ficou 1 mês comigo.
Depois disso, as crises de saudade e choro pioraram de ambas as partes. Estávamos muito sobrecarregadas. Até que ela começou a mudar. Disse que a gente não poderia mais se ver porque era muito difícil dizer adeus, e que não queria mais mentir para os pais.
Nada dava mais certo, nos falávamos todos os dias pelo telefone, e não passava disso.
E então, em 2015, ela simplesmente terminou comigo de novo, e dessa vez, foi de vez.
Falou coisas horríveis, disse que eu era a pessoa mais infeliz que ela conhecia, que aquilo não dava mais certo, que eu tinha que procurar meu rumo e ser feliz, conhecer pessoas novas, que ela faria o mesmo.
Eu fiquei bem pior que a primeira vez. Foi horrível! A dor era tanta que eu comecei a me machucar pra tentar externalizar aquilo que doía tanto. Não conseguia levantar da cama ou pensar em outra coisa. Não conseguia comer também. Comecei a beber muito, a ponto de quase entrar em coma alcoólico algumas vezes.
Ela ficou bem preocupada comigo. Me ligava algumas vezes, perguntando como eu estava.
Alguns meses depois, quando eu estava começando a me recuperar, ela me ligou.
Começamos a conversar, e então eu joguei uma pegadinha, pra ver se ela caía, e ela caiu. Descobri que ela me deixou pra ficar com um cara, e estava com ele desde então.
Aquilo foi pior que a última vez. Piorei a questão da bebida, da depressão, do choro… Minha autoestima foi para o chão. Fui trocada por um cara que, com certeza, era muito melhor que eu. Ele tem dinheiro, tem carro, praticamente a sustenta, dá presentes, tirou a virgindade dela, transa com ela sempre… E eu sempre estive longe.
Um dia fumei um beck, e foi a pior coisa que pude fazer. Foi horrível! Liguei pra ela, falei um monte de merda.
Até que, depois de alguns meses, ela começou a ligar de forma mais recorrente, até que se tornou algo diário. E então, em uma dessas ligações, ela chorou. Disse que me ama, que está com ele de fachada, que não pode decepcionar os pais e nem a família, mas que ele não tem nada a ver comigo, e começou a falar todos os defeitos dele. Disse que a gente não poderia voltar, mas que queria me ter na vida dela, porque sem mim ela não conseguiria enfrentar essa situação, e, por fim, pediu para esperá-la.
E cá estou eu, depois de alguns meses, mantendo contato com ela diariamente. Ela não diz mais quando vai sair com o namorado nem nada, mas eu sei quando, a conheço bem. Eu estou ficando paranóica, sabe? Descobri todas as redes sociais dele e do irmão. Os dois são uns babacas que tem brincadeiras escrotas, xingam as mulheres e os amigos, riem das desgraças alheias e se autodenominam “opressores”.
Descobri a rede social do irmão dela, e lá eu vi uma vez uma foto dos dois. Eu sofri e sofro até hoje.
Odeio ter que procurar essas coisas porque isso me faz mal, muito mal, e eu sei que não é certo.
Como ela diz que me ama e fica com ele? Uma vez eu disse que iria parar de falar com ela, que estava cansada, e ela fez um escândalo, pediu para esperá-la. Mas até quando? Ela mudou muito. Ou talvez esteja sendo ela mesma agora, né? Ela tira as mesmas brincadeiras que o namorado e o irmão, que são ofensivas. Fico muito triste. Não sei o que fazer, estou me sentindo sufocada, o ciúme tá me corroendo, eu não tenho mais paz ou sossego, passo o dia pensando nisso. Não sei mais o que fazer, já até pensei em me matar. Desisti logo depois por causa dos meus pais.
Estou me sentindo sozinha, como se eu nunca mais fosse ser feliz. Nunca mais ninguém vai me querer. Ninguém vai me salvar disso.
E, ao mesmo tempo, não quero perdê-la. Ela é importante para mim. Sinto saudades dela, do sorriso, do abraço, do cheiro. Quero ela pra mim. Sinto tanta inveja dele. Era pra eu estar lá com ela, e não ele.
Parece que alguma coisa aqui dentro vai explodir, não sei. Estou muito cansada, mas mesmo assim a amo.

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