Ele me humilhava

Amanda

Desabafo Anônimo: Olá, conheci esse grupo e sempre tive vontade de escrever. Hoje me senti segura em dizer sobre minha história.
Bom, meu nome é Amanda, eu, como várias mulheres, vivi um sonho encantado, aqueles que somos moldadas a viver e ser!
Então quando o conheci vivi apaixonada, já no começo dava sinais de uma relação totalmente abusiva, mas eu não quis enxergar. Ele me dominou de uma forma de que me afastei de amigos, mas mantive as minhas amigas sinceras e leais, ele dizia que não podíamos viver saindo mais porque afinal iríamos construir nossa vida financeira e casar. Estava no final da faculdade quando nos conhecemos, nossos valores e perspectivas eram semelhantes, eu apaixonada e o que sempre sonhei era ter uma família. Coisa de canceriana, sabe? Enfim namoramos. Nesse tempo ele já me abafava, dizia que como era da balada, saía, curtia com as amigas eu era biscate e que ele era a melhor pessoa pra mim. Formei em direito, mas no final decidi não participar da formatura. Ele dizia que ia gastar dinheiro à toa, então eu não participei. Meu pai achou bom. Ele era um cara com objetivos, queria investir, casar pensava na família que iria construir comigo. Assim, o dinheiro que iria gastar na festa meu pai me deu a metade, investimos juntos num negócio. E não saíamos mais porque falava que dinheiro pra sair com casais de amigos era perda de dinheiro, pra que vida social? Temos um ao outro. Pouco tempo, nós juntamos o que tínhamos, cada um deu um carro. Demos entrada na nossa casinha, suado o pouco que tínhamos, fomos morar juntos. O sonho de ter nosso canto, nossa família era imenso! Mas ele nunca me assumiu realmente, como viajava muito, quando chegava não queria reunir amigos em comum, conversar fiado, enfim ter nossa vida social, por muito tempo entendi, era falta de dinheiro. Ele queria muito ser pai, tinha 24 anos já estávamos juntos há 2, 1 morando junto e o outro namorando. Cedi. Tinha o sonho da minha família! Mas ele já viajava muito a trabalho, chegava no final de semana e eu trabalhava com meus pais em uma loja. Deixei de lado o Direito, afinal antes de me mudar pra nossa casa tinha tentado duas OAB mas não passei. Desisti e fui tocar os negócios da família. Trabalhei muito, filha do dono, abria e fechava a loja do shopping. Investimos o pouco que tínhamos combinado. Bom, ele viajava muito, o problema de dinheiro e a falta de companheirismo já dava sinais. Só nos víamos final de semana, não tínhamos um ciclo social, ou estava no rancho da mãe dele ou em casa, ele com um amigo que era solteiro. Engravidei. Já estava mal nosso relacionamento. Vivíamos com dois mundos: o do sonho da família e ele viajando e tendo sua vida social e comigo nunca nada, sair ou ver amigos antigos ele nunca queria. Íamos somente em festa de família, às vezes eu dobrava no shopping e quando chegava em casa estava ele com amigos solteiros, bebendo com a vizinha recém separada que ele estava ajeitando pro amigo.
Mas eu não brigava, tentava entender. Nas minhas provas da OAB ele não estava do meu lado quando não passei, ele estava trabalhando e no outro dia sabia pelos outros que ele estava em alguma festa. Mas era a trabalho ele dizia, perdoava.
Engravidei, ele já tinha investido dinheiro pra comprar boi (ele é veterinário), fez um arrendamento com esse amigo que sempre estava com ele bebendo quando chegava cansada. Comigo não tinha parceria, eu também gosto de beber, sair pra jantar, mas eu não era mais companhia. Aí quando engravidei, morri como mulher; nem sexo direito fazíamos. Ele vivia nesse arrendamento, sempre viajava, mas era a trabalho, entendia. Às vezes ia com esse amigo pra fazenda dele. Enfim, nos distanciamos. Minha filha nasceu ele é um bom pai. Carinhoso, cuidou de mim, mas trocar fralda, por pra dormir isso é a mãe que faz! Mas ele era bom. Eu não trabalhava mais com meus pais, falávamos que eu tinha que estudar, passar em concurso, e assim fiquei em casa. A primogênita fez um ano, tinha emagrecido, me sentia bem de novo, voltei a trabalhar, mas era voluntário. Não ganhava, então eu estava saindo pra biscatiar, “você não estudou nesse um ano, pra que trabalhar e gastar a gasolina que eu pago?”, ele dizia. Planejamos outro filho, as coisas não estavam bem, mas eu queria dar uma irmã pra minha filha, sabia que não era o momento, mas chegou. Engravidei. Ele já não me tratava como mulher, já era mãe, não tínhamos companheirismo e o fato de eu beber e querer às vezes sair com ele, deixar a bebê com os avós, era um injustiça, afinal ele vivia viajando pra que ter vida a dois, companheirismo. Descobri a gravidez, fiquei em choque! Estava num emprego voluntário, tinha chances de conseguir ser assessora. Mas às vezes chegava em casa e o almoço não saía às 11h. “Você acabou de pegar a menina do colégio que eu pago e ela está com fome”. Nesse momento ela ficava meio período no colégio, eu busquei me recolocar profissionalmente, mas ao descobrir a gravidez, deixei o emprego voluntário. A pressão pra estudar e passar em concurso era grande. “Você só fica em casa, ela dorme por que você não estuda?” Eu não consegui, me sentia distante. Incapaz.
Cuidava da casa e da filha e estava grávida!
Ele viajava, quando voltava bebia muito. Nossa situação financeira era o caos, ele fazia investimento sem me consultar eu não tinha voz!
Ele ganhava bem! As pessoas achavam que meu casamento era perfeito e que eu era uma acomodada! Ele me humilhava, dizia que realmente nunca iria passar em nada! Eu não tive força! Na gravidez ele aprontou muito, chegava de manhã das festas bebia muito e estava no auge no emprego. Eu já me sentia mal por até estar grávida de novo! Não conseguia estudar e não consegui trabalhar…
Nasceu minha filha, ele sempre viajando e não sendo companheiro emocional. Com 15 dias de resguardo, me deu um perdido me achava chata ruim encostada! Quando voltou, descobri uma traição! Perdoei. Afinal eu estava de resguardo não estava transando, né? Ele sempre saía, bebia, não tinha mais amigos, nem vida social de casal, não tinha nosso momento nunca, eu não servia como mulher. A bebê cresceu, sentia ele perdido porque não tinha eu como mulher, não me via. Ela estava com dez meses, tirei forçado do peito. Eu não aguentava mais; ela nem chupeta pegava, eu não dormia com ele há meses, mas tínhamos a vida sexual ativa.
Mas quando ele vinha pra casa, às vezes me dava perdido, eu perdoava. Parei de cobrar, eu ficava feliz com ele em casa.
Ele começou a não ver valor em mim eu não tinha profissão! Estava em casa sempre, cuidava de tudo filhos, colégio, roupas, comida. E não era uma boa esposa? Ele não queria que eu trabalhasse a não ser um concurso.
Eu não tive forças de estudar. Como com um marido que sai na noite e nas viagens e você não faz NADA! Cuidar da família é pouco! Você é acomodada, você nunca vai passar em nada mesmo! Você quer beber sair biscatiar!
Cobrar companheirismo se tornou verbo: Biscatiar.
Falar que precisava de um cursinho pra estudar significa: quer sair de casa pra Biscatiar.
Eu perdi meus valores, já não conhecia aquele homem que me pediu uma família e que não queria que eu trabalhasse com elas pequenas.
Eu não era mais atraente, estava gorda, flácida, peito caído! Escutei: Acabei com seu corpo!
E assim fui me fechando na bolha! Vivi lá muito tempo, me escondia de amigos e da família. Eu estava fazendo tudo certo, tinha a família que queríamos. Vivia cansada, os maus investimentos nos deixaram piores! Agora ele perde o emprego bom. Acabou. “Você nunca me ajudou! Você só fica em casa! Tem gente que tem quatro filhos e trabalha e passa em concurso!”
Aquele homem esqueceu de tudo. Saiu de casa, a família que tanto queríamos hoje sou só eu e elas! Meu maior presente, mas não consigo me recolocar profissionalmente, não tenho condições financeiras pra ter babá. Ele diz que a culpa foi minha que sou encostada. Já sinto vergonha de ter escrito isso. Afinal fracassei. Assim sou julgada: você não trabalhou, você só tinha casa e filhos pra cuidar e um homem que te sustenta. Ano que vem pedi ajuda, meus pais vão cuidar delas pra eu estudar. Ele quase não nos vê. Só vejo que para acreditar no amor e sonhos você tem que analisar bem o homem porque uns não aguentam porque não amam o suficiente. A paixão não sustenta a responsabilidade.

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2 comentários Adicione o seu

  1. Tamara disse:

    Amanda não desista de vc! Tem 2 filhas lindas e por elas vencerá! Tenho certeza q conseguira se recolocar futuramente pois as crianças crescem. E quem sabe um dia terá a seu lado alguém q te ajude a crescer e apoie de verdade. Força!

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  2. Infelizmente a palavra que mais li foi entendia… Entendia ele não querer que eu saia, entendia ele não querer que eu trabalhasse, entendia ele sair a trabalho, entendia ele me trair porque eu estava de resguardo… E você não entendeu o que queria… Agora, procure entender o que quer pra você e suas filhas…

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